segunda-feira, 23 de abril de 2012

Querido belógue... (II)

O meu telemóvel - o novo, das rifas - acabou de dar o seu primeiro mergulho. Atirou-se da secretária. Eu estremeci. Lá dizem que o primeiro mergulho é sempre o que custa mais. Felizmente pelo menos com mazelas externas não ficou. Ufa, respirei de alívio! É que é muito cedo para missões de salvamento.

Não sei quem manda que os meus objectos pessoais ganhem vida própria...

Querido belógue... (I)

... estava a ficar doente de tão irritada! Tinha uma melodia na cabeça, que requeria audição urgente - é aquele tipo de sensação que se não fizermos imediatamente uma coisa parece que vamos ser acometidos por uma grande praga como a decomposição da nossa identidade! - e não estava a conseguir lembrar-me do raio da letra da música para chegar até ela.


Suei muito...


Tentei trautear a melodia e só saíam "nã nã nãs" sem fundo e sem fim. Ainda pensei em ligar e entoar uns "nã nã nãs", mas concluí que estavam a soar terrivelmente e ia ser embaraçoso.


Suei mais...


Até que primeiro surgiu um "everlast" que de nada serviu... Desespero! De certeza que estou a pensar na música por causa de uma qualquer mensagem oculta, de uma revelação brutal de mim e não estou a chegar lá!


Até que, surgido sabe-se lá de onde, um "sweep me off my feet" abriu-me o caminho!



Casava-me... Com esta música.

* Esta rubrica, hoje inaugurada, deve ser lida com profunda pronúncia do norte - que afinal dizem que tenho - e serve para disparar as mais tradicionais angústias e irritações femininas, às vezes, quiçá, só Mary-Janisticas. A intenção é que sejam disparadas sem preocupações ou sem grande elaboração. Uma espécie de silly corner.

domingo, 22 de abril de 2012

Fui feliz em Lisboa (e arredores)!

E sem qualquer ocorrência que pudesse efectivar a comparação com Bagdad! Então, e sem nenhuma ordem em particular (por muito bonita que fosse a ordem, o cansaço de alinhar imagens desalinhadas venceu), eis alguns dos sítios que calcorreei nas poucas horas que sobravam após os compromissos:

Praia da Parede
Praia do Guincho
Museu Parque - Cascais
Casa da Guia - Cascais

Largo de Camões - Cascais
Rua do Alecrim
Rua Garrett

Estação de Santa Apolónia
The Great American Disaster
Jerónimos
CCB
Museu Paula Rego
Chiado
Chiado
Jézebel - Estoril
Starbucks Belém
Restaurante Casta Fiore
Baía e Marina. Cascais.
E fui tão feliz que chego a casa com uma melancolia estranha e estúpida em vez da sensação doce e apaziguadora costumeira ao chegar a casa, de rever e sentir o que é meu... Chego com um pequeno (!) nó que me lembra que não trouxe tudo o que queria, e que esquecer a escova de dentes e cabelo, como aconteceu, é perfeitamente acessório. Escovas de dentes e cabelo compro em qualquer lado... O nó, eu sei, responde a umas quantas questões existenciais que se vão atropelando.

Até quando, Lisboa? 
E agora, Lisboa? 
Quem sou eu depois de Lisboa?

Ai tanta filosofia e cansaço acumulado, penso! Muitas horas de sono para recuperar... 

Agora resta realinhar os chakras até porque amanhã será um dia normal. Um dia normal para tentar construir algo de extraordinário, como faço em todos.
Amanhã será um dia para começar a gastar as quase 100 páginas de ideias que escrevi durante 3 dias. 3 páginas de ideias escritas com a convicção de que há muito para fazer e de que há muita margem para o meu crescimento tendo em conta a medida com que também cresce um sentimento de grande de identificação com a profissão que escolhi para mim. 
Amanhã será também um dia para me agarrar firmemente aos vários projectos em que estou envolvida. Esta semana dedico-me especialmente ao teatro. No próximo fim-de-semana é a minha estreia como encenadora e avizinham-se muitos ensaios. 

terça-feira, 17 de abril de 2012

Percebes que esta adolescência não é uma coisa assim tão distante da tua...

... e que assume, sem dúvida, características constantes ao longo do tempo quando no intervalo grande da manhã as músicas que passam na rádio não são Gaga's ou Perry's, mas algumas bem velhinhas.

Ora vejam lá se descobrem:


1
Standing on your momma's porch
You told me that you'd wait forever
Oh and when you held my hand
I knew that it was now or never
Those were the best days of my life


2
Never gonna give you up
Never gonna let you down
Never gonna run around and desert you
Never gonna make you cry
Never gonna say goodbye
Never gonna tell a lie and hurt you


3
She says: We've got to hold on to what we've got
'Cause it doesn't make a difference if we make it or not.
We've got each other and that's a lot for love
We'll give it a shot.

Ooooh, We're half way there



... e percebes também que não é assim tão distante quando dás por ti a desejar uma coisa semelhante ao que se descreve em letras de músicas realmente vivida e sentida, mais do que perdida em palavras.

Concluis que o cerne da adolescência é mesmo isto: muito sentimento. Vivido ao extremo. Há o 8 e o 80. E alguns de nós estamos toda a vida bem perto dela.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

É hoje que me divido em duas!

Quem quer assistir?

- Imprimir bilhete de comboio que não sei se a SMS só chega
- Ler 3 incríveis páginas de e-mail (responder aos que possa - telegraficamente, e de forma aparentemente rude e fria, porque de outra forma não dá)
- Ir buscar o portátil que está arranjado
- Anotar para não esquecer de ir buscar o relógio amanhã que está arranjado
- Anotar aula de condução de amanhã
- Ligar para combinar detalhes sobre a minha estadia
- Passar no scanner para enviar certificado de habilitações e comprovativo de morada
- Corrigir a primeira parte de um trabalho da mana
- Fazer mala para os dias em Lisboa que amanhã provavelmente só chegarei às tantas da noite a casa
- Avisar que não janto amanhã

e, fundamentalmente:

- Ignorar SMSs, telefonemas, e-mails e coisinhas que vão surgindo entretanto a sugerir mais coisas para eu fazer


Help? Anyone?


Sem dramas, e assim mais basicamente, é só isto:


domingo, 15 de abril de 2012

Lisboa = Bagdad?

Mary Jane anuncia que ruma à capital esta quarta-feira, tendo previsto o regresso para domingo.

Primeiras questões pertinentes que colocou e que farão, com certeza, uns quantos de vós rebolar:

- Olha, e quanto dinheiro é que achas que posso levar? Mesmo com o cartão, é melhor escondê-lo, não é?

- (expressão muito séria) Olha lá, tu vens para Lisboa, não para Bagdad.

sábado, 14 de abril de 2012

Amigos Improváveis - Intouchables

Sempre embirrei com o cinema francês. 
Talvez por achar que em França é tudo lento, aborrecido e pseudo-pseudo - com um ar imediata e naturalmente intelectual.
Talvez por embirrar com a própria língua que - ainda que nunca tenha desonrado a minha pauta enquanto estudante motivando esta potencial inimizade - é pseudo-pseudo e que para saber pronunciar correctamente é preciso encher de rococós.

E depois vieram falar-me do Intouchables. A história de alguém a empurrar uma pessoa numa cadeira de rodas? Pareceu-me fofinho, mas fatela, vugar, demasiado cutxti-cutxi, demasiado visto. Fui vê-lo ontem, na dúvida. E só porque quem dizia que era bom tinha credibilidade.


Acabei o filme a achar a achar que tinha sido muito bom. Muito, muito bom. E talvez a melhor forma de o descrever, sem o revelar, é contar que percebi que tinha estado o filme todo à espera de uma qualquer reviravolta profundamente dramática - aquela que acontece em quase todos os filmes e que nos deixa com um nó na garganta até à resolução - que aqui não houve. E não houve porquê? Porque afinal houve drama, a todo o momento. Mas foi constantemente desmanchado. Magistralmente desmanchado. O filme é isto. Relativizar o drama, reinventar o drama, recontar o drama, rir do drama

E, prometo, se forem vê-lo, vão ver tudo. Tudo menos o homem que empurra, piedosamente, o outro na cadeira de rodas. 

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Queridas mulheres... (hoje para nós)

Por muito que já tenha sido ferida e por muito que já tenha ferido não compreendo aquele discurso de que os homens são todos uns brutos e uns broncos. Tenho reflectido sobre isto e das três, uma (ou então todas mesmo!). 

1) é uma estratégia adaptativa para ultrapassar desgostos amorosos, quando na verdade reconhecem outras coisas positivas;
2) as mulheres que rodeiam os outros homens não lhes dão espaço para ser o que realmente são, não os deixando confortáveis para ser além da superfície, porque, como costumo defender, acredito que somos com cada pessoa o que elas nos inspiram a ser;
3) eu tenho muita sorte e conheço exemplares masculinos raros.

Os homens que tive o privilégio de conhecer melhor até hoje são homens que se emocionam, tanto ou mais que nós, que se apaixonam, muito para além de qualquer natural pulsão sexual,  que sabem beijar a mão e a testa, que não têm medo do compromisso e que estão lá, sempre que é preciso. Claro que no meio disto tudo pode vir a descobrir-se que ainda gostam de coisas estranhas como Wrestling, que gostam mais de brincar com o comando do que de ver televisão, que disparam palavrões no trânsito com a fúria de quem poderia matar e que uma derrota do clube de futebol pode estragar um dia. Mas tudo isto é tão natural como ter um armário cheio e achar que não se tem nada, como sentir que um verniz de uma cor poderosa serve para redobrar a confiança ou como achar que podemos sempre precisar daquela coisa em que só pegamos uma vez por mês e que nos acrescenta 2kg à mala.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Daquele que corre sérios riscos de se tornar o meu actual livro favorito

Porque fala da saudade. Da saudade mais daquilo que imaginamos/idealizamos, do que daquilo que realmente aconteceu. Fala da vida que criamos dentro da nossa cabeça, que é a nossa verdadeira vida - aquela que contamos a nós próprios e que passa a ser inexoravelmente o nosso habitat.




"Ele, em cuja presença tu amavas viver, era-te afinal por completo desconhecido. Só um completo desconhecido se permitiria fazer o que ele te fez. Não gostas de te lembrar como tudo acabou, mas não tens mão sobre a tua memória. A memória apanha-te sempre, em particular nos momentos mais inesperados. Gosta de jogar ao toque e foge, às escondidas, à cabra-cega. Lembras-te dele quer seja dia ou noite. Sonhas com ele, ou com alguém muito parecido com ele, o que te confunde e angustia. Ainda acontece chorares por ele, ou por o que quer que seja que te deixou mais só do que sempre foste. Embora não o admitas a ninguém. Nem à Alice. O Jorge não existe, nunca existiu. Senão dentro da tua cabeça."


in  A rapariga errada  - Pedro Paixão


terça-feira, 10 de abril de 2012

Faço sorrir uma pedra?

E ter uma amiga que me dedica uma música com uma letra assim? Até podem achar que a letra é meia pimba - que desprovida de contexto seria - e que escarrapachar músicas é muito parolo e adolescente e que ainda mais parolo é partilhá-la aqui, mas agiganta-me o ego e é um bocadinho muito importante de mim ter pessoas assim na minha vida. Como tu, também.

Tens esse dom tão natural
Fazes sorrir uma pedra
E alguém sorria

Tens esse dom tão especial
E assim resolves a guerra
E alguém sorria

Yeah, eh
O mundo a perder-se por aí
Yeah, eh
E eu fico bem assim a olhar para ti

Tens esse dom tão natural
De atravessar o deserto
Com um sorriso

Tens esse dom tão especial
Todos te querem por perto
Por um sorriso

(...)

O químico diria
Que tu tens o segredo da alquimia

segunda-feira, 9 de abril de 2012

A minha Páscoa para lá do evidente

E dizia a minha irmã na manhã de Páscoa - "Não sei porquê, mas a Páscoa parece-me sempre uma festa triste". Eu lá pensei que não tinha grande razão de ser e que até, do ponto de vista religioso, ressurreição de Cristo tratava-se de um momento mais importante e mais feliz do que o Natal. Claro que poupei a minha irmã desta palestra porque no tocante a religião somos bem diferentes e tudo o que eu ia ouvir em resposta com esta explicação era "Não tem nada a ver com isso da Igreja!".

A verdade é que talvez saiba, melhor do que gostaria e mais além do meu pensamento filosófico-religioso, o porquê da Páscoa ser uma festividade triste. Morreu muita gente da família nesta época. Especialmente, muita gente que não era suposto ter morrido quando morreu ou como morreu - e, na verdade, talvez nunca exista, para quem gosta, um momento em que seja suposto ou uma forma suposta. Por isso é que os "Foi melhor assim!" ou "Foi na hora certa..." são coisas que nunca fazem um sentido integral apesar de ficar bem dizer ou pensar. E na Páscoa, não é raro olhar para alguém, e sem porque sim ou porque não, ver  olhos humedecidos. Repara-se e olha-se noutra direcção. Quanto muito há um sorriso terno. Mas ninguém faz perguntas. Já se sabe. É mesmo nestas alturas que se repara, ainda mais, que falta ali alguém. É nestas alturas que, sim, no meio dos amplos laços que nos unem - evidentes enquanto se enumera ao padre quem são netos, sobrinhos, sobrinho-netos, primos em primeiro, segundo e terceiro grau - constatámos que somos uma família linda mas, ao mesmo tempo, lembrámos, mesmo quando não se fala disso,  que já fomos mais e melhores. E é nestas alturas que temos ainda mais saudades de quem já não está.

 É um dia muito feliz de reunião familiar, com muitos risos e brincadeiras, mas lá por dentro, no que ninguém sabe bem ou procura não explicar, triste.

domingo, 8 de abril de 2012

Presente de páscoa antecipado etc

Ora aqui está um breve conjuntinho de acontecimentos da última semana que não foram aqui assinalados:

- Na terça-feira à noite convidei uma amiga para sair comigo. Disse-lhe que não podia dizer que não, porque eu ia ganhar um telemóvel que já há algum tempo anunciei aqui que estava a precisar. Ora, e ia ganhar um telemóvel num sorteio de rifas para o qual gastei 2€. Assim foi. Está bem que foi o terceiro prémio e não foi o Iphone do primeiro prémio, mas vim de lá com um Nokia C5-03, o que, grátis, é assim uma coisa para lá de maravilhosa.


- Na quinta-feira passei com distinção no exame de código e assim já há mais um itenzinho da Bucket List muito orgulhosamente riscado. Não obstante, fiquei com a noção de que isto dos exames de código é uma coisa perfeitamente aleatória. O meu primeiro exame foi uma monstruosidade, este era completamente de caras.