domingo, 20 de maio de 2012

Receita para alguém me deixar completamente sem palavras...

(...)

Porque tu és daquela espécie rara de raparigas. Aquela que mexe mesmo com o coração, que nos dá vontade de correr para ela. Tens sonhos na ponta dos dedos, felicidade no piscar dos teus olhos, magia e amor no sopro dos teus lábios quando falas.


És uma rapariga rara. És aquela que se cuida. És aquela a quem se dá. És aquela que me dá vontade de querer receber.
Sonhas, como nos teatros que encenas, como no cuidado e carinho que tens nas crianças que diriges. Vives, como danças. Leve e suavemente, com movimentos fluídos, por vezes ternos, muitas vezes sensuais, de cabeça erguida e lábio mordido, de costas arqueadas e pernas esticadas, com a música a embalar todos os teus movimentos. Existes, como se isso fosse um dom, como se fosse uma bênção para as pessoas que te rodeiam.

(...)

sexta-feira, 18 de maio de 2012

O meu telefone foi contactado em directo via Estádio do Dragão...

... e foi 1000 vezes melhor escutar uma música que me era especialmente dirigida do que estar lá, mesmo que a escuta implicasse que apanhasse só palavras soltas da letra, Look at the stars, look how they shine for you, bem mais longe do que os esporádicos gritos e do que os aplausos finais. E foi 1000 vezes melhor, porque a certeza de que há pessoas que valem a pena esteve mais perto.

Querido belógue... (XIX)

... hoje eu:

-  podia ter dado início a uns capítulos trágicos de Mary Jane ao volante. Se não fosse o meu instrutor a sinalizar, não tinha cedido passagem a nenhum peão;
- achei que não vou tão mal quanto penso na condução depois de ter sido conduzida por alguém, também em aprendizagem, que ia permanentemente aos soluços;
- almocei às 11:40 porque tinha agenda cheia e sem intervalos à hora que as pessoas normais almoçam (das 12h às 15h)
- convoquei reforços familiares para apoio à resolução de um contrato que foi ingenuamente assinado por pessoas que são bem embaladas por conversas e eu, claro, não consegui agir como se não fosse nada comigo, mesmo não sendo;
- à conta de muitas voltas, cheguei à aula de dança 1 hora atrasada, aproveitei meia hora;
- vi uma senhora, com pelo menos mais 10 anos do que eu, a chorar por sair de um projecto para abraçar  um projecto profissional maior e melhor. Senti uma empatia imediata e achei que poderia estar a olhar para mim dali a 10 anos. À despedida elogiaram-lhe o profissionalismo, a meiguice e a capacidade também de dar uns berros quando assim tinha de ser. Se daqui a 10 anos disserem o mesmo sobre mim, ficarei feliz.

Basicamente, foi um dia como todos os meus têm sido desde Janeiro, sempre com qualquer coisa de imprevisível. Sempre muito agitados, mas a valer tanto a pena.


E agora com licença que tenho de terminar uma reflexão para uma menina querida.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Que se lixe o amorzinho, o amor de conveniência, o amor de dois dias...

... há duas pessoas que vão casar amanhã, depois de 26 anos de vida em comum em que a uni-las existia "só", conforme palavras dela, amor e respeito. Amor e respeito que deram origem também a dois filhos.

É simultaneamente uma prova e uma declaração de amor final, porque ele tem um contrato terminal com a vida, daqueles muito pouco supostos e completamente inconvenientes, e procura no casamento não um contrato, mas a consumação de uma aliança. A consumação simbólica de uma aliança que, com casamento ou sem casamento, nem o fim da vida há-de desfazer.

Amanhã, independentemente de tudo, há-de acontecer um casamento. Um casamento sem vestido de noiva, sem bolo, sem centenas de convidados. Um casamento com o apadrinhamento dos filhos. Um casamento feliz.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Espera aí... que já casamos - The Five-Year Engagement

Fui ver este filme. E chorei, como faço em tantos outros, e foi a limpar as lágrimas que disse à minha companhia que o filme é fraquinho. E é. Eu achei. 
De forma breve, o filme arranca com um pedido de casamento após um ano de namoro e desenvolve-se com um noivado a ser sucessivamente adiado. Nisto, vai-se assistindo ao desgaste da relação. E em alguns momentos este desgaste é ilustrado de uma forma excessivamente caricaturada do meu ponto de vista. O excesso até seria bom se tivesse graça, mas não tem muita! Quer dizer, quando vejo um tipo de barba comprida, a oferecer produtos biológicos, feitos por si, aos amigos, eu achei que aquele momento representava um pesadelo do personagem principal - o que era engraçado e coerente! - mas não, era a realidade mesmo! 

Ainda assim, o que a minha memória selectiva retira de melhor do filme são algumas mensagens importantes sobre o que é uma relação:
  • implica cedências;
  • acarreta mudanças;
  • talvez não exista ninguém com quem somos 100% compatíveis, essa compatibilidade constrói-se;
  • há amores que se encontram, mesmo com todos os desencontros.


De qualquer forma, a ver, vejam-no antes no sofázinho de casa. Quando não houverem muito mais opções... Ou então vejam o trailer - é daqueles que tem o que de melhor há no filme, em versão short que representa um bom contraste com o desnecessariamente longo que senti ser este filme.

terça-feira, 15 de maio de 2012

A memória que fala de nós

33 anos, 4 filhos.

48 anos. Além dos meus filhos, eu sou mãe de dois netos, porque a mãe e o pai foram sei lá para onde e eu fui logo pedir a guarda ao tribunal que me concedeu com muito orgulho.

39 anos, 3 filhos, só a de 5 anos está comigo, os outros estão com o pai, longe. Ex-ex-marido, ex-marido, namorado.

35 anos, o meu marido e eu, 2 filhos. 15 e 17 anos. Não estão comigo. Coisas do tribunal.

Da minha manhã, a primeira passada em recrutamento de pessoal, poderia ter memorizado muita coisa. Podia fixar-me na senhora que andou uma hora a pé para vir até à entrevista e que estava pronta a deslocar-se assim diariamente; na senhora que diz "as minhas mãos não colam" ou "ver é com os olhos" ou então naquela que ao sair exclamou "se não ficar, gosto em conhecer-vos na mesma, só gente jovem e bonita!", mas aquilo que me fez sair de lá a sentir-me ligeiramente atordoada foram sobretudo os dados que destaquei no início deste post e que se emaranhavam brutalmente na minha cabeça.

As nossas escolhas não são ingénuas. Todos os dias nós - consciente ou inconscientemente - escolhemos armazenar/memorizar só parte das nossas experiências, escolhemos destacar apenas certos elementos daquilo que vivemos, e mais do que falar das situações em si, as nossas escolhas que farão a nossa memória podem falar de nós. Agora eu sei que seleccionei o que seleccionei porque as relações afectivas e as bases com que desde tenra idade se constroem é um assunto que me toca particularmente. Há vidas complicadas... como é que começam, onde é que acabam? Esta labilidade assusta-me tremendamente.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

A minha primeira confissão...

Em época de comunhões quero falar-vos da minha primeira confissão séria. Não daquelas confissões, igualmente sérias ou menos sérias, que de vez em quando fazemos a alguém, mas da primeira vez que, na igreja, me ajoelhei em frente a um padre.

Lembro-me que achei que o senhor era muito velhinho e que me questionei o porquê de eu estar para ali a falar e ele a olhar no vazio, mas depois lembrei-me da catequista, que disse que a confissão não era falar com um padre, ou uma pessoa, era falar com Jesus, portanto até fazia sentido não olhar e estar antes com a orelha direccionada para mim: não era ele que me estava a observar portanto estava a facilitar a via de acesso a Jesus! Depois dos primeiros segundos a falar, achei também que tinha feito bem em preparar uma lista mental de pecados para apresentar com receio de me esquecer de algum, porque o senhor esteve calado o tempo todo... Mas o melhor de tudo e o que cabe sublinhar foi o sentimento de absolvição. Depois de ter rezado os Pai Nosso e as Avé Maria que me foram incumbidos, lembro-me de ir para casa e de me sentir uma pequena ave a levitar, de me sentir absolutamente santa e livre de pecados. De anunciar inclusivé "Já não tenho pecados!" e de afirmar solenemente a quem queria saber a lista que tinha elencado ao padre "É secreto!". Até o raio do vestido da comunhão que seria às bolinhas brancas me parecia um drama menor e que não valeu a minha preocupação... Prometi a mim mesma permanecer imaculada a maior quantidade de tempo possível... Mas no próprio dia, após uma asneirita inconsequente, fui logo encostada à minha condição humana. "Já tens um pecado!...". E assim se quebrou um estado magnificamente zen que eu poderia jurar que ia durar a vida toda.

domingo, 13 de maio de 2012

Amor e três ingredientes: tempo, paciência e coragem

Deambulando por entre as minhas teorias sobre o amor uma das conclusões que tenho tirado é que há mais três ingredientes fundamentais na misteriosa equação do amor e da vida a dois. Tempo, paciência e coragem. Tempo e paciência são precisos para construir o amor que não nasce feito. O amor que existe para lá do ritmo dos impulsos biológicos. Por isso quando dizem "Ai, já não é o que era", a única coisa que eu sei é que certamente não é, porque é muito mais, para o bem ou para o mal, as coisas evoluem, crescem, mudam... Ninguém conhece outro alguém num mês. Ninguém se molda de uma forma que parte de si parece estar alojada noutro alguém em meio ano. E tudo isto são contas relativas... O que eu sei é que é preciso muita convivência - com todas as ilusões e desilusões - para que as pessoas sejam cada vez mais uma com a outra no dia a dia, em sonhos e projectos, em pequenas decisões (ir ao cinema ou ao teatro?). Essa é que é essa.

Eu cá sei que estou numa fase da minha vida particularmente instável - às vezes tenho pouco tempo e paciência. Às vezes dou por mim a querer amor ao estilo fast food: um amor já feito, sem decisões, sem discussões, sem complicações, sem obstáculos. Um amor que me dissesse num inglês trágico e fatalista, there you have it. Como quem diz, o que sempre sonhaste é possível. Ou, there you have it, é possível ultrapassar o que já tiveste! Quase como se só o que for melhor, assim logo à partida,  valesse a pena e fosse a confirmação de que o amor existe. E o pior é que avalio este melhor nos termos de uma matemática ilógica que nunca há-de dar conta certa: quase como se achasse que serão precisos os 7 anos que já tive para chegar onde estava.  É preciso tempo para deixar de encarar o amor como uma competição. É preciso tempo para deixar de querer prestar contas com o passado e enfrentar um amor a limpo, como deve ser.

E isto tudo lembra-me que é preciso também um bocadinho de coragem para amar depois do amor. Para achar que aquele que considerávamos o amor de uma vida era só um amor na vida. É preciso coragem para assumir que mesmo que a morte faça eventualmente parte do trajecto de um caminho que se via eterno, continua a valer a pena enfrentar o risco de morrer todos os dias, de perder parte de nós no outro, de dar corpo e alma e sabe-se lá mais o quê, mesmo que um dia esse corpo e alma fiquem desalojados. Afinal, não é por saber que um dia também eu irei acabar, que não me apetece viver. É preciso coragem para dizer ao coração que ele não falhou e que não foi abandonado... É preciso coragem para dizer ao coração que não faz mal tentar mais que uma vez e que não, para saber que está certo, também não tem de vir tudo de uma vez.


Querido belógue... (XVIII)

... eis um dos motivos da minha ausência. Diz que sexta-feira esteve um bom dia de praia e que se almoçou com vista mar. Tendo em conta que não moro à beira da praia é um evento digno de registo.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Querido belógue... (XVII)

... hoje antes de usar pela 2ª vez uma t-shirt que comprei há uns meses atrás pensei 2 vezes. A primeira vez que a vesti as coisas não me correram muito bem. Para não dizer literalmente que correram mal. E esta é das superstições mais parvas de sempre, mas provavelmente a única que tenho. Reza a história que houve um casaco que só usei uma vez porque no dia em que o estreei tudo me correu mal. Desta vez, estava decidida a contrariar a superstição. Até porque a roupa paga-se não é para ficar pendurada no armário. Mas basicamente, e por muito que eu tente voltar o meu olhar para o positivo, está a acontecer tudo o que não podia acontecer. Agora resta-me enfrentar a tarde... E encher-me de força para não enclausurar mais uma peça azarada no armário.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

(Des)arrumadinha

Pois é. Há quem me apelide de arrumadinha. Mas eu confesso que, apesar de ser geralmente arrumadinha a expor os meus pensamentos, a realidade à minha volta não padece da mesma organização, da mesma fluência, do mesmo encaixe... É antes um sinuoso desencaixe de manuais, de caderninhos e de folhas que às vezes já nem sei identificar.  E eu juro que todos os dias acho que vai ser dia de organizar tudo. Mas depois, o que eu trago acumulado, o trabalho que cresce, faz com que o sinuoso desencaixe seja um terreno fértil. Tenho uma colega que dizia que não conseguia começar a trabalhar sem tudo devidamente alinhado e perfilado. Eu opto pelo alinhamento expresso - o  alinhamento mental. Elimino mentalmente tudo o que está a ocupar espaço e a perturbar o meu estado de organização. Na minha cabeça passa a existir só aquilo com que estou a trabalhar. Na realidade qualquer dia não sei se vejo 1 milímetro de secretária. Pior é que a plantação de coisinhas está em fase de expansão territorial. Tem vindo a estender-se às cadeiras e aos sofás. Envergonho-me pois publicamente na vã esperança de assumir um comportamento mais diligente em relação a estes assuntos.

Querido belógue (XVI)...

... hoje é um dia bom. Um dia bom ao estilo adolescente: um dia bom porque sim, sem grande razão, tal como podia ser um dia mau, sem grande razão. É daqueles dias bons que nem sabemos bem explicar porque é bom, porque não aconteceu, nada que se destaque, mas é. E é bom porque de repente tudo faz sentido e a vida é bela. Acho que no fundo este meu sentimento é um produto de uma mistura vitamínica natural. Dias de sol fazem-me muito bem, assim como mais sono. Além disso, por mais projectos engraçados em que esteja envolvida, a perspectiva de hoje sair e ir directamente para casa sabe-me muito bem.