quinta-feira, 31 de maio de 2012

O que é que fazem 7 mulheres quinta-feira à noite?

Vão abrir o ginásio e...

Dragonfly out in the sun you know what I mean, don't you know...

Butterflies all havin' fun you know what I mean...


Devagar!

Sexy

Uuuuuh! Vamos lá.


Dá-lhe!

Hmmm... Sexy não é sexo. Isto não é creu meninas!

Despe, despe, despe!

- Sábado à noite não posso. 
- O que é que vais fazer sábado à noite?
- Ai isso agora não posso contar.

E tudo isto de janelas abertas, a deixar passar ruídos. Quem estava no café em frente, embora nada visse, de certeza que construiu um belo cenário mental.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Ao que eu sei, sou filha dos meus pais...

A minha mãe, muito tranquila, dirigindo-se ao meu pai:


- Olha, sabes o que é que eu descobri? Quem são os pais do teu filho!


Leia-se que os meus pais casaram há 27 anos e estão juntos há 37 anos.


terça-feira, 29 de maio de 2012

Finalmente, o retrato

Tive um dia chato. Chato para ser amorosa. Estive com um humor burro e só me apeteceu eslapear-me e escalar paredes. O momento alto do meu dia foi quando fui presenteada com um retrato pelas minhas crianças  (para alguns adolescentes).

Quase que esqueci o ódio que germinei em relação aos pintores de Paris (sim que eu tentei dois), que me olhavam com ar de artista nato que tinha acabado de encontrar a sua musa, pediam-me para ir para um canto longe das deambulações dos habituais turistas, e que depois me devolviam o retrato de uma Barbie. Eu, que queria a minha face ali cravada eternamente no papel, tentei 2 retratos para que ficasse a parecer eu! E depois de cada erro, passava, no mínimo, 30 minutos a lamentar-me dos iguais minutos que tinha passado prostrada não em frente a um artista, mas sim em frente a um ladrão.

Portanto, o retrato das minhas crianças pode ter sido feito a marcador, mas as cores fizeram dele um retrato visivelmente mais realista. E depois, com a legenda "Dra. M. super xiraaa" acho que não restam dúvidas de que sou mesmo eu!

O único traço que ficou minimamente parecido.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

As funcionárias do local onde trabalho são as melhores do mundo

Enquanto eu chegava, subia ela umas escadas carregada com um saco de lixo. A uns quantos metros de distância, no seu porte pequenino e redondinho, começa a gritar:


Olá, amor! É outra vez segunda-feira, ai que grande frete!

domingo, 27 de maio de 2012

Querido belógue... (XXIII)

...os meus avós regressaram do fim-de-semana de comemoração dos 54 anos de casamento. "Não me apetecia nada ir, mas vou por ele, para não ficar triste", confidenciou a minha avó na quinta-feira. No dia seguinte mostrava à minha irmã alegremente o conjunto de toilettes (a minha avó é muito fina para dizer looks ou outfits) que planeava levar. Já eu olho para a relação dos meus avós num misto de admiração e inveja. Inveja porque não sei se ainda se fazem relações assim tão longas... Está bem que são só números... E que 2 anos podem valer por 50, mas a imagem de um amor que caminha connosco e cresce connosco ao longo da vida é das imagens mais românticas que as melhores histórias de infância souberam enraízar em mim.

A propósito do novo anúncio da vodafone...

...aquele do cão a transportar uma aliança com uma câmara anexa, há uma coisa que penso, invariavelmente, de todas as vezes que o vejo. Aquela resposta "Eu sei" a um "Também te amo" estraga tudo, é um corta clima absoluto. E não é pelo que está verbalizado, é pelo não-verbal. A expressão e o tom de voz, dizem para lá do "Eu sei" directamente expresso, qualquer coisa como "Claro que amas, nem havia outra hipótese. Eu sou um máximo". O homem é o conquistador, com jeito para fazer coisinhas tecnológicas e tal, a mulher é um ser dócil e submisso... 

Mas, dou por mim a reflectir que isto até que pode ter sido estratégico. O homem a fazer coisinhas ao início e este toque final altivo, que para alguns até pode ser lido enquanto divertido, eram essenciais para que este não fosse um anúncio de puxar à lágrima exclusivamente dirigido ao feminino, mas com alcance também dirigido ao público masculino. Veja-se a banda sonora escolhida, também é uma coisa perfeitamente capaz de encaixar nos 2 géneros. Ainda assim, esta dualidade de targets deixa-me a olhar para este anúncio como um puzzle com um estranho encaixe.

sábado, 26 de maio de 2012

Querido belógue... (XXII)

... a única forma de sair viva de um fim-de-semana em que a cabeça está a ser agressivamente espalmada sem alucinar e começar a ver mais papel do que aquele que aqui ao lado se acumula é espalmar igualmente o corpo. Castigá-lo de tal forma que faça com que a cabeça tenha o verdadeiro intervalo de que precisa. Por isso (na realidade porque há actuação em breve), sexta e hoje enfrentei uma hora e meia de aula de dança e amanhã enfrentarei mais uma hora e meia, logo de manhã pela fresquinha. Normalmente não gosto de aulas de dança assim como a primeira coisa que faço mal acordo. O corpo ainda não está sintonizado para a actividade necessária e  tem tendência a reagir com uma inércia brutal e a fingir-se de morto. A tal ponto que chego a duvidar se sou eu que comando o corpo ou se é o corpo que me comanda em mim. Para amanhã comandar eu vou fazer um serão calminho, em casa, e tentar esquecer que é sábado à noite.


sexta-feira, 25 de maio de 2012

Johnson's Baby contaminado com instinto maternal!

Eu podia jurar que o instinto maternal, até à data, era uma coisa absolutamente inexistente em mim. Não que não goste de bebés, porque adoro! Mas nunca tive nenhum desejo, nem leve, nem profundo, de ter um para mim brevemente. E estava perfeitamente convencida da inexistência deste instinto porque, na semana passada, vi os 2 homens que me acompanharam nas entrevistas de recrutamento - um exactamente da minha idade, outro uma mão cheia de anos mais velho - a derreterem-se completamente perante uma bebé com 2 semanas "Ooooh que liiinda"; "Como te chamas pequenina?"

E eu? Eu esboçava um sorriso, sincero e simpático, mas fiquei ali, colada à cadeira, a sentir-me um pequeno ET. Tudo porque o meu incontido estereótipo (aquelas coisas que nós achamos que não existem em nós, mas depois BAAAM, afinal estão lá todas!) bombardeava o meu pensamento "Então, mas isto não é coisa de mulher? O que é que se passa aqui? Estou no filme errado!". Claramente um bebé tão pequenino era uma realidade bem distante para mim. Não que não tivesse vontade de pegar e de tocar, claro que tinha, mas isso não é do que eu estou a falar. Nos meus colegas havia ali qualquer coisa de invisível e de inenarrável, mas bem diferente de fazer um "bilu bilu" a um bebé. Podia jurar que se pusesse a mão por baixo do queixo deles, ainda apanhava baba! Em mim existia só o "bilu, bilu".

Por isso, hoje, e no mais inesperado dos momentos, fui brutalmente surpreendida. Ao reparar numa embalagem de champô Johnson's Baby na minha casa de banho tive o impulso imediato de pegar, abrir a tampa e cheirar. E antes sequer do pensamento se formar em palavras, eu sei que desejei ter um cabelinho, que, vá-se lá saber porquê, imaginei loirinho, a cheirar a champô de bebé, colado ao meu peito. E não era de um bebé qualquer. Era de um bebé que fosse meu.


quinta-feira, 24 de maio de 2012

Querido belógue... (XXI)

... e depois também há quem diga que eu me fecho como a defesa do Chelsea. Do Chelsea não do Villas-Boas, mas do Di Matteo. Do Chelsea que resistia estoicamente ao melhor dos futebois e que era a negação do próprio futebol.

Preciso de alguém

Preciso de alguém, e é tão urgente o que digo. Perdoem excessivas, obscenas carências, pieguices, subjetivismos, mas preciso tanto e tanto. (...) Preciso de alguém que tenha ouvidos para ouvir, porque são tantas histórias a contar. (...) E um grande silêncio desnecessário de palavras. Para ficar ao lado, cúmplice, dividindo o astral, o ritmo, a over, a libido, a percepção da terra, do ar, do fogo, da água, nesta saudável vontade insana de viver. Preciso de alguém que eu possa estender a mão devagar sobre a mesa para tocar a mão quente do outro lado e sentir uma resposta como - eu estou aqui, eu te toco também. Sou o bicho humano que habita a concha ao lado da concha que você habita, e da qual te salvo, meu amor, apenas porque te estendo a minha mão. No meio da fome, do comício, da crise, no meio do vírus, da noite e do deserto - preciso de alguém para dividir comigo esta sede. Para olhar seus olhos que não adivinho castanhos nem verdes nem azuis e dizer assim: que longa e áspera sede, meu amor. Que vontade, que vontade enorme de dizer outra vez meu amor, depois de tanto tempo e tanto medo. Que vontade escapista e burra de encontrar outro olhar que não no meu próprio - tão cansado, tão causado - qualquer coisa vasta e abstrata quanto, digamos assim, um Caminho. (...) Preciso sim, preciso tanto. Alguém que aceite tanto meus sonos demorados quanto minhas insônias insuportáveis. Tanto meu ciclo ascético Francisco de Assis quanto meu ciclo etílico bukovskiano. Que me desperte com um beijo, abra a janela para o sol ou a penumbra. Tanto faz, e sem dizer nada me diga o tempo inteiro alguma coisa como eu sou o outro ser conjunto ao teu, mas não sou tu, e quero adoçar tua vida. Preciso do teu beijo de mel na minha boca de areia seca, preciso da tua mão de seda no couro da minha mão crispada de solidão. Preciso dessa emoção que os antigos chamavam de amor, quando sexo não era morte e as pessoas não tinham medo disso que fazia a gente dissolver o próprio ego no ego do outro e misturar coxas e espíritos no fundo do outro-você, outro-espelho, outro-igual-sedento-de-não-solidão, bicho-carente, tigre e lótus. (...) Tenho urgência de ti, meu amor. Para me salvar da lama movediça de mim mesmo. Para me tocar, para me tocar e no toque me salvar. Preciso ter certeza que inventar nosso encontro sempre foi pura intuição, não mera loucura. (...)

Caio Fernando Abreu

terça-feira, 22 de maio de 2012

No que toca ao corpo humano há quem desenvolva uma predileção por olhos, pernas, mãos...

... eu cá, especialmente nos últimos tempos, desenvolvi, ainda que sem me aperceber, uma predileção por braços. Quando dava por mim lá estava eu a apertá-los, a segurar com firmeza ali na zona do Popeye. E, como há quem diga que sou uma rapariga do toque, pela tendência que tenho para tocar e acariciar quem de mim se aproxima, sobretudo se já tiver desenvolvido algum carinho pela pessoa, as predileções que estabeleço em termos de corpo humano, tantas vezes fazem-se pelo toque, mais do que pela vista. É a conclusão que tiro. E nos últimos tempos, mais do que tudo, eu gosto de braços. De uns em particular, que me têm segurado muito. Que me dizem, ao toque, que estão ali, fortes e firmes para mim. E aperto-os - não necessariamente num abraço - como símbolo da segurança. Símbolo externo da minha segurança interna.


segunda-feira, 21 de maio de 2012

Querido belógue... (XX)

... está tudo explicado. Hoje percebi que não teria talento para ser uma celebridade. Quando se abeiraram de mim 40 certificados para lá cunhar a minha bela (tem dias) assinatura, eu achei lindo! Quer dizer, deixar assim a minha assinatura em 40 papeis pareceu-me tarefa digna de muitos flashs.

Ao fim de 10 certificados já não importaria de trocar com alguém.

Ao fim de 20 já divagava sobre o árduo que seria desempenhar tal tarefa com um sorriso à prova de fãs e de flashs.

Ao fim de 30 já constatava sobre o ardúo que é certamente desempenhar tal tarefa com um sorriso minimamente realista e já contava, a encher fôlego, os certificados que restavam assinar para ter a certeza de que estava mesmo quase-quase-quase!