Já não te ouço a rir à gargalhada quando me vês a navegar por entre lágrimas no fim de um filme, aquela gargalhada completamente estúpida, desmedida, descontrolada, quase cantada num tom de voz que não era o teu, mas que enchia a sala. Aquela gargalhada que me fazia esconder a cara e pronunciar um "Pára", enquanto insistias "Olha para mim". Mas, mesmo sem ouvir a gargalhada, continuo a chorar em todos os bons filmes; continuo a detestar a mentira e a ficar fora de mim quando percebo que alguém importante me mentiu; continuo a não dizer palavrões e a preferir disfarçá-los, inclusivé em exemplos; continuo a trabalhar fora de horas, mas tiro muito mais horas para mim, tantas vezes porque me forço a isso, é verdade; não faço muito bem ideia para onde vou e não tenho planos nenhuns a longo prazo e isto já é diferente, porque antes, tu sabes, sabia muito bem para onde queria ir e onde queria ficar... Continuo a acreditar em Deus e a gostar de ir à missa ao domingo e, durante muitos domingos, ainda te procurei lá ao meu lado. Sim, ainda procurei o sorriso terno que costumávamos trocar, ou o teu simples olhar no horizonte (provavelmente estarias numa das reflexões filosóficas do momento - como encaixam os dentes uns nos outros?; ou a conjecturar o que irias fazer no nosso próximo aniversário, oferecer no Natal...) e o meu ar tranquilo por te ter ali ao lado. Durmo muito menos horas. Já não são as religiosas 8 do costume. Geralmente 7, às vezes umas 6 e meia... Não porque não consiga, felizmente tenho caído no sono muito bem... Continuo a acordar com dores de cabeça quando durmo horas a mais. Bebo muito mais café, um a dois por dia. O telemóvel continua a tocar várias vezes por dia, mas já não espero uma chamada ou uma SMS tua. Já não vejo o teu carro estacionado, todos os dias que cá estou, na minha rua. Vejo diariamente o do T., que ultimamente tem feito com que ao fim-de-semana sejamos o número habitual à mesa: 7. Comecei a ver filmes sozinha. Ainda não experimentei ir ao cinema sozinha, mas há-de ser dia. Continuo a ficar completamente electrizada e transfigurada quando danço, mas agora faço-o sempre sozinha. E percebi que consigo.
segunda-feira, 23 de julho de 2012
domingo, 22 de julho de 2012
A viragem ou as coisas que se vão
Assumi que tudo ficaria na mesma. É apenas uma pessoa que sai. Com a pessoa, no entanto, saem gestos quotidianos, saem elementos de rotina, que não são só isso, elementos casuais e básicos, mas parte do que sou. Por isso, penso, é normal que às vezes ainda me sinta um bocadinho às aranhas porque começa um novo eu, que a pouco e pouco se vai desprendendo do que era teu.
Sem ti recordo umas quantas coisas que faziam de mim alguém diferente contigo. Na pressa dos dias, até podia enviar a mesma mensagem todos os dias, "Bom dia [inserir nome artístico]. Já estou a ir para X". sem estar a ornamentar com o quão maravilhoso e único eras na minha vida. Contudo, sabe, e acho que sabias bem, que de cada vez que te enviava esta mensagem dizia quão aconchegada me sentia por te ter na minha vida, por te poder contar, todos os dias, que estava a ir, ou em alternativa, que já cheguei. Era bom perguntar-te "Quando vens?", na certeza de que estavas ansioso por vir. Era bom abrir-te a porta todos os dias e era difícil fechá-la, quando não ficávamos juntos, e ias embora. Não me lembro de um dia em que, mesmo apesar do sorriso e abraço final descontraído, não tenha pedido interiormente que ficasses. Por isso é que gostava de te ver desaparecer no elevador (deixar de ver quando tivesse mesmo de ser), praticamente só de cabeça pendurada para fora da porta quase fechada; por isso é que, às vezes, sem nunca teres sabido, ia para a janela da cozinha seguir a tua trajectória através de candeeiros que parcamente te iluminavam. Um dia, mal sabia eu, apagariam mesmo. E para orientar o meu caminho? Só eu mesma.
Contada por vocês #2 [2º aniversário blog]
Querida Mary, quando li o teu desafio, a primeira imagem que me apareceu na ideia foi esta que anexei ao email.
Tu, mais do que muita gente neste blog-mundo (e mundo não-blog), és menina de arregaçar as mangas e lançar mãos à obra para a conquista dos teus sonhos e para lutares pelos teus objectivos e ideais!
E é isso que esta imagem me transmite! Alguém que não tem medo de "subir ao escadote, de martelo em punho" e agir! Nunca me pareceste menina de ficar à espera que as coisas aconteçam!
De ti, sei que és uma mulher de garra, de ir "à luta", de "fazer acontecer". E ainda assim, uma sonhadora, uma romântica, uma apaixonada.
Sublinhei duas coisas aqui na mensagem da ...Ju..., porque me fez muito bem lê-las. Preciso muito de fortalecer estas características que talvez já tenham sido mais minhas do que são agora.
Música do momento #3
É pop, é comercial. Mas, ainda assim, faz-me pensar. É o que um dia esperei que fizessem por mim. É o que hoje estou disposta a fazer.
sábado, 21 de julho de 2012
Contada por vocês #1 [2º aniversário blog]
Esta foi a imagem que me saltou logo à cabeça quando li o que pedias. Acho que não há nada que se denote mais no teu blog do que essa tua capacidade para sonhar, mesmo perante as adversidades, e nos fazer sonhar também. Sempre despretensiosa, com um "sorriso no que escreves" (eu sei que soa estranho, ok?) e uma leveza enorme nas palavras, mesmo nas mais duras. Acho que é mesmo isso que define um sonhador, essa capacidade de ser sempre alguém leve, divertido, meio "aluado".
E que tenhamos sempre assim, tal como o e-mail do blog diz, uma Mary Jane in the sun! :)
Pela M..
Música do momento #2
Pequeno segredo sobre mim: I can really shake 'em down
Segredo maior para ti: Se me fizeres dançar, tens aí não o trabalho feito, mas certamente um bom atalho para o meu coração. Vá, disponibilidade para aprender também conta.
sexta-feira, 20 de julho de 2012
Música do momento #1
Tenho um problema com favoritos ou preferidos, já sabem, mas tenho músicas de "momentos". Músicas que ouço mais em determinada altura e que me estão frequentemente no ouvido. Esta tem estado em repeat.
quinta-feira, 19 de julho de 2012
O problema de estar sempre "cá dentro"...
... é que às vezes não nos conseguimos pôr "cá fora" e ver o que os outros vêem. Cá vai uma confissão feia: não estou habituada a que as pessoas se chateiem comigo. Não o chatear de um aborrecimentozito, de uma "coisa" mal feita. Isso vai acontecendo... Falo do chatear pela própria forma como nos relacionamos com as pessoas, como somos. E fico barata tonta sem saber como reagir. Sempre fui a certinha, a direitinha, se calhar tantas vezes a que aponta erros, mas não (?) os comete. Ponto positivo: a cada dia estou a fazer-me mais mulher, acredito.
quarta-feira, 18 de julho de 2012
Querem, querem? (II)
- Enquanto escrevo estou a ouvir "This thing called love" e a pensar quem me dera estar lá em baixo, mas tenho taaanta coisa para fazer;
- Quando eu fui raptado... Hey, tu não foste raptado, tu entregaste-te!;
- Agora já se ouve "I'm in love with her and I feel fine" (não me lembro qual é o nome da música e estou muito preguiçosa para procurar);
- O que é que preferia, ter um filho gay ou homossexual?
- Em papel higiénico um poema autobiográfico "Nada me dói. Eu nada sinto. Eu não te amo. Sim eu minto". Isso é o teu poema autobiográfico? Dá cá a caneta "Com uma jola e contigo, está tudo tranquilo, puto!"
- Agora é "Yesterday"...
- Depois de se discutirem uma série de filmes. Desde Clube dos Poetas Mortos a A vida é Bela, filme que fui proíbida de ver "Vê com um cachorro quente ao lado!"; "Não!!! Não vejas.", eis que alguém comenta em relação ao Diário da Nossa Paixão: "Depois de ver esse filme estava na rua e apaixonei-me por um poste de electricidade";
- Vou lá fora buscar a guitarra e já sei que vou ser enrabado 10 vezes pelo Duke
Vão-se todos embora, vá, vá...
- Ver-te assim abandonnaaaada, nesse timbre pardaceeeento... Nesse teu jeito fechaaaado, de quem mói um sentimeeento.
terça-feira, 17 de julho de 2012
Um dia desfiz-me em lágrimas quando escrevi este texto de muitas páginas...
... hoje olho para ele como um texto engraçadito em algumas partes. Melodramático noutras.
(...)
Enfim, meu amor. Perdeste-me
porque não me sentaste num qualquer banco em Paris, agarraste o meu rosto e disseste “Quero conhecer o mundo contigo”.
Ou perdi-me eu, quando, por algum momento, sonhei que o pudesses fazer.
Perdeste-me porque elogiaste a minha capacidade de planeamento e a tua
capacidade de orientação e a nossa capacidade de funcionar juntos como
máquinas. Perdeste-me porque eu não sou uma máquina. Tenho coração. Um coração
frágil, mas pouco agarrado a convenções, que tu deixaste cair. Perdeste-me quando
te pedi que ficasses comigo e tu continuaste a planar - não saíste, nem ficaste. À minha orientação depois voaste. E voaste bem, porque estamos aqui para
ser felizes, não para fazer favores… E não podemos obrigar ninguém a ser o que
queremos, a assentar numa moldura onde já não há qualquer possibilidade de
encaixe. E eu sei, embora o lamente profundamente, que o vidro estalou e já não estou na tua moldura. Perdeste-me porque não me lembro da última vez que
olhaste para mim apaixonado e eu lembro-me de tantas em que olhei para ti
apaixonada. Perdeste-me porque deixei de me perder no teu corpo. Perdeste-me
porque não foste capaz de ser o meu super-homem, que não precisava de capa, só
precisava de me fazer sentir uma super-mulher, sem capa. Perdeste-me porque se não
escrevi aquela dedicatória mais apaixonada foi porque não senti que fosse capaz de
o fazer. Perdeste-me porque eu me perdi e esqueci-me do que te fez apaixonar-te
por mim. Perdeste-me porque deixei de fazer diferença e deixaste de querer
fazer a diferença. Perdeste-me quando depois daquela noite, deitada no teu
colo, melosa e deliciada a pensar «afinal,
isto pode dar certo», se desfizeram planos que nem sequer se fizeram. Eram planos, então? Perdeste-me porque eu não sou um prémio para exibir na montra. Perdeste-me
quando perante os meus sentimentos tudo o que me disseste foi um verbalizado “LOL, M.”. LOL. Também eu pensei
que íamos ficar juntos para sempre. Perdeste-me e perdi-te…
Como um dia escreveste «olhava-te e
tu retribuías o olhar. Sentia-te e tu sentias-me a mim.». Agora não sinto
nada. E o que mais dói é isto: o nada. Do tudo, ficou o nada porque te esqueceste que, lá no fundo, eu continuo a ser aquela miúda com
16 anos e preciso de coisas tão simples como que me parem – como quem diz, tu fazes parar o meu tempo – que me
agarrem as mãos, que me sentem em mesas de ping-pong, que me segurem o rosto, que
me olhem nos olhos e confessem “Eu estava
a falar a sério. Eu gosto mesmo de ti.”.
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