Ontem estive com uma panca impossível. Algumas coisas não correram bem e eu reagi como se o mundo estivesse para acabar. Já desbobinava que a bruxa que me deu uma folhinha em Lisboa para queimar não sei quando, porque eu teria uma praga de inveja enoorme, me teria ela própria rogado uma praga de azar incomensurável que ataca quem não cumpre o que ela sugere.
Já hoje acordei com uma sms de que o meu estudo tinha sido bem recebido onde foi apresentado e que despertou bastante interesse. Meio sorriso... Ainda estou apática e ordeno-me interiormente uma saída rápida deste estado.
Minutos depois chega outra sms com um número desconhecido (ou conhecido mas que não gravei nas diversas mudanças de telemóvel, o que é bem provável) que poderia ter feito o meu dia:
Um aviso: olha por ti!
(caraças, mas o que é isto, alguém que me quer intimidar?)
Um favor: não mudes!
( afinal esta coisa do aviso era só uma questão de estilo)
Um desejo: não te esqueças de mim!
(caramba, isto está a ficar uma coisa com muito sentimento)
Uma mentira: não gosto de ti
(pois, já estou a ver tudo...)
Uma verdade: tenho saudades tuas
(pois, e a quantas pessoas enviaste sms igual?)
Uma realidade: és especial
Uma impossibilidade: esquecer-te! Uma certeza: nunca encontrarei alguém como tu!
(céus, mensagens em cadeia, e eu a achar que isto já não se usava)
E agora, claro, como não vou receber mais do que 3 sms's iguais, como eram as regras para ser considerado um amigo (amiga?) 5 estrelas. O que resta? Mais uma praga? Talvez isto...
O que fazer quando se está com uma crise de sono monumental, a horas completamente impróprias?
O que fazer quando - pior ainda - isto se junta ao humor cavernoso com que acordei e que decidiu, mais momento aliviadinho menos momento, acompanhar-me o dia todo? Estou aborrecidinha da minha vida e preciso, urgentemente, de passar deste estado alface, assim para um estado mais chilli com carne.
... acordei tão do avesso hoje... E acontece aquela coisa fabulosa que é não saber, de todo, porquê. A verdade é que nada ajuda. Vejamos, olho pela janela e está cinzentão, daquele cinzento que anuncia chuva (espera, afinal já está mesmo a chover!) e me nega a injecção diária de vitamina-sol, portanto, e estando a priori previsto hoje sair de casa ainda mais cedo do que saí ontem vou ver o que me dizem os astros e reflectir se é boa ideia.
A tia Maya disse que a minha hora mais protegida do dia sucedia das 9 às 11 horas, mas, querida, se aquilo é a hora protegida eu acho que efectivamente vou fazer uma sesta prolongada até amanhã. Ou se calhar nem almoço e nem se lhe pode chamar sesta. Anunciam-se problemas digestivos e é-me recomendado que mastigue bem, portanto a probabilidade que eu me engasgue, suponho, é alta.
Para negócios também está mau porque diz que sou uma negligente e estou a adiar coisas. O Paulo Cardoso até diz que é melhor nem tocar em nada que hoje não estou boa para decisões: deixar tudo como está e fingir que as coisas não existem!
No amor então só se prevê instabilidade e insegurança. Suponho que não será o dia de conhecer o Ken-of-my-dreams.
Posto isto, e estando concluída a auto-terapia, vou mas é deixar-me de tretas e sair de casa à hora prevista.
- Arrumei definitivamente com a edição das fotografias e o meu dia acelerou substancialmente ao fim da tarde.
- 18h30. Enfiei-me numa coisa bem mais ao meu estilo do que a casa das máquinas para fazer mexer o esqueleto: aula de aerodance. Voltinha sobre o ombro esquerdo, voltinha sobre o ombro direito, mambo, mais uns quantos termos que não apanhei. Aprender uma mini-coreografia. "É ou não é?", "Já fizemos 2 seguidas, vão 4?", "4, já está! Agora quero ver 8!", "Que bonito!".
- 19h30. Termina a aula de aerodance e já está a começar a reunião de direcção. Vou num tiro. Sem banho tomado.
-19h35. "Hi, guys! Não dou beijinhos que estou toda porca!", "Estás é muito morena!", "A sério?!" (a sério, tipo, em 24 anos foi a primeira vez que alguém me disse tal coisa). Tratar de assuntos pendentes e ser requisitada a prestar serviços especiais amanhã.
- Já noite escurinha, roupa desgrenhada do ginásio e sacão no ombro sigo a pé para o ponto de encontro com o meu pai e começo a ouvir cantar ao longe - ao longe porque normalmente estou só concentrada no sítio onde tenho os pés - de uma forma muito enrolada e em que a letra pronunciada não é tão polidinha quanto a conhecemos "Pretty woman, walking down the street, pretty woman the kind I like to meet"; mais uma data de palavras que não consigo decifrar que supus que fossem deixas do filme Pretty Woman até conseguir entender uma pergunta "Have you finished your degree?", "Sim, já está", "Psychology, right? University of (...)!", "Grande memória!", "E agora o que é que estás a fazer?", "A tentar arranjar o que fazer!", "Até amanhã!", "Até amanhã!".
Estava muito satisfeita com este programa e a pensar que, de facto, a minha vida é uma animação quando recebo uma sms que diz "Vou fazer uma serenata." e penso "Bolas, nada disto acontece na minha vida, porquê? Porquê?! Porquê?!" e logo a seguir recebo um "Temos bateria, pá. Incha". E eu não inchei nada, só desinchei. Caraças, estava tão inchada com o final do meu dia...
EDIT: Obrigada! Um pequeno génio já me safou. [Agora vou ali pôr-me ao sol enquanto tenho umas fotos a fazer um neverending upload] Subitamente, e enquanto tentava fazer uma acentuação pouco comum - esta "ï" - deixei o editor do blogger em tamanho XL, assim monstruoso e horrível! Está a fazer-me uma confusão tão grande ter isto assim que até perdi a vontade de escrever. Acho que alguém me devia ajudar a regressar à normalidade. Porque ia ser triste eu nunca mais voltar a escrever. Se não for para mais ninguém, para mim.
As mulheres não gostam do olhar badalhoco e a despropósito de quem pela primeira vez que se cruza com elas na rua respira um "Levava-te para a cama já! E tudo o resto que possas ser são detalhes...", mas isto não significa que as mulheres não gostem de ser cortejadas e que só as leva quem delas domine uma autobiografia completa, ofereça flores e goste de animais domésticos. Nós gostamos que olhem para nós e da confirmação de que somos atraentes. Gostamos até de sentir que sim, se houvesse essa possibilidade, até nos levavam para a cama, mas não só porque na cama é sempre bom. Gostamos que reparem em detalhes, como a covinha que formamos no fim dos lábios quando sorrimos de determinada maneira ou de perceber que acompanham o movimento da nossa mão que depois de pousada na nuca desliza distraída até à clavícula e aí permanece enquanto reflectimos com o ar deslocado do mundo, que já nos reconhecem, sobre os mais variamos assuntos. Gostamos de dançar e de sentir que não olham descaradamente, e de palhinha a deslizar lânguidamente nos lábios, para o nosso decote, mas também de sentir que sempre que podem fazê-lo mais discretamente, fazem-no. Gostamos até de sentir, que as mãos que em público pousam no fundo das costas, em privado pousariam noutros sítios. E gostamos de olhares regalados que dizem que querem o mesmo que nós. O melhor? É possível fazer isto tudo sem ter que disparar uma verborreia digna de livro que, aliás, por si só, pode até não fazer nada. Mas, se não forem muito pirosos, nem demasiado insinuantes, uma confissão ao ouvido sabe sempre bem. Assim, feita devagar e com pinta de gentleman, percebem? Depois? Depois, com sorte e se a coisa for bem feita, pode vir o olhar badalhoco e o dirty talking que ninguém se ofende! É que o que se diz das ladys na mesa e na cama, também se aplica aos gentlemens, convém não esquecer.
Olhem, sob pena de isto começar a parecer o mural de um facebook em que as pessoas anunciam os seus hábitos higiénicos, venho relatar, em primeira mão, que ontem fui com os amigalhaços dar o girito de sábado à noite do costume. E, entre conversas sobre psicologia social e sobre as múltiplas razões de colocarem a música tão alta naqueles bares que não têm propriamente ambiente para dançar, mas muitas mesas e cadeiras para as pessoas conversarem supostamente civilizadamente e não aos berros umas com as outras, fiquei a saber que só tenho companhia para o que seria provavelmente uma 5ª opção: JLo. Lá vou eu, em princípio (que eles já adquiriram bilhete, mas eu ainda não), dançar o qualquer-coisa-on-the-floor.
PONTOS POSITIVOS: penso que vai dar para dançar muuuuiiiito. Ficaremos na plateia em pé e tal... A primeira coisa que perguntei foi, claro, "Mas quê?Plateia em pé dá espaço para eu dançar ou é o povo todo a amassar-me ferozmente?". E é a uma sexta o que é igualmente bom para quem vai fazer 3 horas de viagem para ir ver um concerto e mais 3 horas para regressar. Se fosse à semana, com coisas para fazer no dia seguinte, isto era coisinha para me matar.
PONTOS NEGATIVOS: como já disse, era a modos que uma quinta opção. Além de que, minha cara M. suportando o teu argumento, não é bom nem para estudantes, nem para pessoas já formadas com rendimentos fraquinhos, fraquinhos e incertos, incertos porque é provavelmente o concerto mais caro dos 5.
Descobri uma página que se neste momento estivesse acasalada ia perseguir desenfreadamente para programas a dois. Não, calma, não é o que a frase anterior promete. Não é um site de encontros românticos, prendas românticas, frases românticas e bleh bleh bleh românticos. É um site com a agenda de concertos que estão a acontecer em Portugal, todos os dias, o Yeeeeah!. Mas porque razão então iria perseguir especialmente se estivesse acasalada? Porque é mais fácil 2 chegarem a um acordo do que o grupo de 5 ou 6 com quem habitualmente saio. E há outra questão, é um desejo, devidamente carimbado com o selo branco da minha Bucket List, ir a um grande concerto. Pequenos concertos, aqui e acolá, em época de queima, já saltitei uns quantos, mas quando chega a altura de ir a um grande festival, de ir até ao campo pequeno, ao coliseu dos recreios ou até mesmo ao pavilhão atlântico desfaço-me em nhé nhé nhés. Ir para Lisboa e ter de voltar a meio da noite? Que terror! Por outro lado acho sempre que não sei se sou suficientemente fã (e, na verdade, acho mesmo que não sou realmente fã de nada, sou de momentos, vocês sabem!) para pagar um balúrdio pelo concerto ou muitas vezes abandono a ideia simplesmente porque não tenho companhia. Hoje lá fiquei eu a olhar...
Bon Iver...
Mika...
Jason Mraz...
Norah Jones...
E se me atirasse, mesmo que sozinha, assim na loucura, para algum deles?
Como ainda hoje dizia em resposta a um comentário, e para nós que andamos neste universo paralelo convém sublinhar, há efectivamente uma diferença entre o que escrevemos e quem realmente somos para lá do escrevemos. Hoje, e em premiére, decidi assumir alguns dos meus pontos negros.
Eu não sou perfeita. Sabem-me despistada e desorganizada com a papelada, do género de já ter nascido papel à minha volta, mas isso nem é o mais relevante... Por exemplo, quanto a esta questão o mais importante é que "o papel nasceu". Isto significa que uma vez por outra gosto de me esquivar das minhas próprias responsabilidades e encontrar explicações politicamente correctas só para não dar parte fraca. E eu e a minha gestão de tempo? Ui, bem sabem que não sei o que lhe faço. Dizia que esta semana seria para pôr em marcha muitos dos meus projectos e para actualizar currículo e o que fiz? Tratei da apresentação para Frankfurt, a edição da sessão fotográfica ainda está encalhada e tive a lot of procrastination moments pelo meio. Se escrever em Inglês é mais fácil que esta última parte passe ao lado? Fisicamente? Não mora cá celulite, mas moram estrias. Tenho duas cicatrizes enooormes nos joelhos das quais me lembro 3 vezes por ano em resposta ao manifesto aterrorizado de quem as vê pela primeira vez. True story. O meu cabelo forma muitos nós e dá-me um trabalho do caraças de cada vez que o lavo. Ainda tenho borbulhinhas de adolescente nas costas, fora uma ou outra que de vez em quando decide rebentar-me na cara em tamanho XL, que cá quer-se é tudo em grande! Acresce que não tenho paciência para pôr cremes, sejam simples hidratantes, sejam cremes anti-coisas. Por isso, é muito pouco provável que me apanhem com uma pele a cheirar a loção de côcô a menos que me encontrem nos 15 dias do ano em que faço o tratamento que tem de durar um ano inteiro - i.e., período das férias de Verão em que desligo de e-mails e telemóvel e aplico loções e creme e tudo, 3 vezes ao dia. Fora essa circunstância especial acho sempre que tenho assuntos mundialmente relevantes a tratar e 5 minutos a tratar da pele é deteriorar o que realmente interessa! Pois claro. Tenho a mania que estou sempre ocupada e passo demasiado tempo a trabalhar. Com isto acontece as pessoas terem muita dificuldade para me arrancar do casulo. Ponho as pessoas de lado para trabalhar. Fontes bastante próximas e seguras já me disseram que sou uma banana, porque faço montes de trabalho de graça por toda a gente. Por muito incoerente que pareça depois disto, sou egocêntrica. Às vezes não consigo ouvir as pessoas até ao fim e desato a falar de mim: se estão a falar de uma conquista, tenho que apresentar o que fiz e aconteci; se estão a falar de um drama da vida, eu, por acaso, até tenho um drama semelhante para contar. Sou vaidosa e às vezes o facto de não querer sair de casa começa com a crise existencial de achar que não tenho nada suficientemente giro para vestir. Nem sempre sei lidar assim tão bem com o que me acontece. Engoli para mim mesma o fim do meu namoro. Pouco falei, pouco contei e afastei-me de algumas pessoas por causa disso. Nem sempre sei o que fazer da minha vida e neste momento provavelmente estou no maior dead end de sempre e são mais as vezes em que penso nisto assim, do que como um ponto zero a partir do qual posso recomeçar tudo.
Mas uma coisa é verdade, sinto que se fizesse uma lista a apontar aquilo que gosto em mim, ela ficaria mais longa. Gosto muito, mesmo muito de mim e orgulho-me sinceramente de quem sou. Não sou perfeita e de lá longe estou, mas trabalho um bocadinho todos os dias para ser melhor do que fui ontem. E porque, como não dá para se estar sempre a evoluir no "ser", na maior parte dos dias tento apenas "fazer" melhor do que fiz ontem. E tem corrido bem.
... eu nem sou de pedir explicações nem de embirrar com coisas, mas, não obstante concordar com o que tem sido dito, o que é que foi este ressuscitado ataque ao artigo das gordas da Margarida Rebelo Pinto? Lembrou-se tudo ao mesmo tempo? Ou será que ainda ninguém percebeu que a coisa não nasceu hoje, nem ontem, mas que o artigo é de 2010?
Até fez sentido estar tudo a falar dos 20€ do Pingo Doce que foi coisa que aconteceu esta semana, mas um artigo de 2010 que já foi muito falado em 2010 é agora foco de todos os holofotes outra vez porquê? Porque toda a gente estava a falar dele e toda a gente teve de falar? Vamos lá diversificar o assunto ou parecemos todos uns mémés aqui na blogosfera, incluindo-me a mim própria que vim falar do tema!