quarta-feira, 19 de setembro de 2012
Eu e a mana fomos convocadas...
... para estar prontas às 18.30 para ir com o meu pai "a um sítio". Qualquer tentativa de explicação foi cortada com o típico "falamos depois".
Neste momento fazem-se apostas entre a rede vip (da qual passam a fazer parte!).
Há quem aposte que vem aí um Jedson ou um Agostinho.
Há quem aposte que vem aí um Xaço.
terça-feira, 18 de setembro de 2012
It feels like something ou música do momento #14
Não sei bem para onde vou. Mas este é o mês das voltinhas... De procurar um novo rumo para a minha vida. Caminho descalça. Porque na maior parte das vezes nem sei bem qual é o terreno que piso e caminho na ingenuidade de quem pode ser ferido por um pedaço de vidro, por uma carica perdida, por um terreno mais árido. Às vezes sento-me a meio do caminho. Páro. Penso até em atirar a mochila e desistir. Porque apesar de carregada e pesada, há dias em que parece vazia e invisível por ninguém mais querer pegar nela.
Não é tão dramático quanto parece. Há coisas boas que acontecem todos os dias. Sinto que estou mais encontrada comigo mesma; tenho adormecido feliz e embora continue sem destino e não existam portas escancaradas a evidenciar que aquela é a certa, há caminhos paralelos que não me canso de percorrer, surpreendendo-me até por isso.
Há coisas que me despertam para a vida todos os dias. E são elas que me ajudam a não largar da mochila. A pensar que se está vazia, ainda bem, óptimo, maravilhoso, estou no melhor ponto em que podia estar para começar a enchê-la! E também há dias em que, sim, anseio muito para que estejam lá outras mãos junto das minhas enquanto vou acomodando as coisas, as histórias, as pessoas... E escolho invariavelmente as mesmas mãos. As mesmas que para além das minhas têm sabido de todo este percurso.
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
Enfiei o CD do best of do Bryan Adams na aparelhagem...
... [when you want it, when you need it, you'll always have the best of me] sim aquele que não ouvia há não sei quantos séculos. Aquele que a minha mãe me ofereceu há não sei quantos natais atrás porque ela queria e eu ainda só sabia o que era Onda Choc praticamente. Pus o CD para me acompanhar enquanto trabalho. Para ter assim uma batida energética de fundo e não me apetecia as coisas que ouço todos os dias... [you might stop a hurricane, might even stop the drivin' rain, you might have a dozen other guys, but if you want to stop me, don't even try, I'm going one way, your way]
Agora não sei se foi muito boa ideia. Lembro-me das letras todas e estou a ver-me daqui a bocado a levantar-me e a ter um súbito ataque de movimentos incontrolados... É pelo menos certificar-me que as cortinas estão corridas para os vizinhos não assistirem ao espectáculo da vida deles.
[I'd like to see you, thought I'd let you know, I wanna be with you everyday, cause I've got a feeling that's beginning to grow]
domingo, 16 de setembro de 2012
Ocupa-me
Há fases em que não queremos ter um relacionamento. Queremos, ainda que sem o saber imediatamente, alguém que nos ocupe. Alguém que faça aquelas coisas que davam muito jeito. Alguém que vá ao cinema connosco. Alguém a quem contar todos os segredos. Alguém a quem voltar a qualquer momento. Alguém que nos pode ajudar a inserir questionários no SPSS. Alguém por quem apetece aprender a fazer coisas novas, como uma sobremesa. Alguém que vá almoçar connosco quando não temos mais ninguém com quem ir. Alguém que vá para os gabinetes de prova carregado com as roupas que queremos experimentar e que traga secretamente uma outra peça, só porque apetece ver-nos com ela. Alguém em cujo colo podemos deitar sempre que nos apeteça. Alguém que tenha uma espécie de sociedade secreta connosco conjecturada num "nós" que é uma entidade super-poderosa e super-potente e que está para qualquer circunstância. Alguém que nos dê mimo, porque afinal não dá só jeito, também dá vida. Alguém que nos dê beijos e que nos liberte todas as necessidades libidinosas. Alguém que nos tire de casa quando é o último sítio onde queríamos estar. Alguém que diga que nunca nos vai deixar nem que morra tudo e caia tudo e que, portanto, nos faça acreditar mesmo nisso. Sobretudo alguém que, por favor, nos faça acreditar que sim é possível voltar a ter alguém. Alguém. Que alguém nos ocupe, é urgente! Não queremos amar, nem que nos amem. Mas pensamos que sim e que não tarda nada estão os passarinhos todos a cantar.
Um apontamento: sim, é possível quase tudo isto existir quando não queremos apenas que nos ocupem. A diferença quando queremos que nos ocupem é que um dia percebemos que embora existam coisas que se podem fazer sempre com a mesma receita e que não assumem grandes variações (e portanto tentamos repeti-la incessantemente porque tem que funcionar!), conforme as mãos pelas quais é talhada a coisa sai de forma diferente! Aí percebemos também que é simplesmente impossível fazer com que as coisas aconteçam só porque se quer. Só porque até existiam ali umas mãos com muito boa intenção. Se eu queria ter um namorado mal me vi desnamorada? Quis muito. Se eu podia ter um namorado? Não. Não podia porque não havia espaço. Eu achava que não tinha problemas de espaço, tinha problemas de tempo, e já tive muita pressa porque só vivemos uma vez.
Agora?
Aquele amigo - que me conhece desde os 15 anos e que me trata sempre por "pequena" ou "princesa", a seguir ri envergonhado, pede desculpa e diz não conseguir evitar - fez, esta semana, um breve debriefing acerca do meu estado civil:
Mas quê, tens falado com rapazes, deixado que eles se aproximem?
Eu respondi:
M., não é que eu não tenha muita vontade, mas mais do que isso eu sei o que quero. Não tenho pressa...
Ele parou a ollhar para mim durante uns tempos, sorriu, de um sorriso nem mole, nem jogador, o sorriso firme de quem sabe bem quem viu e de certa forma se apazigua por continuar a ver a mesma pessoa. A seguir dirigiu o olhar para o resto da mesa.
sábado, 15 de setembro de 2012
Ora sobre o dia, eu teria um discurso longo a produzir...
... mas como estou aqui morta de cansaço a tentar matar uma dor de cabeça com Ben-u-ron (qualquer erro, perdoem!), só me resta dizer que eu ainda sou do tempo em que na escola me diziam:
"Escolhe o que quiseres, porque quem é excelente como tu, safa-se sempre, seja no que for".
Hoje penso, reclamo, contesto, bato o pé "Contassem outra história!...", mas, lá no fundo, não deixo de continuar a acreditar na primeira, no mérito dos bons. A diferença é que sei que me avançaram uns quantos capítulos, saltando directamente do início para o final feliz e dando a entender que a única coisa que teria de fazer era continuar a ser um "fenómeno" na arte de bem queimar pestanas e teria um prato pronto no fim à minha espera. Não. Não era a única coisa, fui percebendo já na faculdade que não eram pestanas queimadas que iam fazer de mim diferente. Se as deixei de queimar por causa disso? Não. De uma forma ou de outra estava ali a recolher ferramentas. Por isso mais do que ir para a rua sem saber o que estou lá a fazer - muito bem para quem foi sabendo - tenho estado todos os dias a perguntar-me "de tudo o que eu sei, o que é que eu posso fazer, por onde começar?". Tenho estado todos os dias a procurar trabalhos e trabalhinhos. Alguns de vós podem pensar Ainda! Espera mais uns tempos e verás. Mas eu já vou vendo... Se é fácil? Não. Se há dias em que acho que não vou chegar a lado nenhum? Há. Em alguns dias até dei (dou!) uns tapas imaginários e gritei comigo mesma "Caraças, onde é que esta a tua força? És um fantasma de ti própria!".
Hoje quero lembrar que a marcha não se faz um só dia por ano nem só em cartazes bonitos para as câmaras de televisão/fotográficas e há que continuar a perguntar sempre o que podemos fazer, mesmo que nem sempre seja visível a estrada. Ninguém está à nossa espera "Não há ninguém que seja imprescindível hoje, há tantos por aí!". Não há cartazes sequer a apontar direcções. Cabe a cada um de nós tentar mostrar, dê por onde der, que podem precisar de nós.
Plano de vida: escolho-te a ti
Não vou pensar que a felicidade és tu, porque para a nossa felicidade ser possível existirão muito mais coisas, antes e durante, mas naquilo que te cabe escolho-te a ti, portanto só mudaria a segunda linha desta imagem, ficando perfeita se tivesse antes escrito "People say happiness is a choice. I choose you.".
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
Call me Cinderela
Sim. Calço 36/37, o que para algumas pessoas é muito pouco, e a senhora minha mãe, fora outros serviços ocasionais e serviços de cozinha diversos, faz-me varrer cozinha e corredor principal duas vezes por dia. Está bem que existe cá em casa a circular um indivíduo bem peludo, mas...
Mas raios! Onde é que andam os pássaros e ratos que me acordam, me vestem e dão banho logo de manhã? E que me fazem vestidos? (e fadas de recurso para quando as coisas correm mal!)
Afinal a Cinderela tinha mais sorte! E isto de que a Cinderela era coitadinha é mito. E haver sempre algo externo que a salva é transmitir fracos ensinamentos às criancinhas. Tal como haver um príncipe que fica sentado (príncipe que fica sentado é digno de tal nome?!) e manda os subalternos enfiar um sapato que pode calçar em 50 000 pés na única cinderela que era pretendida. Por acaso, têm sorte e apanham a certa quando o sapato podia servir a tantas outras... Ilusões, ilusões.
Ontem, o Porto, hoje, o mundo
Ontem
Hoje
Acordei a sentir-me esplêndida, maravilhosa, capaz de conquistar o mundo. Já. A seguir.
Achei que os trabalhadores do McDonald's deixaram de ser aquela equipa, onde dissimuladamente, ou não, reinava a boa disposição porque nos atendiam sempre com a cara pendida ligeiramente para o lado e com um sorriso de orelha a orelha, coisa que eu tanto apreciava, para passar a reinar o stress e o burn-out. Tanto pedido trocado a que assisti num curto período de tempo! O sorriso elástico agora estará aparentemente reservado para o recém-adorado h3. A propósito apetece-me um h3 milano.
Vi um senhor com idade para ser meu avô a envergar uma camisola preta, estilo camisolas com carapuço, mas sem carapuço, e com letras coloridas muito coloridas que diziam "Do you want to be my baby?". Quis conter um sorriso enquanto passava por ele e não consegui evitar um quase-riso.
Achei que não ia caber numas calças 34. Fecharam pela primeira vez na vida esforçadamente e eu gostei. Fiz 3 compras da nova estação e já me obriguei a não mexer em nada tão cedo.
Vi uma menina-mulher ter o seu momento Marilyn Monroe, mas ao contrário de mim ali algures em Agosto, e apesar de ter sido célere a baixar o vestido, teve direito a exibição da cueca, que felizmente não era uma tanga com um coração desenhado a purpurinas. Não ri. Porque imaginei que poderia ter acontecido o mesmo comigo e achei que ia apreciar a solidariedade feminina.
Apesar de preferir o mar, o Douro será sempre o rio que tem a cidade lá dentro deixando o Tejo a parecer uma coisa simplesmente flat.
Hoje
Acordei a sentir-me esplêndida, maravilhosa, capaz de conquistar o mundo. Já. A seguir.
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
Agri-doce
Detesto que me aches uma miúda. Detesto que faças de mim marionete nas tuas mãos como até hoje ninguém conseguiu fazer. Que me deixes com vontade de ler os teus livros ou de ver os teus filmes e de raramente conseguir dizer "não" a um "Já". Detesto as constantes referências ao teu bom aspecto físico, seguido do pedido implícito ou explícito para que me segure. Detesto que existam 50 mulheres à tua volta todos os dias e que 75% delas engendrem esquemas para te encontrar ao virar da esquina. Ou que parem só para dizer que tens o melhor rabo que já viram. Detesto não conseguir pensar em mais nada, fazer mais nada, quando te sinto chateado comigo. Detesto que te aches irresistível e que de facto sejas. Detesto que eu tenha sempre promessas a cumprir e que tu te esqueças das tuas. Detesto que sejas a pessoa que mais me aponta defeitos e que menos colo me dá. Detesto cada vez que não me explicas as coisas, quando não as percebo à primeira, e atiras um seco e irredutível "Esquece". Mas fundamentalmente detesto que tu saibas - porque não escondo isso - e não saibas ao mesmo tempo - porque pensas que são coisas da adolescência e que exagero nas palavras - que me tens seriamente agarrada a ti.
Agarras-me a ti de cada vez que abro um olho a custo e quando agarro o telemóvel há um "acoooorda" que se segue a outras duas ou três SMS's e que me faz querer saltar imediatamente da cama. Agarras-me mesmo daquelas vezes em que insisto para mim, cabeça contra a almofada que não existe, que é só uma forma de passares o tempo, que estás aborrecido e eu sou só uma versão sofisticada de um game boy, a ver se o sorriso estúpido que me apareceu na cara se desfaz. Agarras-me quando apesar de desvinculado e desapegado se solta um "Quem me dera", "É o teu estilo, é diferente, mas é bom", "Vááaaa, abracinho!". Agarras-me de cada vez que um sorriso "desenho animado" teu me faz tremer, Agarras-me a ti de cada vez que sinto que me dás mais porrada porque me sabes mais forte e que não preciso de bengalas quando tenho pernas para andar sozinha. Agarras-me quando dizes que detestas não poder dizer palavrões comigo e depois de eu dizer que não me importo porque toda a gente o faz à minha volta, o máximo que fazes é substituí-los por símbolos gráficos. Agarras-me de cada vez que eu penso "A sério? Isto? Tanto tempo e há tanto tempo?". Agarras-me a ti quando percebes que alguma coisa está mal e perguntas como está e como estou. Ou, mais ainda, quando reparas nos detalhes e comentas simplesmente "Estás estranha". Agarras-me quando perguntas a minha opinião sobre as coisas mais básicas como "De madeira ou de couro?" mesmo que seja só para saber a minha opinião e que ela não vá interferir, em nada, com a tua. Agarras-me porque mesmo sabendo que és tudo o que não poderá ser, és e estás sempre.
terça-feira, 11 de setembro de 2012
Conseguiria sempre ou música do momento #13
Disseste, quando a minha cabeça ainda mal ultrapassava a tua cintura, que estavas a ficar gordo e que qualquer dia não ia conseguir abraçar-te. Estiquei os braços todos, fiz crescer os dedos o mais que pude e mostrei-te que conseguia. E prometi que ia conseguir sempre.
E conseguiria sempre.
Até que comecei a ver-te com os olhos cada vez mais tristes. Depois com olhos vazios e palavras que não saíam. Um dia não te vi mais.
Tenho muitas saudades. E, embora te continue a encontrar em tantos momentos por aí, já não tenho uma resposta de volta. Sei que fiquei absolutamente insuportável uns tempos. Sei que já dei muita cabeçada. Sei que não me licenciei em Direito. Sei que o que dizias que tinha "pegado de estaca" não pegou. Mas sobretudo sei, que fizesse eu o que fizesse, ia ser com genuíno orgulho que olharias para mim. Ainda olhas? Diz que sim. Que quando dizem que estrelas brilhantes são pessoas é verdade.
Correndo o risco de me repetir...
Para aprender a conhecer-te melhor preciso de saber para que lado dormes, a marca do teu dentífrico, quais os teus iogurtes favoritos. Preciso também de mais fotografias, embora não as vá ver por agora. Ver-te distrair-me a cabeça com coisas indecentes. Tiveste sarampo em criança? Alguma vez foste o pior aluno da turma? Quantas vezes caíste da tua primeira bicicleta? Envia-me, por favor, também observações, mesmo que não te pareçam pertinentes, descrição de insónias, pesadelos, pensamentos recorrentes, recordações de criança. Podes igualmente falar-me dos teus amigos, colegas e vizinhos, embora vá saltar essa parte. E do quarto onde sonhas comigo muito acordada. Por agora chega.
in A Rapariga Errada, Pedro Paixão
Importam-me os detalhes. As perguntas abertas e absurdas. As perguntas que tantas vezes parece que não interessam para nada. As perguntas que mais do que factos me dão vivências e experiências de uma pessoa, que me levam a sabê-la como ela se conta e não como alguém a poderia contar. Por isso é que me agarrei tanto a este excerto... Por isso e porque fala daquela paixão e curiosidade insaciável pelo ser humano que ainda há dias aqui escarrapachei.
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