domingo, 30 de setembro de 2012

A miúda mais gira da minha vida ou música do momento #16


Minha A.. 
Espero que saibas que a vida cabe dentro da tua mão.

Olha, as estrelitas estão pornográficas, sabias?

Hoje ao pequeno almoço comi não só estrelitas montadas umas nas outras, consoante foi palpite do inquirido, mas engoli vorazmente foguetões. Estava eu a encher uma colher e até esbugalhei os olhos para garantir que não estava com alucinações. Agora adivinhem o que os foguetões parecem... Ou então esperem lá que encontrei imagens para que não precisem de adivinhar e possam julgar com os próprios olhos:

Ora quem tem talento para encontrar o foguetão?

sábado, 29 de setembro de 2012

Lista de vantagens de despertar às 06h30 da manhã

Para a semana vou ter que despertar todos os dias às 06h30. Nunca tal aconteceu na minha vida e representa uma diferença de 4 horas em relação à hora a que tenho acordado. Achei melhor fazer uma lista de vantagens para me convencer de que vai ser uma daquelas mudanças espectaculares:

1) aprimorar a ténica de ficar impecavelmente pronta em 15 minutos para não ter de acordar ainda mais cedo;
2) apreciar o nascer do dia;
3) fazer os primeiros 10 minutos de exercício aérobico do dia logo ao acordar, isto é, prosseguir em marcha rápida para o autocarro não vá aparecer um larápio enquanto ainda está escuro;
4) comer o pequeno almoço a caminho ou em dentadinhas subreptícias no veículo de transporte público, tranquilamente e sem pressas;
5) além de comer, aproveitar o tempo supostamente "perdido" em transportes públicos como tempo ganho: dormir (de boca fechada!) ou (na lunática perspectiva de que vou estar nos píncaros da energia!) ler;
6) desenvolver a arte de, ainda num estado energético em que a criatividade não abunda, tornar motoristas eventualmente antipáticos em pessoas simpáticas que dão todas as indicações;
7) estar mais tempo acordada enquanto há luz solar e a dormir enquanto está escuro o que trará claras vantagens para os humores;
8)...?
9)...?
10)...?


Pá, não fiquem a olhar para isto com a sobrancelha erguida a pensar "Tipo, não há nenhuma vantagem em acordar às 06h30". Não sei se alguma qualquer destas me convence, que estou um bocado lentificada para pensar, mas há muitas....

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

O post mais fofo de sempre

E depois ainda veio SMS: "O trevo está seco porque já o tinha há algum tempo. Acredito que o que de bom veio foste tu. Agora dou-to na esperança de que corra tudo bem na tua vida."

Para alguns pode ser só um trevo seco. Para mim é um trevo que estava guardado há 3 anos e que para quem mo deu tem muito valor. Agora tem muito valor para mim.

E são estas coisas, mais do que uns Louboutin, uma mala Furla ou um carro novo que dão sentido à minha vida.

Tão feliz sem noção?

Tinha um professor de Filosofia que no final de uma aula, com uma expressão profundamente lunática e sonhadora, comentou com um pequeno grupo de alunos no qual eu me incluía que muitas vezes só se apercebia do quão foi feliz a olhar em retrospectiva, "Eu era tão feliz ali e não tinha noção", devolvendo entusiasticamente a questão "Não sentem o mesmo?". Eu fiz a minha cara de 16 anos e quando me preparava para dizer "Hmmm, Hmmm... Se calhar, não muito", ele riu e percebeu que não estávamos na mesma linha.


Mas, vá-se lá saber perfeitamente porquê, este foi dos momentos que congelei na minha memória. Dos momentos que escolhi guardar daquela que, olhando em retrospectiva, sinto ter sido a melhor época da minha vida (anos de escola secundária). Ironicamente, foi a pior também. Foi a altura em que aconteceram também as piores coisas, as mais horríveis que já vivi. Hoje sinto que estaria preparada para responder ao meu professor "Completamente, sinto exactamente o mesmo". Mas, por outro lado, estaria preparada para argumentar que esta pode ser uma construção ilusória que nos inibe de aproveitar o melhor de cada momento presos a um teimoso "ali é que foi" e convictos de que um "agora é que está a ser" não vai ser possível experimentar imediatamente. Só vai ser sentido em retrospectiva. Não concordo. É bom recordar e não nego as recordações, mas é premente viver o presente, colorir o presente em vez de transformar apenas em contos de fadas histórias do passado. Eu acredito que é possível uma noção presente de felicidade.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

E tudo a tesoura levou!...

... ou quase tudo, vá. Um bocadinho, só talvez. Eu disse que era esta semana. E tal como previ cheguei ao cabeleireiro e fiquei num estado de relaxamento absoluto e pensei "É pá, vou largar dinheiro, ao menos que seja para fazer alguma coisa!". Além disso ouço sempre o comentário da minha mãe a ecoar de fundo "Cortaste o cabelo? Hum, não se nota nada!". Desta conjunção nasceu, pois, aquele ímpeto que me fez pegar numa madeixa do meu então longuíssimo cabelo e simular com os dedos o corte aí de uns 10 cm sem suspeitar que eram 10 cm, "Mais ou menos assim". Enquanto isso vi tranquilamente revistas. Vi as imagens. São daquelas em que não se lê o texto. E de repente lembrei-me que talvez fosse boa ideia aferir como é que estava o meu cabelo (para verem a descontracção, desde que não sinta que me estão a rapar deixo que os cabeleireiros me façam quase tudo!). Até que comecei a apalpar-me e percebi (e vi no espelho!) que deixei de ter um cabelo tapa tudo para passar a ter um cabelo tapa nada. Lamentei-me ligeiramente por sms... Não está tão curto como o da Jessica Biel que ilustrei há uns dias, mas está uma diferença mais do que evidente. Evidente já com ele devidamente espalmado e educado pela querida cabeleireira que puxou ali pela escova até à exaustão. Com ele no seu estado selvagem natural ainda ficará mais curto. Não faz mal. Só sinto falta de lhe tocar numa extensão mais longa. Mas isto é só uma questão de hábito. E cresce. 


"Cortaste? Está tão giro, realmente estava a precisar...", disse a minha irmã. E se ela diz que está giro, está mesmo. É daquelas pessoas que se tiver que dizer que está horrível diz sem pedir licença.

É polémico, mas teve mesmo de ser...


quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Chove lá fora e tu não estás aqui...

Chove lá fora e tu não estás aqui... Mas nunca choveu assim. Porque eu detesto chuva. E mesmo que já esteja na cama não consigo entender o fascínio pelo som da chuva. Mas, hoje, pela primeira vez, acho esta chuva diferente. É mansa. E não é só porque está lá fora e eu não a vejo. Não me lembra violência, como é costume, lembra-me harmonia.

Chove lá fora e tu não estás aqui... Para me encostar a ti enquanto adormeço, para deslizar para o teu peito e sentir-te respirar, para passear os meus dedos distraídos pela tua barba. Para eu procurar cada centímetro do teu rosto com a ponta dos dedos porque não vejo nada na escuridão e para insistir para abrires bem os olhos porque, juro, vou conseguir vê-los.  

Chove lá fora e tu não estás aqui... Para me percorreres a pele com os teus dedos enquanto eu finjo estar a dormir e tu estás quase-quase. Para eu entrelaçar os meus pés nos teus, quando acordo por 5 segundos durante a noite, mas a primeira coisa em que penso é em ti.

Chove lá fora e tu não estás aqui... Para me arrancares para um beijo que nunca alguém ousou experimentar. Tenho os braços, as pernas e os pés frios. As mãos estão anormalmente quentes. Deviam estar frias - coração quente. Não faz mal. Não me incomoda. Nem sequer dói ou angustia. Não sei quem és. Mas um dia vai chover lá fora e tu vais estar aqui. E em vez de aceitar apaziguadamente a chuva, como hoje, eu vou odiá-la e vou odiar o som que faz, como sempre. Vou amar-te a ti.


Descomplexar e gozar os últimos dias de sofá: What to expect when you're expecting


Pensei apagar as luzes e tudo para dar um ar solene.
Pensei que quando vejo um filme sozinha nunca me consigo concentrar tanto como quando estou acompanhada. Não sei, como se precisasse da formalidade de uma sala de cinema ou de um riso a fazer coro com o meu...
Pensei que apesar da minha presença no concerto da Jennifer Lopez ter sido cancelada por causas maiores eu devia ir mesmo e tentar perceber o que faz da JLo uma das mulheres mais sexy da telinha para mim.
Pelo meio um momento de dramatismo: pensei nos bebés que um dia projectei e que já não vão ser.
Pensei que um dia quero mesmo saber como é que vou ser eu, à espera... 
Não já, vá.
A cena que mais me emocionou foi a da criança adoptada. Now... what?

Ah, sobre o filme... O filme era mau. Nem é divertido, nem tem uma grande história. Muitas caras bonitas e conhecidas, mas vazio a maior parte do tempo. Estive o tempo todo à procura de uma reviravolta que não aconteceu.

De qualquer forma foi tudo o que procurava hoje. E não era um filme bom. Era um filme daqueles que eu não pagaria bilhete no cinema para ver... Mau, mas light light. Na certeza de que os fuzíveis humanos também precisam de descomplexar para absorver depois a complexidade.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Começou ontem oficialmente a semana dos aiiiii's

Aiiii que não podes.
Aiiii que é muito longe.
Aiiii que tu não sabes conduzir.
Aiiii que tu não tens carro.
Aiiii segue o teu coração, eu já dei com a cabeça na parede, mas decidi!
Aiiii que o que vais ganhar não te vai chegar para as despesas.

Ai que fui seleccionada. 
Ai que diz que segunda-feira vai ser mais um dos primeiros dias do resto da minha vida.
Ai que diz que tenho algum medo, sim, e que não falo de outra coisa. Mas pelo menos durante os próximos 9 meses não fico em casa.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Mary Jane is reading you #1: Guess So, Guess Not...

A melhor forma de explicar a admiração que sinto pela Ana, autora do "Guess So, Guess Not..." é talvez recorrer a uma metáfora. Quando vou ao blog da Ana, sinto a mesma admiração que sentia quando ali no 7º ano olhava quase com reverência para os tipos (incluindo aqui tipas também!) do 12º ano. Está bem que eles não eram enormes em estatura - como aquela diferença que eu sentia do 1º para o 4º ano - mas havia qualquer coisa neles, na postura deles, na forma como andavam e falavam que fazia deles alguém diferente, "maior" do que eu. A Ana é assim. Uma pessoa mais velha do que eu para quem eu olho e penso Se daqui a uns anitos eu for assim, não estou nada mal.



Estou certa também que a ideia que formamos pode dizer tanto acerca de nós como da pessoa sobre quem falamos pelos detalhes que decidimos destacar.  Por isso eu cá confesso que lhe invejo a capacidade para dormir em qualquer lado e o facto de ter ido três dias ao Rock in Rio, só na última edição, não tendo eu posto os pés lá uma única vez. Mas, principalmente, invejo muito o facto de quase sempre que pouso os olhos no blog dela ficar lá não só a ler mas a pensar também. Acho que isto se diz das pessoas que nos inspiram. De resto, gosto das vírgulas sempre no sítio, gosto dos posts a dizer o que, como apetece e quando apetece (a Ana não é daqueles bloggers com dia marcado para bloggar nem tem como regra um post por dia). Gosto da agitação serena nos posts que tecem reflexões acerca da vida - como o facto de apanhar choques frequentemente - acerca das relações humanas - como aquele em que explica como crescer com homens influenciou a sua forma de estar e ser - ou sobre a própria forma da Ana ser com os outros - acessível e apaixonada. Ao mesmo tempo gosto da capacidade que ela tem de convocar todos os seguidores à sala de reuniões porque se andam para aí a queixar de uma configuração do blogger que afinal se resolve, porque não têm uma opção marcada tal como ela quer ou simplesmente porque se apercebe que há quem comenta só para marcar presença. Sobretudo gosto da independência que leio na Ana. Daquele Sei bem quem sou e o que quero.

Por isto, quando chegou a altura de escolher a primeira pessoa para a rubrica que hoje inauguro, "Mary Jane is reading you", não houve dúvidas. Tinha de ser a Ana.

P.S. - Diz que a Ana vai ver JLo no mesmo recinto que eu. Nem sei se vou estar em mim com a possibilidade de qualquer pessoa do sexo feminino que passe por mim poder ser a Ana.

A minha primeira paixoneta

Sou de paixões longas. E prova disso é logo a minha primeira paixoneta. Ele era muito moreno e giro. Giro mesmo giro ao ponto de um conjunto de meninas assanhadas certo dia o terem prendido sem saída no cubículo de uma das casas de banho para lhe dar beijos onde fosse possível. Já ele resistia estoicamente e enrolava os lábios para dentro para que não fosse atingido no mais desejado alvo. Além de giro ele era bom aluno, mesmo bom aluno. Gostava mais de Matemática (era bom nos Problemas!) do que de Português (não era tão virado para a escrita e composições como eu!), mas tinha, dizia a professora, das letras mais bonitas da turma. Na maioria dos intervalos jogava futebol. Era guarda-redes. Não me lembro se alguma vez confessei sequer esta paixão. Ele o máximo que disse - não a mim mas em resposta a um grupo de meninas ao qual eu pertencia - foi que não gostava de nenhuma rapariga e quando o inquiriram acerca de mim (oi?!), alegando que ele era diferente comigo, ele respondeu que eu também era a única diferente. De diferente bom, senti eu na altura. Hoje espero que não fosse um diferente insultuoso. 


O auge desta paixão acontecia quando brincávamos aos Power Rangers e eu era a "amarela" e ele o "verde" ou o "azul", não me recordo, mas basicamente o que na altura era atribuído como o namorado da "amarela" - que isto de acasalar pessoas está presente desde o início dos tempos. Os dois sabíamos que éramos namorados durante a brincadeira. Assim no intervalo das batalhas contra a Rita mázona (que era devidamente representada pela rapariga mais alta da turma que todos adoravam mas que gostava de fazer de má da fita) ou no suposto fim do dia, lá nos encaminhávamos os dois para o sítio onde seria a nossa casa (não me lembro quem a definiu), mas no momento em que os nossos olhares se começavam a cruzar de um para um alguém gritava "Já é de manhã! Perigo!!! Venham todos Power Rangers!", quebrando tudo o que poderia estar a brotar.  

Lá mais para o 4º ano comecei a perceber que os nossos destinos jamais se cruzariam. Ele passava a vida a contar detalhes da casa nova e a rir que tinham escolhido para a casa de banho um azulejo "azul cueca" e a perspectiva de seguir para uma escola diferente do resto do grupo efectivou-se. Mas não matou a minha paixão. Até ao 6º ano vivia na expectativa do dia em que ele ia aparecer. E os 3/4 dias por ano em que ele aparecia eram os melhores de todos. Até que comecei a pensar que ninguém sobrevive com 3/4 dias por ano e, a custo, larguei esta paixão.

Hoje pouco sei sobre ele. Só que é todo zen, paz & amor e que, recentemente, ficou com a cara inchada porque toma coisas manhosas para se "purificar" espiritualmente. 

Nestes momentos percebo que, apesar de agora as coisas serem diferentes, não sinto que alguma vez tenha tido paixões erradas. Nunca tive aquele sentimento de "Ai, meu Deus, como é que eu pude gostar daquilo?", mas paixões devidamente situadas. No tempo e momento em que apareceram fizeram todo o sentido, mesmo que depois tenha vindo uma bem maior e melhor.