Chove lá fora e tu não estás aqui... Mas nunca choveu assim. Porque eu detesto chuva. E mesmo que já esteja na cama não consigo entender o fascínio pelo som da chuva. Mas, hoje, pela primeira vez, acho esta chuva diferente. É mansa. E não é só porque está lá fora e eu não a vejo. Não me lembra violência, como é costume, lembra-me harmonia.
Chove lá fora e tu não estás aqui... Para me encostar a ti enquanto adormeço, para deslizar para o teu peito e sentir-te respirar, para passear os meus dedos distraídos pela tua barba. Para eu procurar cada centímetro do teu rosto com a ponta dos dedos porque não vejo nada na escuridão e para insistir para abrires bem os olhos porque, juro, vou conseguir vê-los.
Chove lá fora e tu não estás aqui... Para me percorreres a pele com os teus dedos enquanto eu finjo estar a dormir e tu estás quase-quase. Para eu entrelaçar os meus pés nos teus, quando acordo por 5 segundos durante a noite, mas a primeira coisa em que penso é em ti.
Chove lá fora e tu não estás aqui... Para me arrancares para um beijo que nunca alguém ousou experimentar. Tenho os braços, as pernas e os pés frios. As mãos estão anormalmente quentes. Deviam estar frias - coração quente. Não faz mal. Não me incomoda. Nem sequer dói ou angustia. Não sei quem és. Mas um dia vai chover lá fora e tu vais estar aqui. E em vez de aceitar apaziguadamente a chuva, como hoje, eu vou odiá-la e vou odiar o som que faz, como sempre. Vou amar-te a ti.