quinta-feira, 30 de maio de 2013

Caraças, she's the one

Discurso da mãe:

- O teu pai está em baixo, será pela tua irmã ir?
(...)

- A tua irmã vai embora, eu já estou com saudades, não estás triste?

- Não, estou muito feliz. Ela estava muito bem aqui a olhar para as paredes, sabes?

(...)

A verdade é que agora, há pouquinho, enquanto a ajudei a emagrecer uma mala com aparente lotação para mais outra mala igual cheia, e quando depois de alguma dificuldade a vi ser bem sucedida, olhei para ela sem dizer, a ver muito mais do que estava a ver, e pensei no que uma prima me disse há dias, e hoje naquele momento percebi que talvez tenha razão, "Agora ela nunca mais vem...". Por algum motivo estas palavras me ficaram. Talvez seja verdade. Talvez seja verdade que vai ser uma mudança maior do que antecipei para mim. Talvez seja verdade, que a irmã-amiga, sempre ali na cama ao lado, mesmo na universidade quando morámos juntas, agora até venha, mas sempre temporariamente. Pensei e não disse que ela é, neste momento, provavelmente, a pessoa mais importante da minha vida. E enquanto escrevo isto e lhe deixo uma imagem fofinhó-foleira no facebook, as lágrimas caem-me felizes na certeza de que se está a fechar mais um ciclo. 

Jasus, deixa-me parar com esta lamecheira antes que ela venha dizer os thank yous e eu em lágrimas. Se ela disser alguma coisa eu relembro-a que no primeiro ano em que eu fui para a faculdade e ela ficou em casa, fiquei eu com pequenas lágrimas e ela voltou o caminho todo a chorar.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Precisa-se de uma mudança de humor extrema

Hoje foi um daqueles dias que se eu fosse de dizer frases retóricas, estilo "Hoje é mesmo um dia não", "Pronto, está tudo a correr mal" poderia já ter largado uma enchurrada delas, mas desatei a fazer gracinhas do assunto porque mesmo que fosse um dia não, com tudo a correr mal (que na verdade não é tudo mas só as coisas que hipervalorizamos), mais valia levar a coisa o melhor possível já que ainda não me é possível saltá-lo e a ideia de me enfiar na cama a pedir que o amanhã chegue depressa parece-me de uma depressão profunda. Então posso dizer que aconteceram coisinhas. Porque foram coisinhas pequeninas, mas em sucessão... Eis apenas algumas:

- Dei com a cabeça no espelho mal entrei no carro. Saiu-me um m**** refilão baixinho. Achei que era inútil e parvo estar a dizer isto por causa de um espelho. Depois pensei que foi uma reação normal e até fui discreta e comedida no volume, logo não me devo recriminar. Depois pensei ainda, ah que engraçado é bom para acordar.

- A mochila do pc ficou com o fecho completamente aberto em dois! Ah, que giro, é das últimas coisas que carrego diariamente do ex e se não fosse este evento nem me apercebia disso. Boa altura para reciclar! Vou ter que gastar dinheiro, ah, que gracinha... Está a chover e eu com o meu portátil quase dentro da mochila toda aberta, ah, que giro, o computador a brincar ao Survivor!

- Fiquei a saber que tinha de ir à noite buscar ração à Gru e a minha vontade de sair era nula. Estava e estou com dores de cabeça chatas. Fui e demorei aí uma hora que não queria e não podia demorar. Agora estou aqui a tentar convencer-me que ter deixado a comida no carro e ter que ir lá buscá-lo é só uma gracinha. E, claro, estou tão irritante que nem me aturo. Really, really, really... Apetece-me despir-me temporariamente de mim e depois voltar. A minha avó resolveria logo: "Ó filhinha, isso é do tempo!".

terça-feira, 28 de maio de 2013

Os seres vivos em ritual de acasalamento ficam tansos

Já sabia que apaixonadas as pessoas ficavam um bocado tansas, descontroladas e desnorteadas, com momentos em que se deslocam da razão. Sabia até que na magnificente intenção de revelarem o melhor de si, não sabem fazer outra coisa se não parecer rídiculas criaturas a pensar em coisas em que nunca pensaram antes (como a posição em que têm as mãos) e depois sai só tudo estranho e artificial, quando só queríamos ser brutais e originais. Hoje percebi que é problema dos seres vivos em geral.

O Gru tinha um pássaro que cantava como nunca vi tal! Às tantas dava ares de rouxinol e tudo tais eram as variações sonoras que emitia. Entretanto, tão bom era o indivíduo que achamos boa ideia o tipo acoplar-se a uma fêmea a ver se a espécie se multiplicava. Hoje o Gru mandou devolver a pássara: em vez de exponenciar a sua mais forte qualidade para seduzir a fêmea, o tipo fechou o bico. Completamente. Nem piar, nem cantar, nem nada. Virou um pássaro tansamente silencioso provavelmente perdido em cogitações sobre como abrir o bico sem parecer ridículo. 

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Aconteceu-me a cena mais assustadora de sempre no facebook

Um tipo, que nunca vi por aí apesar de tecnicamente habitar a mesma cidade que eu, com um ar profundamente besuntoso e oleado, ou seja ar de gymn de levantar peso 7-days-a-week e cabelo que estava na moda quando o meu pai era adolescente, envia-me uma mensagem no facebook "oiiii, adicona-me pfffffffv (vários éfes e tudo, mensagem subliminar?), estou blokeadoo, beijinhuu!". Apeteceu-me responder "oiiiii, que andaste a fazer para estar blokeadooooo?", mas com estes tipos todo o sil|êncio é pouco.


domingo, 26 de maio de 2013

Os homens, não da minha vida, mas na minha vida IV

Ele é o A.. Gosto dele. Gosto mesmo. Talvez goste ainda mais da perceção que tenho de que ele acha que um dia não tenho nenhum sítio onde cair que não seja o colo dele e como parece apenas esperar que o dia do meu sossego emocional e da minha procura por sabe-se lá o quê cheguem e que eu própria, então, chegue ao fim onde devia ter estado sempre: ao lado dele e dos espécimes com quem ele habita. Gosto que ainda assim me dê espaço, que brinque, mas que não me esteja sempre a apontar o colo.

Por outro lado acho que ele é completamente lunático. Não sabe nada de mim. Como é que podemos gostar de alguém de quem não sabemos nada? E tem idade para andar a mudar fraldas e ainda anda por aí a brincar ao faz de conta, não querendo sequer pensar em fraldas. E faz-me festas na cara da mesma forma que faz aos bichos.

Não podia haver ligação mais improvável, penso eu, e acho que ele acha que fomos talhados pelo universo porque eu até...

a) não fumo;
b) sou magra;
c) tenho um trabalho e não consigo estar sem fazer nada;
d) sou mentalmente estimulante.
e) não tenho mais de 25 anos mas para ele é como se tivesse.

Já disse que sou magra, graça genética, porque de resto sou um desastre com cremes e cenas, como o que me apetece e não faço assim taaaannnto exercício físico; que tenho trabalho até fim do próximo mês e depois sabe-se lá; e que de facto não tenho mais de 25 anos e sou tão moody como uma adolescente, mas tudo parece servir ao raio do homem! Tudo porque a lista de requisitos é básica e fácil de preencher, digo eu, já que apesar das lacunas que lhe apresento, ele diz que me encaixo lá. Difícil, diz ele, é sobretudo conjugar o mentalmente estimulante com as outras características, e eu, na verdade, sinto-me um bocadinho mais especial quando ele diz isso e apetece-me instantaneamente encostar-lhe a cabeça ao ombro...

Bloggers help the bloggers, que é como quem diz, bloggers venham todos ajudar-me aqui

A caçula da casa, e isto associado à boa notícia que recebeu há dias, vai abraçar, pelo menos durante uns tempos, a vida na capital do país e anda por aí feita barata tonta à procura de uma casinha, com um ar simpático e preço amigo de primeiros anos de carreira, para arrendar. Quem souber de alguma coisa é favor deixar aqui a dica.

sábado, 25 de maio de 2013

Estado do momento

"Ai que saudade eu tenho de ter saudade. Saudade de ter alguém que aqui está e não existe"

E agora confessem-se já, quem cantou a acompanhar perante o meu estado de saudosismo profundo? Juro, mas juro, que eu que não consigo enconchar, estava capaz de fazer conchinha... Mas não me apetece enconchar ninguém existente na minha vida agora. É o meu desfado...

A vida de Mary Jane e a vida dos outros

Entre as fotos de esplanda e quiçá de pézinho ao sol há-de aparecer uma de Mary Jane de esfregona na mão. 

Daqui a nada o destino é Coimbra e a missão é ajudar a mana de coração, que dá um passo rumo à independência e vai morar sozinha, a transferir-se com condições de higienização apropriadas.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Vitamina anti-encarquilhanço

Estou com vitamina sexta-feira solarenga. Há fins de tarde de sexta-feira em que me sinto com as baterias tão down que só me apetece fazer-me ao sofá. A ideia de ser eu a cozinhar à sexta-feira às vezes deprime-me ainda mais, posto que além de me apetecer fazer-me ao sofá apetece-me encarquilhar-me nele e ficar lá a fazer fita. Agora, acabo de me aperceber que o problema é quando me sento antes de começar a cozinhar. Hoje, mal cheguei, pus as mãos na massa e senti-me na pacificidade e harmonia de um sábado à tarde e a sentir que podia ser dona de casa forever and ever.

Já mudei de ideias.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Bolha de felicidade no peito

Há uma pessoa cujos sucessos me deixam ainda mais feliz do que os meus próprios. Experimento com ela uma felicidade de lágrimas que discretamente se formam sem eu pedir e que não tenho em relação a mim própria. Sinto um orgulho desmedido verdadeiramente altruísta.

É tão bom que não sei descrever o sentimento de outra maneira que não a de dizer que parece que tenho uma bolha de felicidade instalada no meu peito. Tudo pela minha irmã que teve uma excelente notícia hoje.

Mary Jane e Sex and The City: o encontro épico II

Esta coisa da Carrie a esbarrar com o Mr. Big e ficar buéda in love mal a série começa dá cabo de mim. Parece tudo tão instantâneo que só dou por mim a perguntar se não tenho estado a dispensar sucessivamente aquele que seria o Mr. Big da minha vida e se de facto é preciso uma pessoa saber apaixonar-se, querer apaixonar-se, mais do que esperar que o amor aconteça. O que eu sei é que para quem acredita no amor, a coisa não se quer por menos do que Big. E se é Big não pode ser um qualquer, portanto o facto de não andar a ser fácil é só uma pequena contingência da procura de qualidade.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Instrução de vida 10 (1050)

1050. Never pass up the chance to be in a parade.

Foi a tirada mais frustrante de sempre que tirei do meu livro que está a ser aleatoriamente descoberto. 

Primeiro porque não faço a mínima do que dizer sobre assunto. O que é uma parade? É que numa parade tipo defesa de alguma causa, ou no mais clássico sentido de marcha altamente sincronizada, nunca participei, mas na infância fartei-me de participar no desfile de carnaval das escolas e adorava tudo, menos aquela parte em que, depois da minha mãe instruir 20 vezes em casa, em versões ligeiramente distintas "Tenta não entrar no estádio, é uma confusão, depois nunca mais conseguimos de lá sair!", eu me espremia o mais que podia no meio das pessoas a ver se passava incólume e, assim sem ninguém reparar, entrava no estádio, mas ali mesmo à portinha sentia um braço a puxar-me "Eu não te disse?!", "As professores não nos deixam separar-nos!" e via pois vedada a possibilidade apoteótica de passear num relvado com pessoas a acenar-me da bancada. Vá lá, no 4º ano, de prémio, pude entrar no estádio, e claro, não foi nada do cenário "delux" que imaginava....

Em segundo lugar, esta 1050 é a tirada mais frustrante que apanho porque não consigo inventar nenhum significado oculto a esta frase por forma a ultrapassar o que não entendo literalmente e fazer com que isto tenha algum significado pertinente para além de me ter evocado uma memória.