domingo, 30 de junho de 2013

Buenos dias comunidade

Apesar de estar com o sentimento manhoso de que perdi a minha alma, da adaptação a casa do meu avô,  depois de uma operação complicada, não estar a ser nada fácil, prometo que estou de volta, em grande, e que vou fazer um esforço por ter aqui passarinhos a voar e a cantar melodias harmoniosas como é costume.

Estou num ponto zero, de novo. No job, no man... Pelo menos no que toca ao job, é o sítio onde digo ter largado a alma. Um dia destes li uma daquelas frases consoladoras que andam por aí num dos meus sítios atuais favoritos que as rejeições são uma forma de Deus nos dizer que aquele não é o caminho certo. E respirei por momentos, a pensar que se calhar os meus desígnios são outros. E porque também às vezes, especialmente quando abatidos pelo cansaço, sabe bem pensar que há alguém que toma conta do nosso destino e nós podemos estar à sombra da bananeira. Mas depois, o facto de ser um ser pensante assalta-me brutalmente: neste caso não foi bem uma rejeição, foi um fim com muito mimo e congratulações diversas, que sinto que não foram só simpatia. Então se a frase das rejeições me deu um pouco de alento por  outro lado há o pensamento de que não se aplica. 

Enfim, fico sempre mais reflexiva nesta altura do ano...

terça-feira, 25 de junho de 2013

Como curtir o calor (1)

A vizinhança, para não amolecer, curte o calor ao som de um vibrante Kuduro.

domingo, 23 de junho de 2013

Das coisas que não sei se são boas ou más

Sexta-feira voltará a ser um daqueles. Um dos primeiros dias do resto da minha vida. Acaba o trabalho no sítio que me encheu o coração durante 9 meses. A partir daí a minha vida volta a ser uma grande página em branco. 

Curioso é que de alguma forma - não sei se por ter tendência a viver cada coisa a seu tempo e para a semana vem o drama - já sinto esta página cheia e estou estranhamente otimista apesar do cenário nunca ter sido mais negro e mais vago. Vou precisar desta energia... Vou precisar desta energia para encher as páginas, que sinto que têm já imagens, de linhas capazes de contar uma história ou de fazer com que me ajudem a contar uma história.

Família: o mais importante da vida?

Um dos meus objetivos de vida é ter uma família grande. Às vezes não sei se o vou conseguir concretizar. Não tanto pela dificuldade que é encontrar alguém com quem efetivar estes planos, mas também porque, como acho que já disse aqui, acho que é uma tarefa tão difícil e tão extraordinária que honestamente às vezes não sei se tenho capacidade para tal. Também é preciso ter espírito para se ter uma família grande. Espírito de sacríficio. Espírito de dar ao outro às vezes muito mais do que a nós. Às vezes se calhar as coisas até resultam sem as pensar tanto assim.

A recompensa pelos sacrifícios depois também sinto que vale a pena. Nestas visitas ao meu avô tenho reforçado este meu desejo. Por ver que é a família que está ali sempre com ele. E que não conseguiríamos de outra maneira. Só a Família dá cuidados ao que também precisa para que o corpo se fortaleça: ao coração. A Família está ali sempre independentemente dos momentos em que rosnamos uns com os outros. Envelhecer com o coração vazio não deve ser fácil. Por isso, esta é das coisas que mais me preocupa com a emigração e com a mobilidade das pessoas: o desaparecimento da família à distância de um abraço. Mas depois vejo séries como How I met your mother e Sex and the City em que os amigos são a nova família e só peço que essas pessoas, que andam por aí mundo fora, a encontrem realmente, seja em forma de laços de sangue ou de coração.

Wallis was right. The most important thing in life is your family. There are days you love them, and others you don't, but in the end they're the people you always come home to. Sometimes it's the family you're born into and sometimes it's the one you make for yourself.
 Carrie in Sex and the City

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Passeio com honras de farnel

Amanhã vou a um "passeio", carago! Já não falava disto deste o 3º ciclo em que os passeios passaram pomposa e pedagogicamente a intitular-se de "visita de estudo". Este "passeio" de amanhã chama-se "passeio anual", mas tiremos-lhe o anual que lhe retira todo o charme. Levo uma comida rançosa e comichosa. E, nisto, só me lembro das criaturas que nos passeios levavam farnéis dignos de pequeno almoço em hotel de 5 estrelas e eram, em consonância, dignamente cobiçadas por todos os superiores hierárquicos (e.g., profs). Eu tinha sempre honras de criadagem: era francamente ignorada, para não dizerem que levava comida comichosa. Agradeço também o facto da partida neste meu "passeio" moderno não ser às 6 da manhã, mas a umas confortáveis 10. Já ultrapassei a fase em que acordar às 6 da manhã para ir para um passeio, simplesmente este facto, era capaz de ser considerado um dos eventos do ano.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Tendências da época do ano (que nada têm a ver com moda ou condições climatéricas)

Cheguei aquela altura do ano em que (conjugado com a fase stressante a nível familiar pela qual estou a passar) apetece fazer algumas coisas, sobretudo aquelas mais burocráticas, desaparecer com um estalar de dedos. Na impossibilidade disto às vezes aturo um cansaço extremo que me quer fazer acomodar à ideia de que bom, bom é estar 30/45 minutos só a preparar-me para fazer algo ou a preparar tarefas que podia fazer depois e ver a pilha crescer...

terça-feira, 18 de junho de 2013

Absolutamente anormal


Estou um bocado anormal estes dias, mil desculpas e prometo que daqui a nada volto ao normal, mas anormal é o meu avô ter adoecido. Porque são anormais as cenas que nos falam ao coração para o ferir. Anormal é sentir que as pessoas vão inteiras para uma operação e saem de lá desfeitas. Absolutamente anormal é o estado em que andei hoje. Lá tentei ir andando armada em dura. Não choro... Mas quase que não engoli o ar o dia todo enquanto não tive notícias e cometi atrocidades várias:

- Enviei uma SMS para a minha avó que na realidade queria enviar ao meu pai;

- Liguei ao meu pai a perguntar se ele vinha jantar, quando 5 minutos antes ele me tinha ligado a mencionar o seu atraso;
- Deixei o portátil a dormir em casa da minha avó, trazendo apenas comigo o cabo de ligar à corrente (útil!);
- Sinto que andei uma ligeira múmia o dia todo para o que é habitual em mim e que poderei ter cometido outras atrocidades sem notar.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

As pessoas de quem gostamos deviam ser proíbidas de adoecer

Porque há sempre o enorme risco de adoecermos atrás delas. E tudo o que devemos fazer é estar fortes por elas. Fico de coração apertado de cada vez que me ponho no problema de imaginar a parafernália de tubos e cenas que enfeitarão o meu avô nos próximos tempos. Fico de coração apertado e a achar que não vou conseguir enfrentar o meu avô entubado, o meu avô com ar de doente, o meu avô dias a fio naquele sítio dos cancros que jocosamente caraterizo de hotel de cada vez que falo com ele. Doi-me o coração só de pensar que o meu avô está esta noite sozinho nos sítio dos cancros, a olhar para as paredes e eventualmente a passar a vida em revista. E custa-me pensar o meu avô assim, mesmo considerando que grande parte deste pensar pode ser só meu. Apetecia-me ir para debaixo da cama do meu avô, sucurrar-lhe que, sem ninguém ver, ficaria ali e que ia correr tudo bem. Mas como uma das maiores lições que a minha mãe me deu, quando foi ela, foi dizer que não se identificava nada com os desabafos de "porquê eu?!" e que para si era mais um "porque não eu?", vou tentar mecanizar a perspetiva de porque não o meu avô, que é um bravo, daqui a nada vai estar tudo bem.

domingo, 16 de junho de 2013

O auge na vida de um blogger

É quando o autor/autora de alguns dos nossos blogs favoritos se tornam nossos seguidores. Obrigada Clara.

Já fui uma pessoa (em alguns momentos e para algumas pessoas) horrível para se ter na vida

Chata, pesada, consumidora, comichosa... Espalhava má disposição quando tinha algo que eu percecionava como um problema mesmo que não o fosse. Não era compreensível sequer que eu estivesse chateada e o resto das pessoas não unissem as mãos à volta do meu sofrimento. Se era um problema meu passava a ser um problema do mundo - pelo menos daquele à minha volta. Basicamente eu era uma bombinha prestes a detonar cujo rastilho se dissiminava e contaminava rapidamente quem estava à minha volta. E claro, aqueles de quem eu mais gostava, eram os primeiros afetados. 

Não me orgulho quando de alguma forma penso nalgumas versões da pessoa que já fui. Já fui. Isto sim é bom perceber e escrever. Tenho-me apercebido que agora dou vida a uma versão não radicalmente diferente de mim, porque acho que lá no fundo sou a mesma, mas a uma versão evoluída, menos pesada, e que, essencialmente, pesa menos aos outros, e gosto. E gosto sobretudo de achar que a pior versão de mim foi sempre a versão passada. A atual é um espetáculo, a futura uma obra de arte. Um dia, hei-de estar a escrever sobre a horrível versão que sou hoje e acerca da versão fabulosa que serei amanhã.

sábado, 15 de junho de 2013

Ora então em relação ao assunto bombástico de ontem, foi assim:

Mary Jane: "Olha, sabes, no sábado, o meu primo perguntou pelo meu namorado e eu tive que dizer outra vez nãããããooo, ele não é o meu namorado, ahahahahah".

M. (olhar esquisito, meio sorriso e tom relativamente sério): "Nunca se sabe."

Mary Jane deve ter fechado a sua expressão completamente por micro-segundos que pareceram 2 horas, solta uma gargalhada, que acho que até pareceu realista, e depois desata numa verborreia tal acerca dos mais diversos assuntos que deixam o M. sem qualquer margem de manobra para falar. Dá por si, às tantas, a cogitar no meio do monólogo que não abria qualquer espaço para se tornar diálogo, sobre como raio é que arranjou inspiração para lançar tantos assuntos, em série, que, embora não relacionados com a afirmação-bomba, até faziam muito sentido e pareciam perfeitamente encadeados uns nos outros.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

E pronto, aconteceu...

E lá no fundo eu sabia que ia acontecer. Soube quando saí de casa e vi o olhar dele de "She's the one" tão chapado que achei mesmo que não era impressão minha. Mais detalhes conto amanhã que estou muito cansada. E acho que ia debitar pensamentos sobre os quais o universo podia exercer uma ação punitiva. O universo lê pensamentos, por isso pode até já estar a punir.