sábado, 28 de setembro de 2013

Querer-te agora é o querer mais injusto

Querer-te agora é querer-te porque preciso. Não querer porque sou mais feliz contigo, não querer porque te posso fazer mais feliz, não querer porque acho que daí vai resultar um nós mais feliz mas querer porque agora, no escurinho dos meus segredos, sofro e choro um bocadinho - um bocadinho de sofrimento e um bocadinho de choro, que estas coisas têm sempre de ser pequeninas... E mesmo que saiba que provavelmente amanhã - quem sabe daqui a 2 horas - já passou era agora que te queria. Era agora que te queria para saberes dos meus segredos. Aqueles que são só meus e ninguém sabe, mas que por estares tão em mim, são naturalmente teus também, porque uma parte de mim és tu. Mas querer-te agora  é injusto. É querer onde aninhar a minha fragilidade. Queria uma mão dada para fugir. Queria-te agora... Querer-te agora é querer-te muito, mas, em parte, sei que é não te querer nada, e querer-me muito a mim. Querer-me muito a mim com a força de uma mão mais forte sobre a minha e uma voz calma a dizer "Vai ficar tudo bem", porque mesmo quando não se tem a certeza, sabe bem ouvi-lo de um outro alguém...

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

O raio do homem que tem arrasado comigo...

O novo anúncio do perfume Dior Homme arrasa comigo. E o facto de ser o Robert Pattinson a fazê-lo é o pormenor mais indiferente desta história toda. Fica lá muito bem, é certo, mas era pô-lo num anúncio mais cândido que o mesmo seria totalmente indiferente para mim. 

Então o que é que interessa? O indivíduo da Dior Homme vem ornamento do tipo de música que eu aprecio que um macho goste. Ou talvez melhor ainda, é constantemente ornamentado pela banda sonora e imagens que espelham a atitude do que eu acho que um homem deve ser: forte, robusto, conquistador, sexy, consciente das suas ideias, desafiante, com uma pitada de inconvencional, e um grande pedacinho de puto rebelde que parece que nunca o abandonou, num porte irrepreensível... Tem que me dar pica. Achar-se dono do mundo e, por muito que eu o negue, querer tanto como ser dono do mundo, ser dono do meu também.

Às vezes gosto de dizer que não tenho um tipo, mas depois chegam até mim coisas destas que escarrapacham diante dos meus olhos exatamente de forma flagrante: tenho tipo, sim senhor, há muito tempo...

E pronto, fica uma versão longa do anúncio para melhor proveito.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Momentos femininos de dúvida profunda

Depois de muito duvidar entre uns saltos super altos e umas sapatilhas, vou enfrentar uma tarde de reuniões de sapatilhas e, para já, estou a sentir-me lindamente com a decisão. 


P.S. - Nem as sapatilhas nem o salto são estes. Apesar do rosa gaiteiro ser uma cor que até tolero bem, esta imagem foi só a mais ilustrativa que encontrei.

A enervante voz de telefonista

A minha mãe, de cada vez que faz um telefonema que não seja para a família ou amigos, mais formal portanto, começa a exibir (involuntariamente, acho) competências de telefonista melga com voz dobradamente simpática e tia. Sai de si e eu não percebo. Não percebo esta transformação em voz nasalada de brinquedo como se tal evocasse um tratamento mais refinado também do lado de lá. O que vale é que estou consciente de que a formação nos (de)forma e a minha mãe foi secretária uma vida toda, portanto contraio-me e espremo-me aqui contra a cadeira para não soltar violentamente um "que voz irritante!" perturbador de operações.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

De que cor são os sonhos?

Os meus sonhos têm uma cor, que não é cor-de-rosa, ou amarelo elétrico, como achava. 
São castanho-verde. 
São da cor que parece invísivel, mas que um dia alguém detecta enquanto faz um retrato.
São da cor que alguém afirma convictamente depois de uns instantes a duvidar e de ter existido uma afirmação linear anterior - castanho.
São da cor do que não se anula, mas do que se acrescenta - castanho-verde!
Os meus sonhos são da cor de quem vê mais além, para lá do evidente, e fala com serenidade e candura.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Mary Jane vai votar e explica como votar bem...

Na tentativa de fazer um voto mais consciente - como apregoam sempre que o voto deve ser feito na fase em que já não se pode andar por aí a gritar nomes  - este ano tive um comportamento diferente do habitual. Não estou filiada em nenhum partido político e o meu voto costumava basear-se em votar na continuidade (se julgasse o trabalho anterior bem feito) ou então se não conhecesse nenhum dos candidatos na pessoa com melhor ar nos cartazes (isto é, com ar mais competente e bem sabemos que a natureza nem sempre é gentil com as pessoas competentes) ou que sabe falar melhor (o que não significa que saiba fazer melhor). Assim, para melhor fundamentar o meu voto dei por mim a ler - sim, a ler atentamente! - prospetos de campanha. Ainda não sei se vou votar melhor. Acho que vou votar no partido com o prospeto com melhor ar e que me parece melhor organizado.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Há noites em que uma mulher tem duas opções:

A) Continuar a engonhar em seco enquanto faz que faz atrelada a uma dose monumental de cansaço depois de uma viagem em que além de se fazer a dormir nos deixa ainda com mais sono;

B) Assumir que o resultado do engonhanço será nulo e que há coisas bem mais proveitosas para fazer com um tempo que iria ser desgastado em nada, como ver a série que acompanha no momento.

Está claro qual é a opção a assumir, não está?

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

A sorte dos animais

Não sigo aquelas tiradas extremistas: 

- ah, animais são melhores que humanos; 
- ah, quem não gosta de animais não é boa pessoa;
- ah, qualquer dia era melhor ser animal que os animais têm mais sorte;
- ah, coitadinhos dos animais que são tão maltratados.

Há animais com sorte e animais sem sorte, tal como há pessoas com sorte e sem sorte. Há animais melgas e chatos com os quais é impossível compatibilizarmo-nos, tal como há pessoas melgas e chatas com quem não é possível compatibilizarmo-nos. Mas esta introdução toda foi só para chegar ao facto de que se há cães com sorte, o meu júnior é um deles. A completar um ano teve direito a pirotecnias - um foguetinho luminoso que eu não conhecia e achei fabuloso - e a um momento de parabéns conjunto e familiar. Continua a ser o bicho mais tresloucado que conheço; não sabe chegar afavelmente às pessoas e prefere saltar e dar trincas que me fazem perder as forças e perder a capacidade para o instruir; é o primeiro cão que vai solicitamente ser preso quando lhe apontamos a casinha e tem feitio de um dálmata no corpo de um pastor alemão - ou seja, é um pacóvio, nada feroz e que só quer brincadeira. Em suma, não digam à ladroagem por aí que apesar da aparência de monstro, é só um pandinha...

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Dia bomba

Acho que é a melhor definição que posso dar a um dia como hoje.

Tive notícias. Uma delas que eventualmente me levará de volta à capital; outras tantas que pareciam definir a minha situação profissional e logo indefiniam. Vivi pois uma montanha russa de emoções, e à conta de telefonemas e conversas, estou com a bruta e desagradável sensação de que não fiz nada no dia de hoje. Tenho de ir ali ter uma conversa com a agenda, fazer uns "checks" nas tarefas previstas e escrever as não previstas que fiz porque detesto uma sensação de desaproveitamento.

Entretanto já estou mais "calibrada" até porque não foi para isto que me criei. Criei-me para vender lenços e não para chorar a crise. Criei-me para, fiel à minha agenda, ter uma agenda de desempregada-ativa e não para aumentar as horas de sono e ficar no engonhamento tecnológico no computador o dia todo. Criei-me para bater a muitas portas e receber com elas na cara. Fundamentalmente para recebê-las não como pedregulhos que pesam e enterram, mas como pancadinhas nas costas que dizem "Vai mais além, tenta mais, ainda não era esta a tua oportunidade, há melhores oportunidades para ti!". Criei-me para continuar com o sorriso parvo e entusiasmado a toda a hora que me acompanha quando estou a trabalhar e não para me prostrar de olhar bamby e temeroso à frente de cada empregador "Dá cá uma esmolinha". E independentemente daquilo para o que me criei - que isto de me assumir como minha própria cria é já de si muito complexo - sinto-me bem melhor assim...

terça-feira, 17 de setembro de 2013

I was really going to be something...


Dizem que isto é do filme Reality Bites (1994). Eu digo que este é dos sentimentos mais lixados que de vez em quando se assomam de mim. Quer dizer, tenho 25 anos e estou neste momento a viver ao estilo dos 15 anos? Frustra-me às vezes. Frustra-me sobretudo que me faça acompanhar de uma versão velhaca, fracota e débil de mim mesma nos últimos tempos. Mas, a verdade, é que à parte esta versão pesada e chata e reles de mim mesma, que me enerva e nem me apetece contar, empurrei-me para a frente hoje mais do que eu própria quis ir. Isto de ter um coach, em certos casos, resulta mesmo. Ou pelo menos, resulta sempre comigo o facto de não querer desiludir ninguém - se eu não fizesse, o coach ia ficar desiludido. E lá fui eu, com um nózinho no pescoço a dizer-me "Não estou nada in the mood" e outro maior a impedir-me de voltar atrás e a dizer-me "Tem de ser".

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Querido belógue... (XLV)

... arranjei um coach - que não o é, mas em brincadeira assim o designamos - mau comó caraças, que não está para brincadeiras e que revolucionou a minha habitual gestão de tempo. A minha gestão prolongada do tempo defendo eu que serve para fazer coisas de forma meticulosa, magnífica e detalhada. Já ele, enquanto eu sumarizo as tarefas que tenho para fazer, ri malevolamente do tempo que eu digo que preciso para as concretizar e enche-me a agenda para amanhã de coisas que eu distribuiria numa semana.

A verdade é que estou neste momento num dos mais profundos buracos onde já me vi, portanto vou deixar-me levar e ver no que isto dá.

domingo, 15 de setembro de 2013

Lisboa está a dar cabo de mim

Era uma cidade que associava só a coisas boas, mas agora graças a umas coisas que resultaram ao contrário, e que nada têm a ver com a cidade, mas calharam na cidade, estou a ficar completamente virada do avesso. Diz, quem escuta os meus desabafos, que não me reconhece. Estou um caos, portanto, mas daqui a nada tenho de me definir que isto de acordar com os olhos enterrados não é coisa para mim.