De olhos encovados, pijama vestido e o cansaço de quem andou o dia inteiro a puxar pelo corpo hei-de apresentar-me hoje no skype para uma reunião importante. Estou a rezar para que a energia se apodere de mim. E já agora para que não exiba descontraídamente perante gente séria e profissional o traje que envergo. Dado que sou moça distraída e de me esquecer de detalhes estou mesmo a ver a camisa de noite do Mickey que já tenho vestida a ser estrela da situação. De qualquer forma, a verdade é que, pensando bem, o simples facto de poder comparecer nesta reunião de pijama torna a sua existência bem mais suave.
terça-feira, 15 de outubro de 2013
sexta-feira, 11 de outubro de 2013
Dos segredos que não se querem confessar
Ontem deitei-me e dei por mim a pedir com muita força que não voltasse a sonhar contigo. Os sonhos são bons, mas a realidade não te quer.
quinta-feira, 10 de outubro de 2013
Ideias loucas que me passam pela cabeça e que quedarão lá
Enquanto lia os vossos comentários, especialmente aqueles solidários com o estado desta nação, começou instantaneamente a reproduzir-se na minha mente uma batida super-hiper-mega-altamente dos White Stripes "I just don't know what to do with myself". Fui a correr botá-la em reprodução para que este momento de navegação mental tivesse seguimento e, enquanto mirava a bela da Kate Moss no seu rebolation, ocorreu-me que uma manif a sério não seria aquela que envolve confusão e gente aos gritos, era tipo uma flashmob, com coreografia a sugerir desorientação, em trajes pouco dignos, ao som desta música, mas extremamente cívica e organizada. Assim uma demonstração clara do desnorte que para aqui vai. Claro que esta ideia só ocorre na minha cabeça e eu não me apresentaria em público nestes trajes.
quarta-feira, 9 de outubro de 2013
Quero um emprego, como deve ser, aqui, já e agora ou a história que à distância parecia outra
Às vezes na vida o sucesso requer muito trabalho, sempre disse isto, e outras coisas giras como o provérbio ninguém colhe sem semear. Gostava de o apregoar sobretudo a quem não semeava tanto como eu. Mas a verdade é que às vezes o processo de semear é bem mais complexo do que pensamos.
Diria que a escola nos prepara para um sucesso linear - basta seguir uma receita, que com mais ou menos desafio, maior ou menor dificuldade, é mais ou menos sempre igual - basta fazer o que percebemos que o professor quer (tantas vezes mais eficaz do que fazer o que um professor nos diz para fazer, é perceber a moda dele, o tipo de respostas que prefere, que conhecimentos valoriza e colar o melhor possível). Segui muito bem esta receita, ao ponto de me dar largas para neste processo de desejabilidade ainda me conseguir aventurar em divagações criativas. Entre este esforço, método matemático e divagações criativas que me conduziram tantas vezes à excelencia académica, às vezes - percebo agora e confesso - achei que já tinha feito tudo. Um tudo tão grande que achava que eu era muito fixe e que tinha direito de afirmar, de peito cheio, que os jovens de hoje - sendo eu nesta questão uma ave rara - estão acomodados, não têm emprego porque não têm golpe de aza, estão habituados ao confortozinho, não querem esforço, iniciativa, rasgo!
Eu tive todo e tudo. Até a linearidade ser desmontada. E eu perceber, através da experiência, que sem linearidade é um valente desconfortozinho. E perceber também que ser do norte e arranjar emprego no sul seria linear, isso não é um daqueles pomposos sair da zona de conforto. Seria fácil. No meio do difícil de hoje isso seria só muito fácil. Sair da zona de conforto é não saber que raio fazer para chegar a algum lado.
Ninguém compra o meu curso superior, o currículo giro que tenho, ou os resultados académicos brilhantes que o acompanham. Ninguém precisa de mim. Pior, mesmo que precise, ninguém tem dinheiro para me contratar. Tenho a alma e os sonhos um bocadinho rasgados. A vida não é linear como eu a pensei - mesmo quando insistia que era um enigma indecifrável que eu decifrava! - e às vezes não tenho a certeza se tenho habilidade para as curvas... Curvas cujo método não consegui aprender em longos anos de formação. Curvas que ao longe pareciam mais um carreirinho que ia percorrer com uma perna às costas. Curvas que ao perto são um caminho sem fim.
terça-feira, 8 de outubro de 2013
Shame on my movie and bucket lists
A minha movie list é, neste momento, tão vergonhosa quanto a quantidade de filmes que tenho visto. Nem me lembrava que a tinha criado com um fim pretensamente útil se não tivesse ontem esbarrado com a sua existência. Estava num estado de existir ali como se não existisse. Adicionei os filmes que me consegui lembrar que vi entretanto.
Por outro lado ver a Bucket List fez assomar-se de mim uma auto-agressividade "Ó minha parva, então aqui o trabalho todo feito e tu não te agarras a isto como se de mandamentos vitais se tratassem?". Mas depois a doce parva que há em mim defendeu que até fui fazendo outras coisas da lista, como andar de cavalo (mas não conta, porque foram só 2 minutos) e que o primeiro grande concerto está aí à porta. Também, fundamentalmente descobri que fui fazendo outras coisas (como o campismo selvagem no Verão) que não se encontram em listas, mas que foram surpresas muito felizes. E de facto, a verdade é que talvez a felicidade melhor não se escreva, porque não se pode prever como se de uma receita se tratasse, ou de uma teoria magnificamente formulada com aplicabilidade prática. A felicidade melhor talvez não se planeie, mas como gosto de escrever sobre coisas felizes, é bom que se descreva a posteriori!
Coisas ridículas que me cruzam os pensamentos
É inevitável não ouvir esta música e não me imaginar - ali no plano dos pensamentos delirantes que embalam sonos e sonhos - a rodopiar lentamente num olhar bamby-sexy na direção do ente desejado. É inevitável não imaginar a expressão mais ingénua-lasciva ali nos primeiros momentos da música, de quem sabe, mas na altura nem pensa nisso, que uma língua de fora à Miley Syrus nunca conseguiria ser sedutora. Porque não é o que se é. E o que se é, é o nosso melhor. Inevitável não imaginar os ombros a irem para trás subtilmente e dengosamente acompanhando o movimento das ancas que empurram as pernas em frente. Inevitável não imaginar um pescoço sobre o qual derreter ao ritmo da música e um sorriso incontrolável de quem não ri, mas tem o riso guardado lá dentro, sempre, pela sorte da conquista que se teve.
Girl, wake up... Nem um at the beginning parece ser o tal, quanto mais um at last...
segunda-feira, 7 de outubro de 2013
A aldeia que existe em Lisboa
Sou uma miúda do campo.
Uma miúda do campo muito mal caraterizada, cuja melhor imagem ficou eternizada na câmara de filmar que o meu bisavô não tinha, mas desejou ter, nos Verões em que ia para o campo dele fazer que lavrava.
Sou uma miúda do campo.
Uma miúda do campo que há-de sempre preferir a pitoresca Montmatre aos Champs Elysees.
Sou uma miúda do campo.
Uma miúda do campo que está em Lisboa de sobrolho franzido à velocidade com que as pessoas circulam.
Sou uma miúda do campo.
Uma miúda do campo que se delicia quando descobre que dentro de Lisboa ainda existem pequenas aldeias, eternizadas nos bairros mais típicos, onde as casas se estendem para a rua e as pessoas páram a conversar na mesma - em dias de sorte até a assar umas sardinhas em comunidade! - e onde há donos de cafés que se cumprimentam pelo nome próprio, da rua, por miúdos e graúdos, quando a caminho da escola ou do trabalho.
Sou uma miúda do campo.
Uma miúda do campo que parece da cidade e que às vezes, só às vezes, pensa, Lisboa também poderia ser minha.
domingo, 6 de outubro de 2013
X-factoring II
Cute-cute-cute! Está devia ter levado o filho para o palco com ela, ganhava logo vantagem dupla.
X-factoring
Aquando da prestação da primeira candidata a sério no Factor-X.
Mãe (rija e durona): Porque é que aquela palerma está a chorar? (referindo-se à Sónia, jurada)
[Mary Jane verte duas lágrimas silenciosas e reza para não ser detectada]
Instrução de vida 12 (207)
207. Set short-term and long-term goals
Estava com saudades de ir aleatoriamente buscar um número ao meu livrinho de ensinamentos de vida e hoje a ruleta russa atirou-me precisamente com uma coisa que tem mexido comigo.
Há uma coisa que me enerva muito na maior parte das palestras motivacionais ou discursos inspiradores com os quais até gosto bastante de me entreter associados ao Ted ou ao Ignite que é a parte em que algures no meio de todo um embalo "you can do it" aparece um alvozinho associado às palavras "defina objetivos" como se isso, tão só, fosse simultaneamente a causa e a solução de todos os problemas! E isto enerva-me e é idiota porque acho que sim, está bem, definir objetivos é importante, mas o mais difícil não é definir objetivos, é agarrarmo-nos ao raio da rotina e ao trabalho que nos vai permitir chegar lá e disso - das coisas práticas que é bom e que se quer! - ninguém fala nessas palestras motivacionais. Talvez porque não se possa explicar com palavras coquetes... Nisto, de cada vez que um discurso que até ia bem embalado esbarra ali no raio do alvo, que reflete um conjunto de chavões comuns que não são mais do que balelas repetidas de maneira diferente, apetece-me estrafegar a pessoa, mesmo assim à distância e por telepatia, e perguntar-lhe se por acaso é só a fazer pontaria que se atingem objetivos.
Acessos de dona de casa exemplar
Tive um ontem e à custa disso enfiei-me no frigorífico e depois de 5 segundos em contemplação era ver os meus braços imparaveis em experimentação rítmica de técnicas de organização diversas. Em meia hora tinha uma prateleira livre e diversos produtos dentro de um saco para o lixo.
sábado, 5 de outubro de 2013
Afinal não é um deus...
O momento em que percebemos que o nosso deus Grego vai deixar até essa platónica e longínqua condição é aquele em que subitamente parece que o mundo pára, que a magia sobre a qual ele parecia viver em suspenso desaba, e ele vira de uma entidade extra-terrena, carregada de peso e densidade, uma realidade distante e romanticamente imperturbável. Em termos mais simples é o momento em que cai a ficha e se percebe - ele já está noutro filme - sem que exista um qualquer discurso direto ou diálogo para sondar esse facto.
Estranho é perceber quão súbito, seco e cortante pode ser este momento. Não é sucedido por um crescendo de tensão a subir pela garganta fora; não é acompanhado de olhos subitamente humedecidos e brilhantes... Cai seco quando tudo antes era revestido de um manto de invisibilidade profundo e pesado... E cai num momento pleno de densidade como aquele em que ele narra com o corpo ,embalando a figura esbelta que o compõe e os gestos que fazem dele a criatura mais etérea que já se viu - e que me recordavam vividamente porque é que o endeusei -, um dos momentos mais marcantes da sua vida. Se estava de boca aberta devo tê-la fechado quando ouvi, com uma imensa candura na voz e um olhar de anjo caído, "(...) na primeira vez que dava banho à minha filha"- zás-trás, continuando sentada, desci num segundo à cave de um apartamento de 10 andares estando eu no 10º. Instituiu-se em mim o bloqueio imediato que inibe qualquer entusiasmo sentimental e a formulação de planos romantico-delirantes nas horas vagas quando sei uma pessoa numa relação. Caiu. E caiu seco, porque seca e vazia era a história que havia. Mas era giro este andar sobre as nuvens... Já ele passou a ser alguém humano e entregue pelo que imune aos meus olhares caçadores de contos inenarráveis. Em compensação, se a aura o largou ganhou em densidade psicológica e em interesse pessoal, tornando-se alguém de quem eu não apenas recebo instruções mas com quem troco algumas ideias e perspetivas.
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