quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Tens namorado???

Foi isto que alguém com quase 1 metro a menos do que eu perguntou. Eu, em tom resoluto, natural e sério apontei:

- Tenho 10 namorados.
- Iaaaa! - expressão reflexiva de quem chegou à conclusão que não encaixa nas contas.

Numa idade em que a poligamia é permitida e em que a partilha não é nada de ultrajante, é até bastante divertida, esta foi a resposta mais imediata que me ocorreu e provavelmente a melhor.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Porquê poster?

Aqui me apresento outra vez. Estive a fazer um estudo fenomenológico e cheguei à conclusão que o que me fez iniciar o dia tão bem, foi tão simplesmente uma sensação maravilhosa no pré-sono de que eu e a minha cama fomos feitas uma para a outra - estava no sítio mais confortável do mundo, estava tão bem... E adormeci cheia de paz e sem pensar em nada. Durante o dia acompanhou-me, pois o humor arejado de que já ouviram falar.

Agora à noite tudo está bem diferente. Esta chiadeira que me vai na garganta - que nem é dor, nem é nada, mas é coisa que me incomoda - como se uns ferrinhos cortantes de vez em quando estivessem ali a rasgar apagou-se ontem à noite e voltou. E acho que é tudo culpa de um poster. Culpa de um poster onde vi escarrapachados dois nomes que gostaria que fossem o meu. As pessoas que estavam no poster não têm culpa e até lhes desejo muito sucesso, mas fico frustradíssima e a pensar "Como é que eu não cheguei lá?"; "Como é que não estou a chegar a outros destinos semelhantes?"-

Mexem-se bem. Há quem diga. Eu acho que sou uma tança. Perante este cenário podeis inferir que o maravilhoso sentimento de "agora" (não há antes nem depois) foi-se, para que eu ficasse a pensar no que aconteceu antes para aqueles dois nomes estarem naquele post e no que é que eu deveria fazer depois. Se isto me fizesse chegar a algum lado, mesmo que não fosse uma solução efetiva, como na altura em que eu gostava de pegar nos dados e constantemente inverter o jogo, era bom. Mas contribui apenas para um ligeiro sentimento chiado - que está lá dentro e pouco se manifesta -, mas que se se revelasse cá fora corresponderia à imagem de alguém de cotovelos sobre a mesa e cabeça enterrada nos braços.

Dias de humor arejado

Eu que para cá venho ranhosar frequentemente sobre os dias de humor de cadela, hoje tenho a anunciar que, sem que nada o fizesse prever, um humor fantástico, arejado, de satisfação plena está a tomar conta de mim. Parece que aterrei na terra neste preciso momento e que não há nada antes de mim. O que vem depois não interessa nada. Estou no agora, um agora tão radioso. Tudo está igual a ontem, mas hoje há um belo dia dentro de mim. E gosto tanto.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Há dias em que me apetece ser só humana

Vivo muitos dias da minha vida a fazer-me extra-humana. Para mim é só ser humana, na condição comum que isso implica. Mas chego à conclusão que são poucos os que se implicam como eu. Implico-me por gosto é certo. E estou nas coisas porque quero, podendo sair a qualquer momento, mais certo é. Mas diria também que também estou em tudo o que faço porque preciso. Preciso de sentir que não estou a acontecer nesta vida, mas que estou a fazer a vida acontecer em mim. Preciso de sentir que estou cá a ser uma versão maior de mim, e não uma versão trial do que poderia ser. Preciso de sentir que não estou cá para passar e apagar, mas para deixar alguma coisa naqueles que me rodeiam -e se em algum momento ou circunstância estou capaz disto não tenho porque não fazer. Sim, ninguém foi tão exigente comigo quanto eu sou para mim própria.

Assim, como sabem, sou pois uma mulher de causas e projetos. Mas essas causas e projetos são tantas vezes extra-horário e inteiramente voluntárias.  Não apetece todos os dias e há dias em que custa. Hoje, por exemplo, cheguei há 30 minutos a casa e tenho chamada marcada para as 9 da noite, sem perspetiva de quando estarei liberta. Apenas a certeza de que amanhã às 9 da manhã estou no ativo outra vez. E apetece ser só humana. Dizer que estou com dores de ouvidos e garganta, que é verdade, e ficar à beira da lareira a aquecer as mãos. Mas, quando estiver lá sentada, sei que vou sair com a certeza de que valeu a pena. E se não valer, tenho a minha mãe a fazer-me o jantar na cozinha. Uma coisa tão simples, mas por mais um trabalho que me retira, parece de anjo caído do céu.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

He likes you back

I like your dress.

He likes you back.

O anúncio da Dolce & Gabbanna (aqui linkado numa versão mais longa do que a que passa na tv) ganhou-me aqui.  Só aqui porque comecei, naqueles momentos tipicamente femininos, por duvidar e torcer o nariz perante a combinação Scarlett-McConaughey o que me obnubilou um pouco a capacidade de apreciar devidamente a beleza das imagens. Acho-o um pouco agudo e com um eterno ar de puto. E ela tem feições mais redondas, de senhora madura. Mas depois acontece aquele breve diálogo, magnificamente jogado, magnificamente desafiante que fez com que me deixasse de filmes e ficasse rendida.

É realizado por Scorsese e eu cá adoro o ar clássico e rústico de todo o anúncio. E a forma como parece claro que o the one às vezes não nasce de uma só pessoa, mas da combinação, do jogo melhor que individualmente não tinham, mas que entre elas se cria. Claro que o carro desportivo, o vestido dela e o homem que a conduz seriam coisas que estava disposta a importar já para cá.


domingo, 24 de novembro de 2013

X-factoring VI

O senhor José Freitas domina o microfone, domina a câmara e se calhar, por infortúnios da vida, passou a vida inteira a cantar em casamentos e em festas populares. Sem dúvida que merece melhor sorte e o top5. Mas não cabe no meu canal, nem de visual, nem de estilo musical, nem de tiques coreográficos.

X-factoring V

Marisa, queridinha, eu que pouco percebo e não questiono a qualidade musical deixo uma nota para o futuro em termos de coerência visual: cantar o fado em visual clássico e nails à pop-star não combina. Até sou muito aberta, e gosto da ideia de arriscar um visual adaptado à idade, mas ficar ali num 8 ou 80 desencontrado é que dá cabo do sistema.

Escolha a melhor opção

A - Entrar no carro durante a semana, ligar o rádio, e ter a Britney a ordenar numa linguagem muito pouco polida "You better work bitch";

B - Acordar de manhã (de tarde) a um domingo, depois de uma noitada, e o player mental estar a disparar um "I'm friends with the monster inside of my head" com uma ligeira alteração à versão lírica original cujo monstro está, na realidade, debaixo da cama.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Sometimes I just miss someone to talk to about nothing at all

Há duas noites que demoro mais do que devia a adormecer. Nestas horas sinto particular falta de alguém com quem falar. E há muitas pessoas na minha vida. Pessoas que, tenho a certeza, não se importavam que eu ligasse, fosse a que horas fosse. Mas sinto falta de conversa melada. E essa não se tem com toda a gente. Sinto falta daquela conversa embalada em abraços que precedem o sono. Sinto falta daquela conversa delirante que só se tem quando se fazem planos ainda mais delirantes a dois. Daquela conversa que só acontece quando se tem a certeza que o mundo, pelo menos aquele que nos interessa, começa e acaba ali.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

E galgam seres alados as escadas da assembleia

No filme "O sexto sentido" quando nos eriçamos todos, de uma forma que não é de frio, é sinal de que um ser do outro mundo está a passar por nós. Hoje, ainda há pouco, ericei-me toda quando vi as forças de segurança escadas da Assembleia acima. Não são anjos, nem entidades extraterrenas, mas são de outro mundo. São de outro mundo que não aquele de serem o centro de reivindicações e protestos. Normalmente estão do lado de lá da barreira e vê-los assim a subir, a avançar o que outros não avançaram, é já de si, um fenómeno sobrenatural que acaba por me transportar para outros episódios da nossa história. Nestes momentos tenho a certeza: estes homens têm com eles um poder que ninguém sonha.

Por outro lado ver os jornalistas, empolgados como se estivessem no meio de um tiroteio no Irão a provar que são fortes e valentes e correm riscos e caminham no meio da tempestade, a falar das forças de segurança, em serviço, quando os afastam, como aqueles que "não conseguiram fazer o seu trabalho e não nos deixam fazer o nosso" quebrou todo o poder de elevação extraterrena que esta cena estava a ter em mim.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Tão alto, com óculos tão redondos...

Hoje estive a falar com um senhor muito alto, com uns óculos muito redondos, uma barba muito branca e um discurso complexo, elaborado e eloquente. Falava muito. Daquele falar que às vezes nos faz olhar de relance para o lado para averiguar se há alguém por perto para nos salvar. Mas isso nem foi o mais peculiar. O mais peculiar, e mesmo desconfortável, foi que o senhor não tinha qualquer noção de espaço pessoal na comunicação. Vive provavelmente mais numa lógica "o ar é de todos" e o espaço é nosso para ser partilhado e sentido ao milímetro. O senhor, tão alto, curvava a cabeça até mim e falava numa voz gutural. Chegava perto - um perto que eu sentia que era em cima de mim - eu afastava, chegava perto, eu afastava, até que devagarinho me vi encurralada entre a parede e uma mesa. Era claramente um estilo comunicacional, sem qualquer segunda intenção, mas nunca me senti tão invadida na vida. À parte disso, era um bom comunicador. No estilo unidirecional. Sempre que eu tentava falar ele falava por cima, mas nos poucos momentos em que o nosso discurso se cruzou percebi que era um senhor capaz de refletir e alinhar perfeitamente com os meus pensamentos. Foi desagradável e agradável ao mesmo tempo.