Já sabia que apaixonadas as pessoas ficavam um bocado tansas, descontroladas e desnorteadas, com momentos em que se deslocam da razão. Sabia até que na magnificente intenção de revelarem o melhor de si, não sabem fazer outra coisa se não parecer rídiculas criaturas a pensar em coisas em que nunca pensaram antes (como a posição em que têm as mãos) e depois sai só tudo estranho e artificial, quando só queríamos ser brutais e originais. Hoje percebi que é problema dos seres vivos em geral.
O Gru tinha um pássaro que cantava como nunca vi tal! Às tantas dava ares de rouxinol e tudo tais eram as variações sonoras que emitia. Entretanto, tão bom era o indivíduo que achamos boa ideia o tipo acoplar-se a uma fêmea a ver se a espécie se multiplicava. Hoje o Gru mandou devolver a pássara: em vez de exponenciar a sua mais forte qualidade para seduzir a fêmea, o tipo fechou o bico. Completamente. Nem piar, nem cantar, nem nada. Virou um pássaro tansamente silencioso provavelmente perdido em cogitações sobre como abrir o bico sem parecer ridículo.