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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

A paixão é um sentimento desgraçado.

A paixão é um sentimento desgraçado e desgastante que tira a fome, a sede, cenas, e, mais importante, tira a racionalidade e uma pessoa sente-se por súbitos momentos a embrutecer, mas até parece que quer. Não sei, portanto, porque todos desejamos tanto este sentimento.

Tão depressa uma pessoa anda a pular nos alpes verdejantes e a cantar o ó-la-ré-i-u como está em tensão mórbida na dúvida se a outra pessoa gosta tanto como nós, quer saber tanto como nós, pensa tanto como nós, mesmo que nós próprios não saibamos exactamente onde estamos e se queremos. E não é um pensar suave, é um pensar que deixa ali os sentimentos encravados no pescoço. Por causa de uma mensagem que não chega. Por causa de uma mensagem que chega e uma pessoa está ali segundos que parece que viram horas a desejar que seja daquele remetente e que não é e ai-caraças-que-não-é-ninguém-afinal-é-só-mesmo-o-alarme-do-telemóvel. Por causa de uma pessoa que não se vê e cujo paradeiro vira o maior mistério do universo. Por causa de uma entidade que por não nos falar durante duas horas já parece que se esqueceu eternamente de nós (falo-não.falo-falo-oh.evidentemente.que.não.falo-falo-não.controlo.me.muito.bem.e.não.falo-falo-ó-já-falei-possa-nem-sei-porque-estou-a-fazer-tanta-ginástica-mental). Mais do que tudo pelo esforço de sentir tudo isto e fingir que está tudo bem e que nada se passa quando bem por dentro o mundo é e deixa de ser um espectáculo por vezes numa questão de segundos.

Fundamentalmente a paixão é um sentimento desgraçado porque é aquela coisa sem destino, que tantas vezes se explora até ao tutano ou até não haver mais lenha por onde arder. Pior é precisamente quando somos a lenha a desaparecer devagarinho e não somos o fogo inebriante a aquecer o outro.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

O homem que parece que está interessado versus aquele que realmente está

Parece fácil de detectar, mas às vezes não é. Porque um homem que parece que quer saber pode ligar-nos 10 vezes ao dia e enviar 100 SMS... Isto é o tipo de coisa que só um homem totalmente colado, vidrado (irritantemente interessado, até) faria, certo? Errado. Geralmente faz isto, até logo numa fase inicial, o que parece que está interessado, mas está é verdadeiramente curioso relativamente à cor das nossas cuecas, pelo que convém abreviar a coisa.
O que está verdadeiramente interessado vai contar os minutos entre as SMS que envia (por muito que quisesse enviá-las seguidas!), num esforço de auto-controlo.

O que parece que está interessado vai descrever muitas vezes quão bom é e falar dos inúmeros talentos que tem. Não perguntará nada sobre a fêmea para além de questões rudimentares e básicas (e.g., Dormiste bem?) ou para além daquelas que servem para engrandecer o próprio ego que afinal parece não ter bases para se segurar sozinho ("Qual foi a primeira coisa que reparaste em mim?; O que é que achas que tenho de melhor?"). É o tipo de pessoa que intencionalmente, ou simplesmente por imaturidade, não quer ter uma relação com outra pessoa: quer ter uma relação consigo própria, só que ainda não descobriu e pensa que quer muito amor. A menina estará lá apenas para idolatrar. 
O que realmente está interessado mesmo que fale dele - até porque a bem dizer, na conquista acaba por se estar a vender um produto e há que o apresentar atractivo - também vai querer saber de nós, incessantemente de nós, detalhadamente de nós, genuínamente de nós. E não vai ser apenas com base nas perguntas que colocam que vamos notar este interesse (até porque em série matariam qualquer uma), mas no ar embevecido da escuta. 

O que parece que está interessado tem revelações pseudo-afectivas rápidas. Será célere a fazer crer que a mulher-alvo ilumina a existência dele, que o deixa mais empolgado, com saudades e ansiosamente à espera do próximo contacto. Vai apontar inclusivé entusiasmado que acha que aquilo é "qualquer coisa". Vai ser proficiente também a "inventar" nicknames amorosos. Geralmente, "inventa" os mais pirosos e populares da história - "coração", "princesa" e similares.
O que está realmente interessado vai gaguejar da primeira vez que tentar chamar à mulher que lhe dá a volta aos sentidos qualquer outra coisa que não o nome próprio ou vai trocar as palavras todas de sítio da primeira vez que quiser fazer uma declaração mais séria.

Machos por aí, desculpem lá revelar os vossos segredos, mas tudo é feito em prol da qualidade - há que saber reconhecer os bons. E eu tenho a certeza que os bons ainda andam por aí.


quinta-feira, 18 de outubro de 2012

A ti que um dia sei que vais estar na minha vida ou música do momento #18

Quero que me dês a mão. Quero que me vás buscar para almoçar porque te apeteceu. Quero ir a Cuba e dançar todas as noites - ou pelo menos até que a minha ideia da noite cubana dos filmes se desfaça. Quero ter pequenos almoços na cama. Quero ter momentos em que me apetece bater-te. Quero ter momentos em que não me apetece terminar um abraço. Quero fazer planos para o futuro e quero escrever em papel improvisado no momento - papel de cozinha, um lenço de papel, sei lá - listas de nomes para crianças. Quero saltar em histeria infantil quando nos separarmos depois do primeiro beijo. Quero casar, com um vestido de noiva a sério e quero que o casamento fale de nós e de toda a nossa história - esse será o tema, se não me fizeres mudar de ideias. Quero dormir abraçada a ti apesar de ser a pessoa mais individualista que conheço no sono. Quero que me dês um beijo suave... Que suave? Quero um beijo daqueles que arrancam a alma e que deixam uma pessoa sem saber bem se respira ou se já deambula noutra dimensão. Quero um beijo daqueles que pedem corpo e o corpo cabe todo lá dentro. Quero mais que o beijo. Quero ficar marcada na tua pele. Quero que me pegues ao colo sem eu contar e que me vires ao contrário. Quero dormir com muitos cobertores na cama mesmo que esteja muito calor. Quero mexer-te no cabelo enquanto conduzes. Quero que perdoes as minhas birras, mas que não as toleres. Quero discutir e fazer pazes. Quero bloquear-te o acesso para a saída de casa porque te quero... e quero e quero!

Não quero que me faças feliz. Quero continuar a ser feliz contigo. E se nada disto fizer sentido quando te encontrar, não faz mal, é porque tu farás muito mais.

E agora um tune extremamente adolescente, mas sweet as hell:

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Porque eu insisto que o amor é para durar para sempre

Já não escrevo hoje com a mesma fúria com que li este artigo, com uma ânsia insuperável de provar que tudo é mentira, que o amor para sempre, ao contrário do que escreveu a Margarida Rebelo Pinto numa das suas crónicas, existe para além da Julieta e Romeu e dos filmes. Apesar de ninguém, até hoje, me ter provado que dura para sempre. Vi muitas pessoas importantes ir embora quando não contava que fossem. Eu própria já fui embora e desiludi outras pessoas, eu sei. Mas só o facto de ter vivido estas perdas e continuar a acreditar quer dizer alguma coisa, penso.

Acredito no amor para sempre como algo que é mais do que simplesmente "aguentar", mas que também o é."As histórias de amor que duram são aquelas em que ambas as partes têm suficiente resistência e espírito de missão para aguentar."Aguentar que ele naquela semana não esteja tão atento e carinhoso porque sei que na próxima vai estar; aguentar que quando estou doente fique absolutamente insuportável e a achar que não há ninguém na terra que sofra tanto como eu; aguentar a sensação de não me sentir todos os dias profundamente apaixonada. Por algum motivo tenho um título rascunhado a dizer "Mais do que as qualidades contam os defeitos". Em tudo há frustrações, há desilusões, há coisas que correm menos bem, mas se o que corre melhor for mais forte e especialmente se a vontade das duas pessoas ficarem juntas for mais forte, não se trata do aguentar dramático de que a Margarida falava, trata-se de relevar. E, como ela tão bem acaba por escrever "Do encantamento à decepção há um terceiro caminho que nem todos conseguem percepcionar, o caminho da aceitação.". Claro que há coisas que não se conseguem aceitar porque o outro nunca muda ou como a MRP escreveu só muda com a mulher seguinte. Certamente eu própria hei-de mudar com o homem seguinte. Corrigir erros que só quando a última relação acabou percebi que eram erros. E claro que uma relação dá muito trabalho e acho que é esse o problema. Não temos tolerância nenhuma à frustração porque crescemos na abundância, na satisfação de vontades e caprichos. A sociedade que conheço, mesmo em tempos de crise, é hedonista, é pelo prazer imediato - queremos e temos o que nos sabe bem; quando cansa, quando farta é passar para o próximo. 

Não significa que as relações não acabem, que algumas acabam e pronto sem que tenha acabado o mundo, mas eu cá acredito que lá por não ter dado certo uma vez mesmo sabendo eu isto tudo, haverá certamente mais e que não tem que terminar tudo num "amor cansado, moribundo, desfeito, esmagado".

Acredito na minha capacidade para aguentar, para cuidar, para ficar, para gostar, para sentir, para acolher, para ser fiel, para querer ser cada dia mais e sei que uma frase destas I'm just a girl standing in front of a boy asking him to love her não acontece só nos filmes. Dizia a Margarida que no filme ele correu atrás dela e que na vida real ele teria encolhido os ombros e seguido para a miúda seguinte. Tudo bem. Eu já tive quem corresse atrás e quem depois me encolhesse os ombros, portanto quando na vida real se vai para a miúda seguinte essa até pode ser a certa. E com a certa talvez se volte a correr...

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

"Elas não gostam dos bonzinhos"

Está bem que pode parecer que nos deixamos facilmente iludir pelos homens da gama el sedutor, mauzinhos. Mas dizer que os maus homens é que levam as boas mulheres é treta. É não saber o que é que significa propriamente este bonzinho ou mauzinho. É certo que para quem gosta de desafios um homem que parece que dá e tira - o dom máximo dos el sedutor - é um perigo.  Têm aquele jogo de cintura.  Não são gratuitos. Exigem esforço. Mas, atenção, gosta-se dos el sedutor sofisticados! Os básicos cheiram-se à distância. Ninguém fica para a vida com alguém cuja primeira abordagem parece caída do andaime. Mais grave, ninguém fica encantado, a longo prazo, por quem nos trata mal constantemente. Não se gosta dos tipos puramente maus que dão respostas tortas, que nunca atendem chamadas, que saem com múltiplas pessoas, que nos fazem sentir uma 2ª ou 3ª opção. Mas um tipo bonzinho afinal é o quê? Um tipo que faz tudo o que queremos? Que entrega flores e chocolates e por isso tem na testa um autocolante "obrigação de gostar"? Se fosse assim e se bastasse ser bonzinho ou boazinha para que o je ne sais quoi acontecesse não existiria amor mas um "emparceiramento técnico-conveniente". Eu cá confesso  que talvez comecemos por gostar de quem nos pega sempre ao colo, mas à medida que crescemos passamos a gostar não dos maus, mas dos mauzinhos que afinal são os bons: de quem nos vai fazer esticar-nos e chegar lá sozinhas. Porque acredita em nós e não nos vai deixar continuar a não acreditar. A usar boínhas e sem elas afogar quando até tínhamos toda a competência para nadar. Vai deixar cair, ferir, cicatrizar e levantar.

Só me leva para casa, aquela casa onde estarão os trapinhos dos dois, um bom. Alguém seguro. E um bonzinho não será necessariamente alguém que me diga "amo-te" todos os dias, porque deixa de ser um sentimento e passa a ser uma obrigação, uma palavra protocolar. Um bonzinho será aquele que na maior parte das vezes me faça sentir gostada, apreciada e valorizada. Na maior parte das vezes. Porque ninguém tem obrigação de acertar sempre. O "Elas não gostam dos bonzinhos" é um discurso que me chateia. Elas não gostam é dos desinteressantes.

domingo, 16 de setembro de 2012

Ocupa-me

Há fases em que não queremos ter um relacionamento. Queremos, ainda que sem o saber imediatamente, alguém que nos ocupe. Alguém que faça aquelas coisas que davam muito jeito. Alguém que vá ao cinema connosco. Alguém a quem contar todos os segredos. Alguém a quem voltar a qualquer momento. Alguém que nos pode ajudar a inserir questionários no SPSS. Alguém por quem apetece aprender a fazer coisas novas, como uma sobremesa. Alguém que vá almoçar connosco quando não temos mais ninguém com quem ir. Alguém que vá para os gabinetes de prova carregado com as roupas que queremos experimentar e que traga secretamente uma outra peça, só porque apetece ver-nos com ela. Alguém em cujo colo podemos deitar sempre que nos apeteça. Alguém que tenha uma espécie de sociedade secreta connosco conjecturada num "nós" que é uma entidade super-poderosa e super-potente e que está para qualquer circunstância. Alguém que nos dê mimo, porque afinal não dá só jeito, também dá vida. Alguém que nos dê beijos e que nos liberte todas as necessidades libidinosas. Alguém que nos tire de casa quando é o último sítio onde  queríamos estar. Alguém que diga que nunca nos vai deixar nem que morra tudo e caia tudo e que, portanto, nos faça acreditar mesmo nisso. Sobretudo alguém que, por favor, nos faça acreditar que sim é possível voltar a ter alguém. Alguém. Que alguém nos ocupe, é urgente! Não queremos amar, nem que nos amem. Mas pensamos que sim e que não tarda nada estão os passarinhos todos a cantar.

Um apontamento: sim, é possível quase tudo isto existir quando não queremos apenas que nos ocupem. A diferença quando queremos que nos ocupem é que um dia percebemos que embora existam coisas que se podem fazer sempre com a mesma receita e que não assumem grandes variações (e portanto tentamos repeti-la incessantemente porque tem que funcionar!), conforme as mãos pelas quais é talhada a coisa sai de forma diferente! Aí percebemos também que é simplesmente impossível fazer com que as coisas aconteçam só porque se quer. Só porque até existiam ali umas mãos com muito boa intenção. Se eu queria ter um namorado mal me vi desnamorada? Quis muito. Se eu podia ter um namorado? Não. Não podia porque não havia espaço. Eu achava que não tinha problemas de espaço, tinha problemas de tempo, e já tive muita pressa porque só vivemos uma vez. 

Agora?


Aquele amigo - que me conhece desde os 15 anos e que me trata sempre por "pequena" ou "princesa", a seguir ri envergonhado, pede desculpa e diz não conseguir evitar - fez, esta semana, um breve debriefing acerca do meu estado civil:

Mas quê, tens falado com rapazes, deixado que eles se aproximem?

Eu respondi:

M., não é que eu não tenha muita vontade, mas mais do que isso eu sei o que quero. Não tenho pressa...

Ele parou a ollhar para mim durante uns tempos, sorriu, de um sorriso nem mole, nem jogador, o sorriso firme de quem sabe bem quem viu e de certa forma se apazigua por continuar a ver a mesma pessoa. A seguir dirigiu o olhar para o resto da mesa.

domingo, 13 de maio de 2012

Amor e três ingredientes: tempo, paciência e coragem

Deambulando por entre as minhas teorias sobre o amor uma das conclusões que tenho tirado é que há mais três ingredientes fundamentais na misteriosa equação do amor e da vida a dois. Tempo, paciência e coragem. Tempo e paciência são precisos para construir o amor que não nasce feito. O amor que existe para lá do ritmo dos impulsos biológicos. Por isso quando dizem "Ai, já não é o que era", a única coisa que eu sei é que certamente não é, porque é muito mais, para o bem ou para o mal, as coisas evoluem, crescem, mudam... Ninguém conhece outro alguém num mês. Ninguém se molda de uma forma que parte de si parece estar alojada noutro alguém em meio ano. E tudo isto são contas relativas... O que eu sei é que é preciso muita convivência - com todas as ilusões e desilusões - para que as pessoas sejam cada vez mais uma com a outra no dia a dia, em sonhos e projectos, em pequenas decisões (ir ao cinema ou ao teatro?). Essa é que é essa.

Eu cá sei que estou numa fase da minha vida particularmente instável - às vezes tenho pouco tempo e paciência. Às vezes dou por mim a querer amor ao estilo fast food: um amor já feito, sem decisões, sem discussões, sem complicações, sem obstáculos. Um amor que me dissesse num inglês trágico e fatalista, there you have it. Como quem diz, o que sempre sonhaste é possível. Ou, there you have it, é possível ultrapassar o que já tiveste! Quase como se só o que for melhor, assim logo à partida,  valesse a pena e fosse a confirmação de que o amor existe. E o pior é que avalio este melhor nos termos de uma matemática ilógica que nunca há-de dar conta certa: quase como se achasse que serão precisos os 7 anos que já tive para chegar onde estava.  É preciso tempo para deixar de encarar o amor como uma competição. É preciso tempo para deixar de querer prestar contas com o passado e enfrentar um amor a limpo, como deve ser.

E isto tudo lembra-me que é preciso também um bocadinho de coragem para amar depois do amor. Para achar que aquele que considerávamos o amor de uma vida era só um amor na vida. É preciso coragem para assumir que mesmo que a morte faça eventualmente parte do trajecto de um caminho que se via eterno, continua a valer a pena enfrentar o risco de morrer todos os dias, de perder parte de nós no outro, de dar corpo e alma e sabe-se lá mais o quê, mesmo que um dia esse corpo e alma fiquem desalojados. Afinal, não é por saber que um dia também eu irei acabar, que não me apetece viver. É preciso coragem para dizer ao coração que ele não falhou e que não foi abandonado... É preciso coragem para dizer ao coração que não faz mal tentar mais que uma vez e que não, para saber que está certo, também não tem de vir tudo de uma vez.


quinta-feira, 26 de abril de 2012

Eu tinha uma teoria sobre o amor...

Estava a fazer uma limpeza nos rascunhos... A passear pelos posts que ficaram por publicar, nos que ficaram por acabar, nos que apenas título tinham e ficaram por escrever. Um deles era este. Este iniciado e terminado. Acho que nunca o publiquei porque não tinha distanciamento suficiente. Hoje olhei para ele de uma forma completamente apaziguada, serena e achei que podia dar-lhe vida.

Eu tinha uma teoria sobre o amor, que fazia todo o sentido contigo.


E hoje, por muito que já não estejas aqui, não quero palavras amargas, nem assumir que estava errada.


Prefiro pensar nas mãos dadas...
Prefiro pensar nos dias em que vivi o futuro, e em que perguntava o que é que os nossos filhos teriam de herdar de mim e de ti (os olhos, indiscutivelmente, os olhos!).
Prefiro pensar em todas as vezes que dançámos juntos e na certeza que tínhamos de que por mais gente que estivesse à volta, aquele momento era vivido só por nós. Aquele nós sagrado, secreto, que não precisava de se ver para sentirmos que era uma identidade física distinta.
Prefiro pensar naquela mão dada, firme, como quem dá uma certeza a carregar para a vida "Vai correr tudo bem..."


E prefiro porque isto lembra-me que tive o privilégio de te ter, tive o privilégio de ser contigo e tive o privilégio de nos ser. 


O teu sapatinho pode já não encaixar no meu pé, mas fui Cinderela.


terça-feira, 24 de abril de 2012

Afinal decidi que as relações são difíceis...


I see that you've come so far

To be right where you are

How old is your soul?

(Jason Mraz - I won't give up)


O Jason Mraz, numa canção que podia ser do Tony Carreira mas que tem um vídeo lindo, propõe-se estoicamente a não desistir.

Eu cá, naqueles dias de alma velha, que acha que está no mundo há mais tempo do que verdadeiramente está, acho que as relações para o resto da vida vão desaparecer. Estaremos antes condenados a trocar, trocar e trocar na busca da pecinha certa, às vezes na completa ilusão de que haverá alguém que irá encaixar totalmente em nós. Passo a vida a defender aqui que isto das relações é simples, e costumo "propagandear-me" como uma pessoa com jeitinho para as relações, mas na verdade... há que assumir, também é complicado! Porque antes de chegar à parte dita "simples" há um grande quê de insondável, de mares nunca dantes navegados


É mesmo verdade. Porque se fosse tudo assim tão fácil e simples e linear e decifrável, era fácil fazer brotar relações em qualquer circunstância!


Queres ter uma relação? Boa! Eu também. Vamos lá trabalhar, fazer isto crescer! Faz-me umas massagens e diz-me coisas bonitas enquanto olhamos para a lua...


Claro que já repeti e insisto que o trabalho é preciso. Mas a verdade-verdadinha é que antes do trabalho é preciso um completo não-sei-o-quê! Uma conjugação secreta de ingredientes que não se estuda nos livros, não se aprende na Cosmopolitan e que faz com que as coisas naturalmente aconteçam. Aconteçam como sonhamos sem ser preciso pedir: devias declarar-te mais, devias enviar 20 mensagens ao dia, não devias usar saias. Está bem. Pedinchar às vezes é fofinho, reclamar pode ser necessário, mas quando uma relação se enche de devias, quando começamos a querer ensinar ao outro como sentir, em vez de aproveitar o que sentimos, alguma coisa não se está a conjecturar na direcção certa. E é difícil. Porque uma coisa é facilitar o encaixe, outra é forçá-lo.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Queridas mulheres... (hoje para nós)

Por muito que já tenha sido ferida e por muito que já tenha ferido não compreendo aquele discurso de que os homens são todos uns brutos e uns broncos. Tenho reflectido sobre isto e das três, uma (ou então todas mesmo!). 

1) é uma estratégia adaptativa para ultrapassar desgostos amorosos, quando na verdade reconhecem outras coisas positivas;
2) as mulheres que rodeiam os outros homens não lhes dão espaço para ser o que realmente são, não os deixando confortáveis para ser além da superfície, porque, como costumo defender, acredito que somos com cada pessoa o que elas nos inspiram a ser;
3) eu tenho muita sorte e conheço exemplares masculinos raros.

Os homens que tive o privilégio de conhecer melhor até hoje são homens que se emocionam, tanto ou mais que nós, que se apaixonam, muito para além de qualquer natural pulsão sexual,  que sabem beijar a mão e a testa, que não têm medo do compromisso e que estão lá, sempre que é preciso. Claro que no meio disto tudo pode vir a descobrir-se que ainda gostam de coisas estranhas como Wrestling, que gostam mais de brincar com o comando do que de ver televisão, que disparam palavrões no trânsito com a fúria de quem poderia matar e que uma derrota do clube de futebol pode estragar um dia. Mas tudo isto é tão natural como ter um armário cheio e achar que não se tem nada, como sentir que um verniz de uma cor poderosa serve para redobrar a confiança ou como achar que podemos sempre precisar daquela coisa em que só pegamos uma vez por mês e que nos acrescenta 2kg à mala.

sábado, 7 de abril de 2012

Queridos homens...

... aprendam o que eu aprendo com base em questões pessoais, conversas femininas e leitura de comentários em blogs. Ser romântico e ser carinhoso não é a mesma coisa. E, sendo verdade que há quem não aprecie nem uma coisa nem outra, há quem queira uma ou outra, ou quem não passe sem as duas para se considerar numa relação plena. Neste caso especialmente, aqui ficam umas breves palavrinhas.

Sim, é verdade, às vezes temos mais facilidade em reconhecer romantismo quando o vemos noutras pessoas e fazemos do romantismo que está mesmo ao nosso alcance, por vezes, um lugar comum. Não é por acaso que em posts com as palavrinhas "Ele hoje acordou, olhou-me profundamente e disse-me que eu era linda", vemos comentários como "Awww, que romântico! Que lindo", quando, lá em casa, somos bem capazes de dizer com ar de bambi "Tu fazes isso todos os dias, achas mesmo que é romântico?! Já não chega. Tens que fazer muito mais!".  E claro que exigir que uma pessoa se reinvente todos os dias é capaz de ser demais. Mas há outra coisa que convém explicitar: ser romântico é diferente de ser carinhoso. Se dão beijinhos e abracinhos muitas vezes isso não significa que são românticos, significa que são carinhosos ou, na pior das hipóteses para quem não aprecia o género, melgas ou colas. 


Ser romântico, para a maior parte das raparigas, é um conceito, de facto, exigente que está relacionado com toda uma outra dimensão. Exigente até pela sua simplicidade. Implica esforço, surpresa e sensibilidade, sobretudo sensibilidade... Sensibilidade para falar directamente ao coração. Por isso, e atentem bem, se numa noite, a rapariga com quem estão vos dá uma palestra sobre a falta que sente do romantismo e do papel que isto tem numa relação, por favor, no dia seguinte, quando vão dar um passeio, que ela já sonha que vai ser épico, não a levem a lanchar a um tasco. MAS, claro, na remota possibilidade de este ser mesmo para vocês o sítio mais romântico do mundo, façam vocês uma palestra sobre a razão de a quererem levar àquele sítio. Se houver uma razão muito profunda, uma contextualização, este, sim, pode transformar-se no sítio mais romântico do mundo. Romantismo - conceito complicado e simples ao mesmo tempo, indeed. E relativo. Portanto, em caso de dúvida, e se não estiverem dispostos a dialogar, façam uma checklist:


sexta-feira, 6 de abril de 2012

Verdades sobre o amor disfarçadas por entre uma música e um poema

She said, hello mister
Pleased to meet ya
I wanna hold her
I wanna kiss her
She smelled of daisies
She smelled of daisies
She drive me crazy
She drive me crazy
[Big jet plane - Angus & Julia Stone]


Eu, que não tenho favoritos, posso dizer que esta é a minha música favorita do momento e quero muito outra parte da letra que diz "Gonna hold ya, gonna kiss ya in my arms, gonna take ya, Away from harm"Não gosto dos laços que se criam  e que se desfazem. E ninguém imagina como sofro quando vejo as pessoas de quem mais gosto afastarem-se e como penso coisas parvas daquelas que de vez em quando toda a gente pensa como "que coisa estúpida esta do amor se um dia só vai servir para afastar pessoas, para fazer sofrer alguém...". Sofro muito pelo facto dos meus ideais Cinderela se desfazerem de cada vez que vejo um dos casais que têm forever together chapado separar-se. Então quando isto a mim me toca, pior.


Encerrei-me então numa concha. Num "já que não pode ser para sempre, não quero"Mas a verdade é que quero. Mesmo que incerta quanto ao sempre.

"Quem já passou por essa vida e não viveu
Pode ser mais, mas sabe menos do que eu
Porque a vida só se dá pra quem se deu
Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu
 Ah, quem nunca curtiu uma paixão nunca vai ter nada, não 
Não há mal pior do que a descrença
Mesmo o amor que não compensa é melhor que a solidão
Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair
Pra quê somar se a gente pode dividir
Eu francamente já não quero nem saber
De quem não vai porque tem medo de sofrer
Ai de quem não rasga o coração, esse não vai ter perdão
Quem nunca curtiu uma paixão, nunca vai ter nada, não"
Vinícius de Moraes

terça-feira, 6 de março de 2012

O mito das borboletas na barriga

Eu, com a minha vasta experiência, acredito que a verdadeira prova de que ali está a pessoa da nossa vida não está no tamanho, intensidade ou frequência das borboletas na barriga. Sentir borboletas na barriga é maravilhoso, mas não é algo que só a pessoa da nossa vida poderá provocar. É apenas um indício de que pode ser ele/ela. No fundo podemos senti-las com imeeensas pessoas. Isto está em linha de conta com outra coisa que costumo dizer "Paixão à primeira vista, desilusão à segunda". Quando conhecemos uma pessoa atraente e  compatível connosco é fácil desatar a imaginar passeios românticos em Paris, noites mirabolantes a dois, domingos à tarde a ver o mar e imaginar-nos a escrever um romance inteiro de fio a pavio com base no quão inteiros e completos aquela pessoa nos faz sentir, no que queremos fazer com ela, no quanto e como ela é a peça que faltava à nossa vida! 

Mas o verdadeiro desafio e prova de que aquela será mesmo a pessoa, eu acredito que vem depois, com os meses, com os anos, com o confronto diário, com os dias em que já não nos importamos de calçar os chinelos dele e dormir com umas cuecas menos sexys. Vem depois, com os dias em que já não nos importamos que ele nos veja com uma erva verde no meio dos dentes. Vem depois, quando deixamos de achar único o seu riso e divertidos todos os maus hábitos. Quando deixamos de achar magníficas todas as conversas e de achar que todos os dias nos trazem algo novo. Vem depois quando já esgotamos a pessoa, quando temos a pretensão de que já a sabemos de cor, mas ainda assim nos encantamos. Quando aquela é a única companhia. A única que faz sentido, quer quando estamos a explodir de alegria, quer quando estamos a morrer de cansaço e só queremos um bom pedaço a quem encostar. Só aí é que a pessoa da nossa vida se revela,  ou não.

Mas isto, são só coisas que eu acho, coisas que eu digo. Coisas que ainda não encontraram um verdadeiro ponto final.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

O amor é imperfeito

Um dia prometo que vou deixar de escrever posts sentimentalistas.  Hoje não é o dia. E muito por culpa da M que escreveu sobre o "P.S. I love you", aquele filme que me fez chorar do início ao fim. A M. falava do surreal que era alguém escrever cartas apoiando o luto da cara metade - eu em vez de surreal acho que é totalmente a minha cara.


Posso ser um bicho estranho, mas os amores da minha vida são únicos e nunca deixam de o ser. Esquecer é uma palavra que não existe no meu dicionário. Ultrapassar talvez. Há pessoas a quem atribuí um bilhete de chegada à minha vida, mas nenhum de partida. E há muitas coisas que definem uma pessoa, mas eu não tenho dúvidas que as relações ocupam um lugar especial e central na minha vida definindo grande parte daquilo que eu sou, mesmo que não deixe de ter a Psicologia, a dança, o teatro e mais uma coisa ou outra em que decido envolver-me. As minhas relações não tiveram só momentos positivos, mas tenho facilidade em lembrar sobretudo estes, para o bem ou para o mal, e sei que foi também provavelmente esta minha memória selectiva que me foi permitindo avançar e lutar em tantos momentos: traz-me a certeza de ter tido tantos momentos que foram sublimes... E acho, genuínamente, que tenho talento para as relações. Talento que resulta tão simplesmente da vontade de fazer alguém feliz e de ser feliz. Mas, sobretudo, sei que tenho a ambição de as viver daquela forma arrebatada e, para tantos, inatingível. Vivê-las de outra forma, para mim (e sublinho para mim porque cada um tem a sua concepção), trata-se de uma relação de conveniência, abraçada ao conformismo. Durante um tempo acreditei que isto era uma evolução natural. Agora recuso-me a aceitá-lo. Continuo a acreditar no amor intemporal, porque sei que é uma coisa que existe em mim e não impossível.  E mesmo que saiba que uma relação não se faz só de momentos perfeitos porque o amor é imperfeito (e às vezes são as imperfeições que nos fazem gostar ainda mais) - e há discussões, há impasses, há dias em que se esmorece, tal como há dias em que se desperta completamente -, para mim vale a pena amar.



I just want to see you
When youre all alone
I just want to catch you if I can
I just want to be there
When the morning light explodes
On your face it radiates
I can't escape
I love you till the end


I just want to tell you nothing

You dont want to hear

All I want is for you to say

Why dont you just take me

Where Ive never been before

I know you want to hear me
Catch my breath
I love you till the end

I just want to be there
When were caught in the rain
I just want to see you laugh not cry
I just want to feel you
When the night puts on its cloak
Im lost for words dont tell me
All I can say
I love you till the end

terça-feira, 12 de outubro de 2010

O meu conceito de amor

Continuando com o assunto de ontem, o meu conceito de amor é este:

misslouiesexo.tumblr.com
Inicialmente duas pessoas, mão na mão uma com a outra, dispostas a cometer loucuras e a descobrir o mundo juntas. Duas pessoas quase cegas, provocadoramente a contagiar, a acreditar no infinito e a prometê-lo. Se a minha concepção deste amor fosse uma música, era, sem dúvida, esta: [se não conhecem esta música vão conhecer, meus docinhos que as minhas preciosas informações não devem cair no vácuo]

Anda comigo ver os Aviões
Levantar voo,
A rasgar as nuvens,
Rasgar o céu.

Anda comigo ao porto de Leixões
Ver os navios
A levantar ferro,
Rasgar o mar.

Um dia eu ganho a lotaria,
Ou faço uma magia,
Mas que eu morra aqui.
Mulher tu sabes o quanto eu te amo,
O quanto eu gosto de ti.
E que eu morra aqui
Se um dia que não te levo à América
Nem que eu leve a América até ti.

Anda comigo ver os automóveis,
A Avenida,
A Rasgar as curvas,
Queimar pneus.

Um dia vamos ver os foguetões levantar voo,
A rasgar as nuvéns,
Rasgar o céu.

Um dia eu ganho o totobola,
Ou pego na pistola,
Mas que eu morra aqui.
Mulher tu sabes o quanto eu te amo,
O quanto eu gosto de ti.
E que eu morra aqui
Se um dia eu não te levo à lua
Nem que eu roube a lua só pra ti.

(...) 
Mas a minha mais verdadeira noção de amor é a do amor-sobrevivente. Do amor que não cai com os anos, do amor que não morre (adormece só às vezes), do amor que não se desgasta, do amor que não se cansa, do amor que se abraça constantemente, para o melhor ou para o pior. Não sou (só) do amor instantâneo, do amor que se esquece, do amor químico com prazo de validade, do amor quente, do amor que apetece sempre. Sou do amor de todos os dias, que nos estraga a maquilhagem, que nos dá dores de cabeça, que nos faz duvidar e que até algumas vezes nos dá vontade de desistir! Sou do amor quente e do amor assim-assim. Sou do amor investido e vivido. Do amor que nasce e adormece - várias vezes. Sou do amor que acontece... Não sou de um amor feito, muito menos de um amor perfeito.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Se há coisa que me fez confusão a propósito do aniversário da SIC...

... foi uma coisa que nada tem a ver com a SIC em si, mas com o ser humano, ou mais propriamente com as relações humanas. Tudo porque uma revista decidiu fazer uma rubrica sobre os casais SIC e eu constatei que, neste momento, está tudo descasado!

Assim fica dificil continuar a acreditar no amor eterno, meus senhores! Caramba, aguentavam só mais um bocadinho... Não gosto disso do amor eterno enquanto dura. Gosto do amor eterno para sempre. Gosto de, ingenuamente ou não, acreditar que há alguém com quem posso ficar sempre, sem me fartar, sem cair na tentação de cobiçar o próximo. Mas assim... No estado actual das coisas são menos os casais que duram do que aqueles que não duram! É quase um estado normativo da humanidade, não durar. Mas porquê? Parece que tudo pensa como o meu amigo B. que costuma dizer, "As relações para toda a vida foram feitas para quando as pessoas duravam até aos 50 anos.".


sexta-feira, 10 de setembro de 2010

10 coisas que eu não devia escrever no blog

[post lamechas e não recomendado a cardíacos e a pessoas cuja análise deste post possa fazer perigar a minha reputação]

1) Quero que aprendas a cozinhar um prato novo (como há tanto tempo revelas vontade) e que nos prepares um jantar, com direito a luz da vela e tudo o que possas imaginar. Isto é como quem diz: quero renovar certas tendências, escapar à rotina enquanto posso e esquecer a vida de sofá.



2) Quero um pequeno almoço de princesa, como ando a reclamar desde que nos conhecemos enquanto "nós".




3) Quero o nosso ninho, sem teias de aranha, sem pó, sem a pouca graça que tem tido.

4) Quero ver episódios de How I met your mother, enrolada em ti.

5) Quero dizer-te que senti a tua falta.

6) Quero ir almoçar àquele sítio que há tanto tempo te ando a pedir.

7) Quero que o nosso ano de finalistas seja o melhor das nossas vidas, até porque não sei o que vem a seguir.

8) Quero, eu própria, reclamar menos e fazer mais.

9) Quero conquistar e ser conquistada e acreditar que 5 anos e meio depois ainda temos os mesmos planos e sonhos estúpidos e que os podemos partilhar, tão lunáticos quanto antes. Isto é como quem diz, quero voltar a ter trabalho e voltar a dar-te que fazer. Quero voltar a escrever sobre ti, sobre nós, sem usar a cabeça.

10) Quero as pequenas coisas que fazem de nós uma grande coisa, mas fundamentalmente quero ter a nossa certeza, sem que tenhas que fazer nada do que está nesta lista. Quero poder voltar a dizer que somos nós, sem tempo, sem mundo, sem fim. Quero continuar no nosso pequeno aquário porque o oceano ainda é grande demais para mim... E acredito em ti, porque desde sempre foste um bom pescador.
Love is passion, obsession, someone you can't live without. If you don't start with that, what are you going to end up with? Fall head over heels. I say find someone you can love like crazy and who'll love you the same way back. And how do you find him? Forget your head and listen to your heart. I'm not hearing any heart. Run the risk, if you get hurt, you'll come back. Because, the truth is there is no sense living your life without this. To make the journey and not fall deeply in love - well, you haven't lived a life at all. You have to try. Because if you haven't tried, you haven't lived.  ~ Meet Joe Black