domingo, 6 de janeiro de 2013

As pessoas alcoolizadas tornam-se, por vezes, fascinantes

E dizem coisas que são um verdadeiro misto entre o interessante e o esquisito. A mim calhou-me isto de uma pessoa que diz que tenho que ler sobre complexidade, mas que recusa emprestar-me os livros que tem porque trabalho para os comprar e não, não é um vendedor de livros; que é um bom conversador, mas duvido que me ache só intelectualmente interessante porque de vez em quando lá lhe sinto a mão a pousar-me nas costas com jeitinho e eu lá me esquivo com igual jeitinho; para quem eu não olho muito tempo nos olhos enquanto fala e que não deixo que se deite nas minhas pernas enquanto adormece no sofá, como aconteceu com o C., sob risco de cair na tentação da carne e de cair em mergulho para cima de mim (um mergulho bem mais molhado do que os perdigotos que me lançou) ou de ler de mim as mensagens erradas e que, mais importante antes do que se segue, bebeu demasiado vinho do Porto ontem:

Tens toda a pinta de quem não acha piada nenhuma a homens mais novos e de quem quer alguém que sabe bem o que quer. 
(...)
Gostava de te ver com um homem mais novo.
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De que é que tu gostas num homem?
Não sei.
Não sabes?!
Hmmm, persistência talvez. Fico com os que aguentam.
Selecção natural darwiniana?
Mais ou menos isso.
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Tu és consensual. Não gosto de pessoas consensuais que estejam onde estiverem agradam a toda a gente.
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É incrível! Tens uma auto-estima tão lá em cima, mas sabes, são as pessoas assim que quando tu descobres têm mais inseguranças.
(...)
Diz-me uma insegurança tua.

Primeiro depósito no Jewellery Fund

Para quem não acompanhou, esta decisão está explicada ao detalhe aqui.

E agora com tudo orientado cabe-me apontar que não faço ideia de quanto já lá tinha. Chocalharam algumas moedas. Mas, para o depósito semanal eu achei que tinha poucas moedas. E a ideia de encher a latinha de ar, como apontei ser uma possibilidade quando delineei este plano não me pareceu razoável - afinal é só ma vez por semana que faço este plano-caseiro-poupança e não existem assim tantas semanas num mês ou num ano. Deliberei, pois, depositar também uma nota. A nota mais pequena que tiver na carteira, cogitei. 20 euros. 20 euros não, carago!

Fui às gavetas das poupanças em movimento mensal procurar a nota mais pequena. 10 euros. 10 euros quase chorados entraram no orifício das notas.

Em moedas 3 euros e 10 cêntimos.

Montante actual na lata: 13€ e 10 cêntimos, pelo menos.

Será boa ideia ir apontando na Bucket List o meu saldo ou é tornar a minha Jewellery Fund um objecto de desejo demasiado apetecível?

sábado, 5 de janeiro de 2013

Sozinho no supermercado

O meu pai é daqueles homens que, durante muito tempo, não punha os pés num supermercado. A justificação era invariavelmente a mesma: eu nunca sei onde estão as coisas, vocês sabem, é mais rápido.

De há um ano ou dois para cá está um homem moderno. Compras grandes para a casa ainda não faz sozinho, mas, de vez em quando, na loucura, dá um salto ao supermercado para comprar algumas coisas de que precisa e liga para casa a perguntar Precisam de alguma coisa?. Foi este o caso hoje. Disse-lhe que precisava de champô, amaciador e iogurtes sólidos e líquidos. Ele vociferou alguns impropérios que não vou reproduzir, sob pena de pensarem que o meu pai é uma pessoa raivosa, para explicar que não sabia comprar nada disto. E eu lá lhe disse para ir aos sítios e trazer uns quaisquer que não sou esquisita. Só temi mais na parte do champô. Suspeitei que pudesse trazer um creme e um amaciador, por exemplo, e nada de champô, mas não seria dado ao desperdício este material se ele o trouxesse...

Resultado:
- No departamento dos sólidos iogurtes gregos de diversas gamas;
- No departamento dos líquidos Adagio Momentos Spicy de diversas gamas;
- No departamento do cabelo um champô Frank Provost.

Força, papá! Vai mais vezes por mim às compras. Claro que anulou a parte do amaciador. Disse que sabe lá o que é amaciador, mas que aquele é um champô profissional muito bom e que não precisa de amaciador. Claro que eu expliquei que aquela marca TEM amaciador e que nas próximas vezes só tem de ler o que diz na embalagem, mas agradeci os produtos com diversas vénias verbais.

Recebi um chicote na última troca de prendas da época...

... é uma pista para o que será o meu ano?

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Felicidade de tudo e de nada

Estou provavelmente no topo do ranking dos piores condutores a circular diariamente nas estradas. Peço perdão mentalmente montes de vezes aos caríssimos que têm o azar de vir atrás de mim e, vergonha das vergonhas, ainda peço a todos os anjinhos, de cada vez que páro numa subida, para não deixar morrer o carro. E, claro, mal respiro a estacionar em paralelo e sinto-me completamente encravada quando tenho que sair da mesma gama de estacionamento: ando por ali em manobras de diversão e só saio quando tenho espaço para dois carros iguais ao meu passarem.

Mas hoje, hoje saí do trabalho e constatei, sossegada e silenciosa no carro, mas com a alma aos pulos de alegria, que os dias estão a crescer - já não é noite escura quando saio. Sou, sem dúvida, miúda-mulher de sol, e aquele céu vermelho-alaranjado trouxe-me aquela sensação feliz de tudo e de nada, que nunca sei explicar, e uma enorme vontade de fazer um desviozinho e ir até à praia... 

Se fosse à praia teria de ser a Granja. A poética Granja. A Granja de Inverno - nunca lá fui no Verão. A Granja cujas moradias com portão das traseiras a sair directamente para a areia me fazem crer que, pelo menos nos meus sonhos, também tenho uma. Também tenho uma moradia que desemboca quase no mar de onde saem a correr as crianças que ainda não tenho e um homem com a pele a saber a sal.

Como sou tótó, continuei a conduzir (sei lá eu o caminho e onde estacionar!) e a ter a praia só na minha cabeça, mas algo me diz que quando o tempo começar a aquecer vou passar a levar um bikini e uma toalha na mala não vá algum dia acordar maior do que eu e decidir aproveitar, enquanto as praias não enchem, a sensação de estar eu, mar, areia e céu para ter um bocadinho, só um bocadinho mais, esta sensação de leveza e felicidade de tudo e de nada.

icanread.tumblr.com

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Uma questão de magnetismo pessoal: QISomething versus QIBoredom

Eu confesso. Há pessoas que, se contempladas à superfície, podem não ter ponta de piada:

- podem ter kgs a mais ou a menos;

- podem ter uma expressão macambúzia de quem está completamente off do mundo ou de quem não sabe o que é um sorriso;
- podem ter a testa cravejada de borbulhas;
- podem ter ar de quem acabou de sair de uma gruta e não tem a mínima noção do que as pessoas vestem nos dias de hoje;
- podem ter um ar extremamente altivo e emproado de boneco(a) de porcelana acabado de sair da montra de uma loja;

...mas ainda assim podem atrair-me que nem um íman. Mas porquê?!?! - comecei a inquietar-me.

Claro que existem aquelas pessoas que são o whole package, sem defeito nenhum, e que me atraem: não há ciência, nem mistério aqui. 

Houve sim ciência e mistério, e mais um Mas porquê?!?! quando comecei a perceber que há pessoas que têm o aparente whole package, sem defeito nenhum, e que não me atraem.

Profundamente envolvida na tentativa de explicação deste fenómeno criei dois novos termos, baseados no simples facto de perceber que nos dois casos há um denominador comum que pode determinar a minha atracção ou falta dela, que é extremamente complexo e nunca redutível a esta explicação simplista, mas que se designa vulgarmente por... cérebro. E os conceitos inovadores que tenho para vos apresentar são:

QI-Something: não é o QI como é tradicionalmente conhecido, mas é o fenómeno de eu perceber, através do diálogo daquela/com aquela pessoa, que, independentemente do percurso escolar ou resultados em testes de avaliação psicológica, estou perante um exemplar humano com bom desenvolvimento neuronal que a torna distinta e interessante, e, fundamentalmente, perante alguém que, ainda que eu não saiba explicar exactamente como ou porquê, me abre, portanto, janelas de reflexão para o mundo: faz-me ver o mesmo como nunca o vi.

QI-Boredom: é o fenómeno inverso; os neurónios aparentemente estão lá todos, mas quando conversas com aquela pessoa estás só numa destas duas gamas de sala: a) um salão enorme, mas vazio (opção mais frequente em quem é um whole package mas não atrai); b) uma sala cinzenta (por muito que os neurónios estejam em fila prontos para disparar informação, o seu portador é extremamente desinteressante).

E pronto, assim vou conhecendo as normas que regem o meu funcionamento, mas noutros aspectos, confesso, sinto-me deformada... Deformada porque me julgo neste momento inapta para desenvolver vinculações profundas. Talvez um dia fale sobre isto, porque há coisas que precisam de se sentir primeiro ordenadas, para que as palavras as consigam arrumar depois.

Pai-ês

- Viram a pilha eléctica?

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Individuo 2013

Contigo vai ser diferente. Eu sei que digo as mesmas baboseiras a todos. Que juro, ali ao contar das doze badaladas, que vai ser de vez que vou riscar todos os itens ali da Bucket e... fazer e... acontecer. Acabo por fazer e acontecer, mas esqueço pelo caminho metade dos planos que faço. Mas não, 2013, cheguei à conclusão que o problema não são vocês - os anos - sou eu.

Como tal decidi que temos tempo, e que contigo, tal como indiquei, vai ser diferente: em vez de ter lançado uma lista atabalhoada de  itens bonitos mas destinados ao esquecimento logo ali ao soar das doze, vou focar-me só numa coisa a concretizar. As outras são coisas para ir concretizando, ainda que tantas mais honrosas... Continuo a querer fazê-las, mas não quero já descarregar o peso de uma vida toda em ti, e, portanto, mais do que sonhar, cá estou eu para te apresentar uma garantia: vou ser uma jóia de moça e só vou aqui resolver uma coisa! Até porque a questão fundamental é que um plano de mestre, sobretudo numa mente metodologicamente masculina, como a minha, só pode funcionar com uma única coisa em processamento.

A minha resolução é fútil, à primeira vista, mas, atenção, o que vou fazer com ela tanto pode ser fútil como não. Bahhh, está bem, é fútil: a primeira coisa que me ocorre, quando penso no que vou fazer com o resultado da minha resolução, é ITÁLIA-ITÁLIA-ITÁLIA. O método é simples e já foi acrescentado ali ao próprio separadorzinho da Bucket List: esvaziar as moedas existentes na minha carteira, todas as sextas-feiras, até ao dia do meu aniversário - que é ali mesmo a meio do ano - no Jewellery Fund - que é basicamente uma lata que me ofereceram há uns 2 anos, bonita, mas daquelas que quando rebenta, rebenta de vez, onde até agora terei tido coragem de depositar uns... 2 euros? Isto para evitar ter ganas de esfrangalhar a bela lata, antes de cheia, nalgum momento de aperto económico ou desejo inútil mas avultado.

Sei que vou penar algumas vezes a pensar nos mais diversos fins que poderiam ter as moedas.
Sei que há sextas-feiras em que pode sobrar apenas ar.
Sei que de Itália a única coisa que posso levar desta colecta são fundos para cobrir um gelado, mas vou tentar...

E pronto, o resto vai-se indo e vai-se vendo, está bem?

Então quer casar comigo?

J. - Dra. M., o seu marido, está bom?

Mary Jane - Eu não tenho marido, J.!

J. - Então quer casar comigo?

(Mary Jane a preparar para interrogar o que é o casamento e quais são os motivos pelos quais duas pessoas se casam)

E. - NÃO, comigo!

J. - Pode casar comigo, não pode?

(...)

Mary Jane - F., o que é que faz com que sejas simpático comigo?

F. - Sim. 

Mary Jane - Sim, o quê?

F. - Eu sou simpático.

Mary Jane - Mas porque é que és simpático comigo?

F. - És bonita.

Mary Jane - Então e se eu fosse muito feia já não eras simpático comigo?

F. - (olhar confuso e não resposta)

Sim, estou de volta ao trabalho.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Primeiro dia do ano = The Tourist (versão figura materna)


A verdadeira versão:

Elise: Invite me to dinner, Frank.
Frank Taylor: What?
Elise: ...
Frank Taylor: Would you like to have dinner?
Elise: Women don't like questions.
Frank Taylor: Join me for dinner.
Elise: Too demanding.
Frank Taylor: Join me for dinner?
Elise: Another question.
Frank Taylor: I'm having dinner, if you'd care to join me.
Elise: [sorri]

A versão da figura materna:

Elise: Invite me to dinner, Frank.
Frank Taylor: What?
Elise: ...
Frank Taylor: Would you like to have dinner?
Elise: Women don't like questions.
Frank Taylor: Join me for dinner.
Elise: Too demanding.
Frank Taylor: Join me for dinner?
Elise: Another question.
Frank Taylor: (figura materna disparada e antes da resposta na tv)  Vai para o raio que te parta!

Ninguém pode dizer que não sou uma rapariga simples

Ovos, queijo e salsicha numa frigideira.
Massa a cozer.
Pleno chá verde e limão para desintoxicar (brincadeirinha, só uma taça de champanhe aqui escorregou ontem)
Uvas...

Youtube em alto volume a reproduzir a lista de "gostos"...
Home alone. Well, home plus 2 dogs a tentar comer a tua comida...
Em suma, o brunch (termo finex, right?) perfeito para iniciar 2013.

2013 - A figura materna vai à caça

Vai à caça pela pequena cria...

- Quem era aquele que te foi buscar, era o dono da casa?
- Quem? Ah, era sim!
- Era muuuito giro.
- Sim, por acaso também acho, mas tem namorada.
- E o A.?
- Também tem namorada e ela é muito gira.
- Como é que o dono da casa se chama?
- J.
- O que é que ele faz?
- É licenciado em desporto. Treina equipas de voleibol, só, acho.
- De onde é que ele é?
- De X.
- Ai não é de lá? E aquela casa da irmã, é gira?
- Muito engraçada. Têm peças de decoração que trazem, pelo que percebi, de viagens que fazem.
- Por acaso ele é muito jeitosinho...
- Ele TEM namorada.