terça-feira, 24 de agosto de 2010

Mary Jane e as vocações - Parte III

Eu sei, tenho uma série de selos e desafios à espera de entrar em cena - é pr'amanhã (bem podias fazer hoje! Porque amanhã sei que voltas a adiar!). Entretanto segue a parte III da minha saga na descoberta das vocações. Principalmente porque não quero ficar conhecida como aquela que começa uma história e nunca a acaba! Lembram-se da Summer que há em mim, que teve direito a parte I, parte II, mas nada de parte III? Deixei a pobrezita em àguas de bacalhau. Quando aquela saga deixar de me parecer uma novela mexicana, pode ser que lhe volte a pegar!

Ontem dei a entender que era um cão açaimado mortinho por morder os meus clientes, certo? Hoje quero que fiquem com uma ideia mais cor-de-rosa. Eu segui Psicologia porque, entre outras coisas, quero ensinar isto às pessoas:

gorgeoustakethecity.tumblr.com
Ingénua ou não, e mesmo que o venha a negar no futuro, eu acredito que em grande parte a felicidade é uma escolha: é um estado pelo qual nós somos responsáveis. A felicidade não existe, faz-se. Melhor: vai-se fazendo. 

[Parte bilhac que parece um livro de auto-aconselhamento ou lá que raio é aquilo] Lembram-se da imagem de ontem (se não se lembram, vão lá ver)? Também acredito que todos nós temos mais recursos do que aqueles que às vezes vemos em nós, ou pelo menos, temos potencial para procurar e trabalhar pelos recursos que nos podem fazer voar. Somos é uns acomodados e preguiçosos de primeira!

No Dr. House - série queridinha que sigo religiosamente -, este senhor dizia revoltado ao respectivo terapeuta, que ele era apenas um vendedor de esperança. Pois vendedora de esperança me assumo, mas na certeza de que posso salvar tantas vidas como os médicos e ver perder outras tantas. Aprendi que ver sangue (como tanto temia a propósito de um curso de Medicina) apesar de continuar a nausear-me e continuar a ser uma missão impossível  pode ser menos doloroso do que ver uma pessoa a morrer. A morrer por dentro (quem te disse, minha estróina, que só em Medicina vias pessoas morrer, hum, hum?). Aprendi que sou sensível às pessoas e às emoções das pessoas. No ano passado, no fim da primeira consulta com o terceiro cliente, um puto giro e cheio de pinta,  que via atrás do espelho (hu, hu! CSI!), eu saí inchada a achar que tinha alcançado uma neutralidade profissional e caminhei segura e de peito cheio até casa enquanto recordava os comentários das minhas colegas "É lindo, lindo!", "Estou apaixonada!", "E as bochechinhas? Tem cá umas bochechinhas!". Na altura achei os comentários só ridículos: estavam para ali todas de hormonas aos saltos porque tinham visto um miúdo de 7 anos em consulta. À segunda consulta, ele chorou e eu, silenciosamente, chorei com ele por trás do espelho. Assim caiu por terra a durona e mais qualquer ai não chores no meu ombro que me babas. Quero ser uma vendedora de esperança e espero ter arcaboiço suficiente para isso, sempre.

Em conclusão, gostava de dizer que Psicologia é uma paixão, mas como já aqui disse na altura da "sondagem" para descobrir o meu curso, não sou mulher de portas fechadas e penso que nunca me ouvirão dizer "Não me imagino a fazer mais nada"; esta mesma frase que alguns colegas meus tanto gostam de dizer e que a mim me causa ataques de urticária.

17 comentários:

  1. Acho que no fundo é isso que eu quero também.
    Não, o carro já vai cheio. Mas quem sabe um dia :)

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  2. Uma perguntinha : vais fazer mestrado em que área? ou vais ficar só pela psicologia clínica?

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  3. Ps- Hoje lembrei-me da "summer que há em ti". Tenho saudades! =(

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  4. Gostei da tua ideologia :D
    Ingénua ou não, é bonita!

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  5. Aquele teu ultimo parágrafo é excelente :) Alias, cada vez mais não podemos achar que ou é aquilo ou não é mais nada...

    Ah, e não digas nada a ninguém mas a mim também já me aconteceu!!

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  6. Percebi tudinho! =)
    E boa sorte para mais um ano de trabalho!

    Já agora, estás a pensar fazer consultas on-line? Ou não é aconselhável? É que nunca se sabe se irei precisar ou não. (Verdade verdadeira é que preciso mesmo lol)

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  7. Por partes que isto é muito grande e tenho muito a dizer por hoje.

    A Summer não me soa nada a novela mexicana, dá-nos lá a parte III que também merecemos :P

    Em relação à comparação da Psicologia com a Medicina, acho que psicologicamente têm os dois uma carga muito pesada. E, pelo menos eu, acho que é mais fácil ver sangue do que ver propriamente a dor, o desespero ou a acomodação perante uma coisa má.

    E o principal ingrediente para se fazer um bom profissional é a paixão por aquilo que faz e o objectivo que tem a alcançar. Sem isto, por muito bondosa, paciente e glicodoce que fosses, não ias a lado nenhum, pelo menos de jeito.

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  8. "A felicidade não existe, faz-se. Melhor: vai-se fazendo."
    Só com estas duas frases já disseste muita coisa mesmo!

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  9. É mesmo maninha...uma pessoa tem que estar aberta a todo o tipo de situaçoes ou novidades e até mesmo mudanças da vida. E concordo contigo, escolher a felicidade,a cima de tudo, mesmo nao sendo facil, por vees *

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  10. Ai que me vieram as lágrimas aos olhos! Querida, muito obrigada pela boa vontade. =)
    Quem sabe se um dia não acordas e não vês uns 500 mails a explicar coisas que me passam pela cabeça milhares de vezes!

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  11. Pois é isso. Se não é, andas lá perto.
    Cada vez que vejo pessoas com problemas graves a sorrir, fico sempre naquela: serão idiotas, ou conseguem fragmentar a vida em pedaços. Num pedaço metem a tristeza, noutro a má sorte e reservam sempre o pedaço maior para a felicidade.
    A felicidade que eles conseguem "fazer". É o "fazer das tripas coração". Ou então são tremendamente infelizes e "mentirosos". Conseguem transmitir sentimentos que não "sentem" e isso custa mais a acreditar do que a teoria dos fragmentos de vida.
    De qualquer modo estou convencido (auto-convencido, talvez) que não se é verdadeiramente feliz ou infeliz. Faz-se das tripas coração porque ninguém aguenta ser infeliz todos os momentos da vida.

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  12. Não devemos cingir-nos a uma área nem fechar os horizontes. :)

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  13. Farás o que tiver que fazer, porque a vida está difícil e tem mesmo que ser. Mas decerto não te sentirás é tão satisfeita contigo mesma. ;)

    Beijinhos, colega.

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