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Esta está a ser a minha grande aprendizagem da semana. Antes de ir estagiar eu tinha a certeza que sim, que toda a gente tinha uma história para contar e que todos somos espectaculares independentemente da cor, raça, estatuto socio-económico ou ideologia política e representei a minha paixão pelo ser humano por este blogoplaneta fora.
Pois falo, falo e na minha primeira reunião de estágio quando eu soube que ia atender sobretudo beneficiários do Rendimento Social de Inserção (RSI) eu fiquei em pânico. Fiquei em pânico porque achei que ia atender sempre o mesmo "tipo" de pessoas (afinal as pessoas têm tipos?) e dar resposta sempre ao mesmo "tipo" de problemáticas! Assim. Tal e qual. Tudo como se a Psicologia fosse uma qualquer equação matemática. E eu pensava: ai que são pessoas tão pouco diferenciadas; ai que nunca vou conseguir fazer o tipo de consulta que sempre sonhei fazer, ai que o problema deles muitas vezes é não ter sequer comida em casa e o que é que eu posso fazer? Vou pôr comida lá a casa? Não posso fazer nada! Para quê mexer em necessidades psicológicas quando as necessidades básicas não estão satisfeitas? Ai que a minha experiência de estágio vai ser tão limitadora e incompleta!
Na verdade, a tempo penso eu, tenho-me apercebido que eu é que sou a limitada e um tanto ou quanto imatura. Cheguei a essa conclusão quando o meu amigo B., sempre certeiro, me pergunta: mas olha lá, tu queres fazer Psicologia Estética, é? E eu parti o meu verniz. Eu queria fazer Psicologia Estética. Eu Mary Jane afinal não sou adepta da humanidade, mas da humanidade que me interessa. Eu não sou adepta do mundo, mas do mundo cor-de-rosa que eu pinto. Após esta brilhante reflexão, facilitada pelo B., caí em mim: que bicharoco estou a ser eu? Agora, só espero que os beneficiários do RSI a cada consulta me dêem valentes tapas psicológicos por não ter acreditado neles! E tenho a certeza que vão dar...
eu ainda não comecei mas sempre estive mais inclinada para a psicologia clínica. falar com os "doentes", ajudá-los a descobrir o caminho, etc. Acho que no teu lugar pensaria o mesmo. mas eles devem ter "problemas" mais "interessantes" do que os que pensamos que têm à partida. não são todos iguais, produzidos me série. são pessoas, e as pessoas são sempre diferentes e complexas. vais ver que tens aí um grande desafio pela frente.
ResponderEliminarPor acaso a psicologia estética é muito importante, todas as pessoas se deviam interessar em verificar onde falham mais, de forma a se auto-melhorarem como seres humanos, sem necessidade de mudarem. Mas neste caso em concreto, as pessoas necessitam de bem mais do que isso... :(
ResponderEliminarMinha cara... nós nunca paramos de crescer (a maioria de nós) e tu acabaste de crescer uns bons 50 cm. ;)
ResponderEliminarvais ver que vais ter enormes surpresas!
ResponderEliminarvais gostar, e vais ver que apesar daquilo que pensaste as problemáticas vão ser sempre diferentes!
ResponderEliminarclaro que as necessidades básicas em alguns cásos não estarão satisfeitas, mas acredita que na maioria dos casos não te faltará assunto para abordar e trabalho!!!
no boletim de Outubro: e que tal falar na depressão e estratégias de ajudar a minimizar os sintomas...
Pelo que vejo tu estás a tirar o curso de Psicologia ... Não sei se leste o meu post de Domingo mas fala do curso de Psicologia: desde "sempre" sonhei com esse curso e custa deixar um sonho para trás *.*
ResponderEliminarMary Jane,
ResponderEliminarA primeira vez que comentaste no meu blog pensei que eras uma amiga minha aqui do trabalho. Curiosamente trato-a por Mary porque se chama Maria João e também ela é psicóloga embora não esteja a exercer. Quis partilhar porque achei curioso :)
O fundamental é perceberes onde estão as tuas competências e usá-las no momento certo. Não me parece que o caso seja tão linear como isso. As pessoas com problemas graves de recursos financeiros são pessoas muito carentes e precisam de ser ouvidas e de receber uma palavra amiga. Na maior parte das vezes do outro lado encontram pessoas frias e indiferentes à dor que estes indivíduos trazem no peito.
Tenho a certeza que serás um óptima profissional.
Estou com a Ju e a Petra. Força Mary Jane :b
ResponderEliminarTem uma certa razão... tens de saber lidar com toda a gente.
ResponderEliminarAs pessoas têm tipos?
ResponderEliminarNão sei se será um bom modo de "catalogar"... loool
O que as pessoas têm é problemas e nem sempre pessoas do mesmo "tipo" os têm iguais.
Vais encontrar pessoas extremamente fragilizadas e pessoas com muita força. Mas isso penso que encontrarás em qualquer "tipo de pessoas", em qualquer tipo de estrato social.
Penso que as fragilidades psicológicas não estarão relacionadas, apenas, com problemas sociais ou económicos. Há tanta gente aparentemente bem na vida, com carências bem maiores do que os beneficiários do RSI.
Há muita miséria humana escondida sob uma capa forrada a notas de mil...
Sorry! Só agora consegui comentar... não consigo comentar textos complicados com um "alô" e um beijinho, como sabes.
Não percebi como é que os "gato" serão importantes no meu percurso académico. é favor passar lá no estaminé e fazer um desenho à menina :)
ResponderEliminarpois não preciso dizer nada, tu dissestes tudo com sua auto crítica.
ResponderEliminarÉ daqueles cursos que admiro mas que nunca daria para mim, é dificil, muito dificil "levar" também com um monte de problemas dos outros...
ResponderEliminarÉ incrível como consegues ser ambivalente. Num poste pareces um tanto ou quanto "infantil" e neste fazes o que poucos conseguem fazer: admitir preconceitos e ultrapassá-los.
ResponderEliminarÉ por isso que sigo o teu blogue. :)
Os receios do desconhecido fazem-nos, por vezes, ser irracionais! Força, vai correr bem e de certeza que no fim vais gostar de ajudar ;)
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