domingo, 3 de outubro de 2010

Palavras com vida: sintoma

Há palavras que têm uma força quase humana e incomodam-nos, interpelam-nos, desassossegam-nos, insurgem-se e ameaçam-nos como numa discussão bem real. Há, portanto, palavras às quais nos tornamos alérgicos. Eu, pessoalmente, hoje não posso com a palavra sintoma que me apareceu na descrição de um caso. Sintoma, para mim, vem de doença. Doença física. Doença de médico. Doença muito má. Sintoma é quase um "Sinto-me em coma!", já pensaram?

carinabarreto.tumblr.com
Por isso, olha lá sintoma, vamos conversar directamente: eu não gosto de ti, acho-te detestável e mórbido, como um buraco atrevido que irrompeu numa meia perfeitinha a anunciar que já lhe resta pouco tempo de vida. Podes também não gostar de mim, a miúda do mundo cor-de-rosa, mas terás de me ouvir porque se realmente existes, convém que nos entendamos, mesmo que seja pelo ódio. Mesmo que a custo eu tenha que deixar de sentir este mesmo ódio e entender que a palavra "sintoma" existe em Psicologia*  e que não há problema nenhum... Só não vai ser hoje que vamos fazer as pazes, ok? Porque sintomas lembra-me médicos e batas brancas e psicólogos não usam batas, nem curam sintomas.

7 comentários:

  1. Mary Jane tens toda a razão, porém estas borboletinhas que sinto são pelos piores motivos :/

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  2. Uma vez que o Sintoma vai-se manter durante uns tempos na tua carreira... Contrariando as palavras da Margarida, eu diria:

    Sintoma - 1
    Mary Jane - 0

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