quarta-feira, 28 de novembro de 2012

O maior desbloqueador de conversa

O estado do tempo não é só uma condição física relevante para tomar decisões  (e.g., decidir se vamos ficar a ouvir a chuva e a deglutir chocolates enquanto vemos um filme ou se vamos correr com o canito até ao parque) ou para moderar a velocidade na estrada; tal como não é apenas um estado que pode condicionar o nosso humor. O estado metereológico tem uma função que tantas vezes é esquecida, mas tão relevante (ou mais ainda) como todas as outras: é o maior propulsor de interação social quando estamos com alguém semi-conhecido e não sabemos como quebrar um silêncio incómodo. Não estão a ver aquela pessoa que depois de um tempo comenta como se tivesse acabo de descobrir algo incrível:

- Está um frrriooooo.

E das três, uma: ou recebe de retorno um "Hmm" disfarçado de "O que é que tu queres?"; ou se trocam meia dúzia de comentários metereológico e a coisa finda ali (-Que calor. - Ui, não se pode!) porque ninguém teve criatividade para um passo adelante ou é o início da relação de uma vida. All in all, o estado metereológico é sempre um desbloqueador de conversa no qual vale a pena investir.

Com os blogs é a mesma coisa. Quando não se tem nada que dizer fala-se do estado do tempo. Hoje como estou com o cérebro feito puré decidi falar de quê? Do tempo, claro. Vá, no meu caso ainda foi pior, eu não decidi, só escolhi que podia ser: o Jibóia Cega deu implicitamente a ideia. E sim, estou com muito frio nas mãos, credo. E quero o perfume da maçã que está a dar na televisão

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Tarraxinha: já não morro sem saber o que é

Tenho a certeza que, para quem não está dentro do espírito, o que eu aqui escrever hoje vai parecer um delírio profundo ou então a autobiografia de uma pega (ou de alguém tacanho que está a abrir horizontes), mas acontece que finalmente, e aos poucos muito pouquinhos, estou a entrar no espírito do kizomba e começo a perceber que isto de ser sensual, quando se dança a pares, não se mede na habilidade de rebolation, mas na capacidade de sintonia. Ser sensual quando se dança a pares é tão simplesmente, de forma confiante e segura de que não vou falhar os passos, deixar-me levar, fluir. Sou convidada a tomar determinados passos, tomo-os firmemente e com a minha classe, mas sem antecedência, sem pressa, aproveitando o prazer de ser levada.

Está bem. Também vos posso dizer que tudo o que ouviram dizer sobre o kizomba é verdade. E que a dançá-lo excluam pessoas que não saibam o que estão a fazer (no que à intenção toca) e elejam pessoas que estão ali com o espírito certo. Isto porque tudo o que eu mais temia confirmou-se: há ali momentos em que se sentem toooodas as partes anatómicas - e o tal tarraxinha é o expoente máximo disto. Há ali momentos em que o toque parece desejo - e no momento da coreografia provavelmente até o é. Perante isto claro que comecei tudo com os alcunhados "novimentos metálicos" - tu fazes, mas não é natural. E então não haveria de fazer movimentos metálicos? Quando sentia que já não sabia bem onde estava a roçar,  ou pior quando tinha a certeza onde estava a roçar metade de mim paralisava e não se conseguia deixar levar pela música

Hoje percebo que pode existir uma tal química entre pares, ao ponto de parece que se despem enquanto dançam estando sempre vestidos, e que essa química pode perfeitamente acabar quando a música acaba.

P.S. --» Apesar de firmar estas teorias bem distintas de um roço aleatório continuo a acreditar profundamente numa teoria que nunca validei - um homem que saiba dançar leva certamente sérias vantagens debaixo dos lençóis.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Balanço inicial de uma semana prognosticada como espectacular

Segunda-feira e estou movida a aspirina. O maior perigo é que estou com o potencial diz-me-qualquer-coisa-que-eu-não-goste-e-acho-que-te-mordo elevadíssimo. Devia isolar-me numa caverna, talvez. Mas ainda vou estar com pessoas. Vou tentar falar o menos possível.

domingo, 25 de novembro de 2012

A tal lição de humildade

Um dos motivos pelos quais vou à missa não todos, mas bastantes domingos é por ser um sítio que continua a ajudar-me a pensar em mim e um sítio de onde selecciono muitas coisas boas, apesar de não dizer amén a tudo. Selecciono essencialmente coisas que me fazem pensar a sério, coisas que me ajudam a pôr os valores no sítio. É um sítio que me ajuda a apaziguar-me e a reconstruir-me com a certeza de que vale a pena. É um sítio onde, em contrate, olho para mim, reconheço as minhas falhas e com isso tento ser uma pessoa um bocadinho melhor.

Hoje percebi que há momentos em que sou uma pessoa feia e comichosa por dentro. Este fim-de-semana amuei ligeiramente. E a homília de hoje fez-me pensar no meu amuo... Não amuei exteriormente porque colaborei com todas como é costume, dei ideias, ajudei como se uma parte de mim ordenasse "Já não tens idade para tiques de vedeta, pára lá com isso!". Mas dentro de mim continuava brutalmente amuada: a coreografia para a música "Chuva" da Mariza é das primeiras coreografias onde não estou na fila da frente. Perdi os holofotes, tragédia! Estou invisível [sem estar], que drama. Dei uma lição de humildade a mim própria quando me obriguei a parar e a pensar porque é que afinal queria estar na fila da frente. Sua comichosa, vaidosa... Resultou ainda melhor quando me perguntei a mim própria porque é que afinal outras duas pessoas que não eu não poderiam merecer aquele lugar.

Uma lição de humildade

Estou a dar. A mim própria.

Época de sonhos frios

Eu juro, nesta altura de maior estafa mental gostava que os meus sonos colaborassem para entreter outras àreas do meu ser e efectivamente permitir assim à minha pessoa um melhor descanso. Por exemplo, a massa neuronal que trabalha quando estou em modo stand-by podia colaborar para que eu fosse uma pessoa afectivamente preenchida em vez de me trazer o menu costumeiro: tarefas, tarefas, tarefas... 

É que das duas uma: ter tantas tarefas pode assustar ou parecer giro. Na maior parte das alturas, e porque também é a melhor receita para não stressar, parece-me giro, mas também chega ali uma altura em que uma pessoa precisa é de escapes, de se evadir! Pois que os meus sonhos não colaboram e trazem-me os assuntos com que me debato ao longo do dia, o que me faz pensar se realmente estou a dormir ou simplesmente a continuar a pensar no colchão. E eu também juro que às vezes não sei de qual destas hipóteses se trata.

Domingo e já tive uma hora e meia de dança, um item a riscar na agenda, um domingo que desejo que seja bem mais calmo e previsível do que o último apesar de atarefado. Nem me importo com as tarefas, o sorriso está cá, mas à noite, por favor, vamos lá mudar de assunto!


sábado, 24 de novembro de 2012

Querido belógue... (XLIV)

É verdade, sou fêmea e posso ter tendência a complicar: nem sempre sei bem o que quero. Mas, por outro lado, sou das pessoas mais práticas e simples que conheço: sei bem o que não quero.

Querido belógue... (XLIII)

... fiz a minha primeira compra pela internet e sinto-me aliviada. E tudo isto porque me sinto mais info-incluída. Afinal, olho para o meu telemóvel e penso que o meu pai já recebe e-mails no aparelhómetro, a minha irmã faz tudo no aparelhómetro e eu continuo a limitar-me às operações básicas: receber e fazer chamadas, receber e enviar sms's. 

Até há bem pouco tempo isto não me fazia confusão nenhuma - é uma opção, não preciso, poderia eu justificar - mas ontem, prestes a adormecer, deu-me para reflexões filosóficas e achei, sinceramente, que me poderia estar a tornar numa criatura conservadora à qual tudo passa ao lado. Podia estar não a dominar a tecnologia, mas a ser ultrapassada, ou de forma ainda mais dramática, engolida por ela não usando todos os benefícios que estão ao meu alcance. Foi uma imagem fantasmagórica que influenciou, provavelmente, o que fiz hoje logo ao início do dia. Afinal, há coisas de que preciso mesmo, e, com o tempo contado, é tão mais fácil fazê-las sem tirar o rabo da cadeira. A ver como corre. O telemóvel continua com a mesma utilidade, mas hey, fiz compras pela internet!

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Entretanto estou a fazer um curso de Inglês de borla

Guess how.

Note to self daquelas muito sérias

Mary Jane, aprende. Sabes que és metodologicamente masculina, portanto pára de te envolver na organização de múltiplas coisas ao mesmo tempo. A saber (e provavelmente estou a esquecer muita coisa):

- apoiar a organização de um jantar blogosférico;
- organizar mais um jantar de solidariedade e dirigir múltiplos convites;
- organizar e ensaiar - e pôr outros indivíduos a ensaiar - um espectáculo surpresa para a festa de natal da instituição profissional;
- ensaiar o kizomba que te delegaram para o mesmo fim;
- ensaios extra da nova coreografia do grupo habitual de dança;
- organizar uma lista de pessoas que querem ser surpeendidas por ti;
- apoiar a decoração natalícia de um pedaço de terra cá da zona;
- organizar umas coisas do trabalho pelo meio.

Ou, pelo menos, e nessa impossibilidade parva de te conteres e de achares que tens sempre tempo para mais uma coisinha, mesmo que a tua agenda grite que vai rebentar, pára e pensa: vai correr melhor se organizares uma coisa de cada vez em vez de ter 3 contas de e-mail e 10 documentos Word abertos em simultâneo. De outra forma vais acabar a misturar tudo, Mary Jane, já te devias conhecer. E as pessoas vão começar a achar que tu não és uma pessoa normal. E o teu cérebro vai começar a gritar STOP e a lançar ameaças veladas de que estás com uma doença neurodegenerativa porque já nem frases terminas em condições... Eu avisei.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Mary Jane is coming to town

Dado que o meu espírito natalício estava adormecido decidi, neste preciso momento, acordá-lo para vos comunicar que prometo enviar uma surpresa natalícia a cada entidade que endereçar o respectivo pedido num e-mail com o assunto "Mary Jane come to my town" e com indicação do endereço para onde desejam que siga o recuerdo.

Lembrem-se que não ofereço carros, massagem num spa, cheques prenda da Zara ou sequer um porta-chaves com berloques adquirido nos chineses. Lá diz a teoria económica que não há almoços grátis, portanto se estão à espera de um cheque chorudo esta iniciativa não é para vocês, mas se gostavam de ficar com uma marca Mary Janística, a não revelar para não quebrar a surprise que pode até bem ser personalizada, então toca a correr para o emílio escarrapachado aqui já à direita.

A melhor dieta: descontar nas calorias alheias

Ora comentários em diversos blogs esta semana fizeram suscitar a necessidade de abordar este tema. Eu sou um amor de pessoa no que toca à minha relação com a comida: não só não conto calorias como desconto nas alheias. Contava eu aqui que as minhas colegas de trabalho já sabem  que não me acanho e depois de um inocente "come tu que estás magrinha" - dirigido provavelmente a cogitar que eu ia fazer cara de esquisita ou o melhor ar enojado à top model, mas eu açambarquei-me da oferta e nunca mais a larguei preparada para dirigir olhares fulminantes a quem pensasse roubar-me o pedaço - agora quando lhes vem parar uma fatia de bolo à secretária (o que não é assim tão raro) encaminham a respectiva para uma das minhas gavetas, apenas com a ameaça velada para fingir que não comi e depois contar como foi a experiência para posterior relato, se necessário - e isto é, verdadeiramente, descontar nas calorias alheias.

Por outro lado acrescentei aqui que durante um certo período da minha vida deveria ser o grande desgosto da minha bisavó porque ela bem me tentou meter pela goela rebuçadinhos, chocolates e derivados e eu não apreciava nenhuma das variedades. MAS... salvou-se o pacotinho de açúcar inteiro nos iogurtes já por si bastante açucarados! Era vê-la de olhos brilhantes provavelmente a pensar que estava a criar um belo leitãozinho.

Hoje, um senhor que é das personagens mais caricatas que já vi e podia bem figurar num filme do Woody Allen - cabelo branco, muito baixinho, muito enfarpeladinho e de óculos escuros no interior - disse que as mulheres portuguesas - à antiga, as grandes mães - são das melhores gestoras do mundo. E apeteceu-me dar-lhe um beijo na careca, porque se conhecesse a minha bisavó (que alimentava os seus e os próximos e os próximos) certamente a incluíria nesta afirmação, mas não o fiz, afinal não seria conferir credibilidade ao senhor que proferiu tal frase. Quanto a mim continuo um espeto ou um pau de virar tripas como aqui também se costuma dizer, mas o facto de não ter crescido bem, rechonchuda e redondinha, não foi culpa da minha bisavó que seguindo manhas diversas bem me fez investir no açúcar e agarrar qualquer bolinho.